Quando um jogo nos relembra que temos de “aproveitar o máximo de uma má situação”, sabemos que nos espera um jogo muito difícil. A morte espera-nos a cada tentativa de alcançar o nosso objetivo. São muitos os heróis que vão sucumbir e uma vez tombados em batalha têm um único destino: o cemitério. Com um mote destes sabemos que há um grande desafio a suplantar. Contudo, qualquer roguelike vive deste lema. Darkest Dungeon revela-nos o porquê de ser tão motivador jogar uma obra que não nos dá recompensas fúteis, que um caminho feito com tanta dificuldade acaba por nos levar à vitória. 

De certa forma, o próprio jogo da Red Hook Studios reflete a sua passagem pelo Kickstarter para Darkest Dungeon se tornar uma realidade. Se queremos chegar ao nosso objetivo, temos de passar por um processo lento de evolução das nossas personagens mais fortes. Após um ano em campanha de financiamento, um outro na fase de Early Access do Steam e depois de ter sido lançado, este roguelike chegou agora à Nintendo Switch. E esta consola favorece bastante o jogo pela facilidade dos controlos que permitem navegar pelos menus e opções do jogo.

Imagens Darkest Dungeon Switch

Darkest Dungeon é exatamente o que o seu nome sugere, um dungeon crawler em que temos de ter em atenção aos passos que damos à medida que avançamos. Exigir em demasia da nossa party pode significar a sua aniquilação total no turno seguinte. Os jogadores têm de ter uma determinação inabalável para seguir em frente, porque muitas das vezes será necessário recuar primeiro, para depois estarmos fortes o suficiente para avançar. Não tenham isto em mente e sentir-se-ão frustrados todas as vezes que acabarem uma visita às masmorras da mansão Hamlet. 

O patriarca da mansão do jogo estava convicto que os rumores de uma enorme fortuna escondida eram verdadeiros, por isso partiu à descoberta nas profundezas da mansão. Contudo, foi uma expedição infrutífera, porque esta acabou por dar inadvertidamente acesso a um submundo de terrores, monstros que ganharam forma para atormentar a nossa viagem até à fortuna prometida. Os jogadores, enquanto herdeiro da mansão, terão de encontrar o que é vosso por direito ao mandar grupos de quatro mercenários à procura de glória e fama.

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Pouco a pouco, à volta da mansão forma-se uma comunidade de serviços para prestar auxílio aos vossos heróis. Para recuperar forças e sanidade mental têm uma taberna onde podem participar em jogos de apostas, beber até  perderem a sobriedade ou subir aos quartos do bordel para recuperar do combate prévio que houve com monstruosidades que só lembram a H. P. Lovecraft. 

Porém, os guerreiros que formam a nossa party, tal como os ditos “suplentes” para uma outra viagem às profundezas de um autêntico inferno, não necessitam de estar apenas de boa saúde. É preciso visitar o ferreiro para obter melhores armas ou até a “guild” para termos a possibilidade de comprar técnicas mais poderosas. Enfim, há mil e uma oportunidades para facilitar a nossa passagem pelas masmorras e calabouços esquecidos pela família de Hamlet. 

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Ainda antes de explorar estas dungeons, há que escolher o quarteto que levamos connosco. É imperativo levarmos quem achamos que seja mais capaz. Depois temos de ser um treinador, um gestor do cansaço da equipa. Podemos ter dez, doze ou mais mercenários, mas convém saber com quem é que podemos contar e quem é descartável. Sim, temos de vestir a pele de um patrão sem escrúpulos, em que o lucro próprio é o único objetivo pelo qual queremos lutar. Morreu alguém? Paciência, foi carne para canhão. Acho esta particularidade realmente fascinante, pois destaca Darkest Dungeon dos seus pares e torna-o muito original. 

