por - Sep 9, 2021

DC Super Hero Girls: Teen Power – Análise

O mercado de videojogos com super-heróis licenciados está substancialmente preenchido com duas personagens, um da Marvel e outro da DC Comics: Spider-Man e Batman respetivamente. Por isso, acaba por ser refrescante constatar que existem jogos como DC Super Hero Girls: Teen Power. Contudo, é pena que não esteja ao nível de pérolas como Batman: Arkham Asylum ou de Marvel’s Spider-Man (2018). É claro que não precisava de ser similar a um destes títulos, mas, visto que foi feito para a Nintendo Switch, poderia muito bem ser, no mínimo, tão divertido como o pior party game da Nintendo. Só isso tornaria este título num bom jogo que não é.

O que o jogo tem de bom é de ter um grafismo competente e, sobretudo, bastante colorido. Um outro ponto ao seu favor é de nos dar um conjunto de heroínas dispostas a salvar a cidade de Metropolis de malfeitores. Como está desenhado, em termos de game design, com uma quantidade avassaladora de missões secundárias, jogabilidade romba e sem nada de realmente substancial que se possa extrair desta experiência, só retiramos tédio das várias partidas que fazemos da campanha. Infelizmente, são poucas as vezes que ficamos com uma sensação de recompensa, no fim o que temos é o nosso tempo desperdiçado num jogo que não vai muito mais além do mediano.

DC Super Hero Girls: Teen Power partilha este nome com a série de animação, mas mesmo que nunca tenham visto um único episódio, conseguem reconhecer facilmente grande parte dos protagonistas do jogo. Temos Barbara Gordon, que se veste de Batgirl para enfrentar os criminosos; Kara Denvers é uma roqueira quando não está a salvar inocentes no seu alter ego Supergirl; Diana Prince é uma estudante bastante aplicada, mas que lida com malfeitores vestida de Wonder Woman.

O elenco não fica por aqui, porque também há vilãs icónicas como Harley Quinn, Catwoman e – menos conhecida – Star Sapphire, apesar destas só ficarem disponíveis na segunda metade da campanha. Quer se goste ou não da escolha deste conjunto de heroínas e vilãs, devo admitir que houve, pelo menos, o cuidado em realçar as suas diferentes personalidades. Ainda conseguiram escolher bons atores para interpretar estas personagens, também há um leque interessante de habilidades a que temos acesso para o combate.

Isto é, na sua essência, um jogo de ação e, por conseguinte, o combate é o que dá esta categoria ao jogo. Cada personagem é bem diferente das outras, desde a forma como se movimentam, às habilidades que têm para enfrentar inimigos: a Wonder Woman pode usar o seu “lasso of truth” para aglomerar rapidamente um grupo de inimigos, enquanto que Star Sapphire consegue criar uma “cage of love” que prende inimigos numa jaula e causa-lhes dano se tentarem sair. Este dois exemplos dão variedade ao combate para a experiência não ser totalmente saturante.

Apesar de estarpos perante um jogo de ação, este título parece uma grande mixórdia de minijogos e de missões secundárias. A maioria das missões da campanha é focada no combate, onde se juntam, no máximo, até três heróis para combater o crime de malfeitores robóticos. Este design serve para expor a narrativa, mas não é algo que vamos relembrar mais tarde, nem para pesquisar em eventuais bandas desenhadas que tenham abordado as temáticas deste jogo. Os robôs são uma desculpa para que vilãs e heroínas se juntem para combatê-los, visto que é assim que as vilãs entram em cena – “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Tal como os heróis, os inimigos têm o seu próprio leque de técnicas e habilidades para nos aniquilar, o que os torna interessante o suficiente para levarem uma valente sova.

O jogo existe em mundo aberto – temos a cidade de Metropolis para explorar – mas o combate só acontece em situações pré-determinadas pelo jogo. Combatem sempre em missões nunca fora deste contexto. E podem-se juntar a vocês mais dois heróis para combater o crime, apesar de só a personagem principal do evento em questão é que pode ser controlada pelo jogador – os outros são meros ajudantes controlados pelo jogo. Às vezes vamos sentir que seria mais útil utilizar Supergirl do que Batgirl e vice-versa, mas temos obrigatoriamente de jogar com o que o jogo nos dá. Este título tem um combate reminiscente da série Batman: Arkham, no entanto só em teoria, porque na prática vão ter que pressionar continuamente nos botões sem pensar muito até que os mauzões estejam aniquilados. Contra-atacar é algo que parece estar mais dependente da sorte do que da nossa habilidade em estar correto com os timings que nos são exigidos.

Não corremos grande perigo para perder, afinal estamos a lutar com robôs fracotes e chega um ponto em que combater estes inimigos de metal é uma boa forma para aliviar o stress. À medida que avançamos na narrativa, completando missões, desbloqueamos novas habilidades para usar no combate, o que varia ligeiramente as nossas ações para atingirmos os nossos objetivos. E depois ainda temos o projeto imobiliário Hob’s Bay, que está a ser construído por Lex Luthor sem nenhuma razão aparente que afete a história principal. Embora este Hob’s Bay Project tenha uma certa importância, o jogo não lhe dá o interesse que merece, visto que muitos dos edifícios que escolhemos erguer não têm nenhum propósito aparente.

As missões secundárias consistem, por exemplo, em salvar gatos, procurar grafitis e fotografar determinadas pessoas. Não são o tipo de objetivos que nos dão a gratificação que procuramos num jogo de ação. DC Super Hero Girls: Teen Power poderia ser um jogo muito mais equilibrado e interessante em termos de atividades. Uma desculpa que se costuma dar, é que isto foi feito para uma audiência jovem, mas se é com isto que os jovens são aliciados, mais vale pegar num bom jogo como Spider-Man ou numa obra que aborda esse tema como um South Park: The Fractured But Whole ou um Saints Row IV.

veredito

Um jogo com heroínas e vilãs muito básico e que aborrece mais do que diverte. Infelizmente, o mau design do jogo vê-se a milhas.
4 Bom elenco. Missões aborrecidas. Combate frouxo. Atividades inúteis.

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DC Super Hero Girls: Teen Power

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Lançado originalmente:

4 de junho, 2021