por - Apr 28, 2016

Day of the Tentacle Remastered Análise

Sob o comando de uma das mentes por detrás de muitos dos clássicos do final do século passado, a Double Fine tem levado a cabo a louvável missão de revitalizar alguns dos mais aclamados títulos da já defunta LucasArts e disponibilizá-los nas mais modernas plataformas, facilitando desta forma o acesso a obras que, com o passar dos anos, se foram tornando cada vez mais raras. Depois de ter lançado Grim Fandango no PC e consolas da Sony no início do último ano e com Full Throttle já confirmado para lançamento futuro, Day of the Tentacle é a mais recente entrada do catálogo da lendária produtora a receber o tratamento remastered.

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Lançado originalmente no longínquo ano de 1993, esta aventura Point-and-Click é uma sequela direta de Maniac Mansion, outros dos clássicos da produtora americana, e conta-nos uma caricata história de três jovens estudantes e amigos que são obrigados a regressar à mansão do título original para evitar que um tentáculo mutante sedento de poder assuma o domínio do mundo e faça da humanidade sua escrava. Apesar das frequentes referências ao seu antecessor e do regresso de personagens secundárias para a sequela, a história pode perfeitamente ser desfrutada sem qualquer conhecimento relativo à narrativa original.

Na verdade, Day of the Tentacle inclui uma versão jogável de Maniac Mansion no seu interior, servindo não só como um meio para dar uma oportunidade aos jogadores de experimentar a obra original, mas também para efeitos de comicidade, uma vez que a sua história existe no universo dos protagonistas como um jogo inspirado em factos verídicos. Embora seja de saudar a inclusão do título original, a verdade é que a sua interface de utilizador é demasiado datada para se traduzir numa experiência agradável, sobretudo nas consolas.

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Assumindo o controlo de Bernard, Hoagie e Laverne, o jogador embarcará numa viagem pelo tempo para impedir as origens do louco, mas ambicioso tentáculo. No entanto, problemas com a máquina do tempo acabam por separar os três amigos, deixando-os espalhados por diferentes períodos históricos. Se Bernard ficou retido no presente, Hoagie viajou 200 anos para o passado, até ao período de escrita da Constituição dos Estados Unidos, e Laverne foi enviado 200 anos para o futuro, num mundo já dominado por tentáculos e no qual humanos não passam de meros animais de estimação.

Está assim dado o mote para uma aventura repleta de momentos e interações hilariantes à medida que os protagonistas vão fazendo uso de estratégias pouco convencionais para conseguirem regressar ao presente e utilizar corretamente a máquina do tempo para travar as intenções do viscoso vilão. Como seria de esperar de uma obra proveniente do duo Ron Gilbert e Tim Schafer, a escrita é de longe o melhor elemento de Day of the Tentacle, fazendo com que as suas personagens se tornem instantaneamente apelativas e utilizando o humor como método para manter o jogador cativado, não tendo medo de quebrar a 4th wall e evitando levar-se demasiado a sério.

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Claro que numa obra com tanto ênfase na sua narrativa e acima de tudo no seu humor, é de salientar o facto da arte visual enquadrar-se na perfeição com o resto da experiência, utilizando um estilo bastante caricaturado para os diversos cenários pelos quais a aventura vos levará e também na própria modelagem das personagens que podiam ter saído de uma qualquer banda desenhada mais tradicional. Com a revitalização gráfica para as novas plataformas, o título usufrui agora de uma imagem mais límpida e cores mais vibrantes, mantendo-se extremamente apelativa, mesmo tendo em conta a sua idade.

Infelizmente, se existe um elemento de Day of the Tentacle que não lidou muito bem com o passar dos anos é a sua jogabilidade, mais concretamente, os quebra-cabeças que compõe uma porção muito significativa do tempo que passarão com a obra. Tal como qualquer outra aventura do género e da mesma era, os puzzles envolvem uma exploração minuciosa dos cenários, bem como a utilização e combinação de itens encontrados nos mesmos.

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O problema é que muitos deles seguem uma linha de raciocínio lógico bastante rebuscado e que levará por diversas vezes o jogador a utilizar diferentes combinações até, inevitavelmente e já em desespero, tropeçar na solução correta. Isto torna-se ainda mais problemático quando muitos itens são obtidos, por exemplo, no presente, mas têm de ser enviados para outra personagem de forma a resolver um quebra-cabeça no futuro. Na verdade, tentar terminar o título sem nunca se servirem de um guia será origem de longos períodos de tempo sem qualquer espécie de progressão e inúmeros momentos de frustração.

É certo que existe uma clara satisfação em resolver aquele puzzle que vos estava a moer o cérebro e a testar a vossa paciência, contudo, quando essa resolução surge muitas vezes por mero acaso, as percentagens dos níveis de satisfação e de frustração começam a ficar bastante equiparadas.

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Acima de tudo, Day of the Tentacle é uma experiência que deve ser desfrutada por todos os aficionados por este meio de entretenimento, não necessariamente por ser um excelente título, mas sim por ser um pedaço de história desta indústria e uma amostra de uma era diferente, na qual os jogos não seguravam constantemente o jogador pela mão. Ainda assim, a narrativa e o humor são mais do que suficientes para evitar que o título se torne demasiado frustrante ou cansativo.

veredito

Day of the Tentacle é um clássico e um pedaço de história desta indústria, mas inúmeros puzzles obtusos e de resolução pouco intuitiva levam a vários momentos de frustração.
7 Humor. Grafismo brilhante. Narrativa simples, mas divertida. Puzzles confusos.

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Day of the Tentacle Remastered

para PC, PlayStation 4, PS Vita

Schafer’s classic point-and-click returns to PC, PS4 and PS Vita.

Lançado originalmente:

22 March 2016