Para ser possível ter um Dark Souls numa consola portátil, a FromSoftware foi obrigada a fazer alguns cortes no departamento técnico, relativamente às outras plataformas onde foi disponibilizado. Isto faz com que Dark Souls Remastered não seja propriamente “Remastered”, mas uma versão mais próxima do original de 2011 que foi lançado na Xbox 360 e PlayStation 3. No final de contas, o que realmente importa é que a experiência que todos recordam, aquela que levou a produtora a criar mais dois jogos, esteja intacta.

Quem já teve oportunidade de jogar este título na Xbox One ou PlayStation 4 sabe que tem aqui uma excelente oportunidade de voltar ao mundo idealizado pela produtora nipónica. Agora são os jogadores que têm uma Nintendo Switch que podem experimentar o jogo que começou com a série “Souls”, com a vantagem (ou desvantagem, conforme a perspetiva de cada um) de se poder jogar no modo portátil. 

Dark Souls é uma aventura muito solitária, nem o próprio jogo vos vai ajudar a enfrentar os temíveis bosses que vão, inevitavelmente, cruzar-se com vocês. Do primeiro ao último boss vão, certamente, morrer. A grande mais valia deste jogo japonês é de entregar um mundo do qual não sabemos absolutamente nada, para assim a nossa exploração ser recompensada conforme os nossos avanços e, muitas das vezes, os tão necessários recuos. Não podemos ser bruscos ou apressados, temos de digerir toda a informação que nos chega da melhor forma possível para perceber o que é que o jogo quer realmente de nós.

Praticamente tudo o que existe em Dark Souls é um teste à nossa habilidade, uma avaliação da nossa capacidade de entender o que temos de fazer para ficarmos vivos por mais uns minutos. Morreram? Não há problema, regressam à última fogueira que acenderam. Se quiserem retirar o máximo do jogo, têm de aprender com os vossos erros, nem que sigam pela via da tentativa e do erro, mesmo que estes não resultem numa morte imediata. 

Como o hardware da Nintendo não é tão potente como uma PlayStation ou Xbox, houve uma obrigatória queda nos cândidos fotogramas por segundos de sessenta para trinta, que é mais notória em sítios mais povoados e em confrontos mais agitados. Não se preocupem, não é nada que torne a impressionante obra japonesa impossível de jogar, nem mesmo no modo portátil. É algo surpreendente poder ter um jogo, literalmente, nas minhas mãos com um enorme mundo como o de Dark Souls.

A primeira grande diferença com esta versão é que podemos, efetivamente, colocar o jogo em pausa. O botão para desligar, também serve para suspender a consola. É sempre bom termos, agora, uma pausa sem precisarmos de acender uma fogueira. Porém, não se enganem, porque o botão que serve para regressar ao menu da consola não coloca o jogo em pausa. Uma lição aprendida da pior forma, pois já estava bastante avançado numa determinada altura e, após esta falsa pausa, voltei a um ponto que não estava. 

Em termos de atributos únicos da Nintendo Switch, ainda existe o par de comandos Joy-Con. Dark Souls é um jogo que requer muita habilidade por parte do jogador e esta só se desenvolve com o pressionar dos botões no momento correto, o esquema de controlos não permite obter a melhor ergonomia possível, o que nos obriga a estar mais atentos e cuidadosos. Isso foi aprendido com muitas mortes desnecessárias, com uma frustração tal que tive de passar a jogar sempre com uma defesa redobrada. Porém, acredito que muitas pessoas vão achar que este é um novo desafio a dominar, visto que há quem já tenha jogado este título com um controlador feito de bananas.

Para quem nunca jogou Dark Souls por preferir sempre investir na marca Nintendo, este título é um autêntico clássico que não devem perder. Tudo funciona como devia, tanto o online, como a aventura a solo, Dark Souls na Nintendo Switch está longe de estar próximo da perfeição, mas engloba muito bem o essencial da experiência entregue pela FromSoftware.