Entre os vários guerreiros que chegam à mansão, temos de escolher aqueles que têm a classe que melhor se adequa à nossa estratégia. Isto é, se temos espaço para gerir, senão podemos aceitá-los todos e gerir conforme as nossas necessidades e estilo de jogo. Há catorze classes disponíveis, sem contar com as adicionais que se encontram nos DLC, que tem as suas vantagens e desvantagens. 

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Recomenda-se, obviamente, levar sempre alguém que tenha uma habilidade de curandeiro. Todavia, só a experimentação de hipóteses é que vos permitirá jogar da melhor forma. Quem não tem paciência para este meticuloso processo, achará esta obra frustrante. Ao ponto de estar sempre a sucumbir ao querer levar a sua equipa ao limite das suas capacidades.

Lutar contra criaturas medonhas tem consequências graves do foro psicológico, algo que é muito raro ver-se nos roguelike, nos RPG e nos dungeon crawler. O mais óbvio é ficarem com medo, estarem horrorizados com aquilo que eles encontram. Não é só em combate que encontramos perigo, um elemento fortemente afetado pela experiência de combater monstros, é um elemento que tem de ser retirado da equação. A solução passa assim por admitir a derrota e desistir. Caso contrário, este poderá morrer de ataque cardíaco ou poderá influenciar outros membros do grupo a ficarem igualmente loucos, levá-los à paranoia e condicionar negativamente a exploração. 

Imagens Darkest Dungeon Switch

Conforme o quarteto que escolhemos, temos de ter em atenção o seu posicionamento, quem está resguardado nos últimos lugares pode atingir mais facilmente inimigos com ataques à distância. Outros precisam de estar na linha da frente para ataques corpo a corpo, para a arma de lâmina afiada conseguir atingir os oponentes mais próximos. 

Quanto mais difícil fica o jogo, ficamos mais sensibilizados para estes detalhes. Tenham também muita atenção à luminosidade da tocha, quanto mais escuro fica, mais probabilidade temos em cair numa armadilha ou de sermos surpreendidos por inimigos. A comida e as ligaduras têm a sua importância, para que os nossos guerreiros não sofram com fome e que possam estancar ferimentos que vos tenham posto a sangrar abundantemente.

Imagens Darkest Dungeon Switch

Por isso, para atingir os nossos objetivos é preciso ter alguns cuidados, gerir bem a equipa, estar atento aos níveis de stress e, claro, evoluir os serviços que estão ao nosso dispor. Sempre que há uma morte, esta é permanente, mas mesmo assim esta não se torna redundante, visto que há um grupo de guerreiros que queremos manter para podermos ir ainda mais longe.

Nestas partidas todas em que aprendi a jogar Darkest Dungeon, não houve só aprendizagem em termos de levar as minhas estatísticas e números a meu favor. Mas como fazer com que este processo fosse mais rápido, como fazer um grinding mais eficiente dos itens que me permitem evoluir os vários serviços que se instalaram perto da minha mansão. Darkest Dungeon é penoso, jogar com uma equipa novata não é uma tarefa simples, mesmo no nível mais baixo, jogar com uma equipa que já tenha uma boa experiência revela-se igualmente stressante, visto que temos de fazer tudo para os manter vivos. Em Darkest Dungeon aprendemos, sobretudo, quando devemos e não podemos arriscar. 

Imagens Darkest Dungeon Switch

Darkest Dungeon tem uma arte muito similar aos jogos da Klei (criadores de Shank, Don’t Starve e Mark of the Ninja), que encaixa na perfeição na temática de terror gótico que quer fazer passar. Nós queremos ir mais além para ver o design dos horrores desenhados pelos artistas canadianos. A música também complementa bem esta sensação de nervosismo constante, de preocupação e atenção que necessitamos de ter para não perder facilmente.

Esta obra é perfeita na Nintendo Switch, nomeadamente, pelos controlos estarem tão bem adaptados a todos os menus a que precisamos de aceder durante o combate. E se tivermos necessidade, até podemos navegar através do toque no ecrã tátil da consola. Se são fãs de um bom e desafiante RPG, têm aqui bons motivos para adquirir Darkest Dungeon.