Embora esteja longe de entrar sequer em discussões sobre as melhores ou mais influentes obras do género de combate no passado recente, a verdade é que Dead or Alive consegue sempre gerar alguma celeuma cada vez que coloca mais uma entrada no mercado. Não é, de uma forma geral, por motivos que devam orgulhar qualquer experiência videojogável que se pretenda afirmar pela qualidade mecânica, visual ou narrativa daquilo que oferece, contudo, é uma tática que parece continuar a resultar todos estes anos depois.

Quando foi originalmente revelado à imprensa, a Team Ninja chegou a afirmar que Dead or Alive 6 se ia afastar da representação exageradamente sexualizada das suas personagens femininas, alegando que esse elemento do ADN da série retirava por vezes o foco da qualidade dos títulos no departamento jogável. Agora que o jogo chegou ao mercado, percebe-se facilmente que isso não corresponde, de todo, à verdade. As saias continuam a revelar a roupa interior das lutadores a cada ataque, os seios continuam a balançar exageradamente - é possível desativar esse movimento - e os trajes incompreensivelmente reduzidos continuam presentes, ainda que tenham de trabalhar um pouco para os desbloquear.

Existe, como é óbvio, uma audiência de jogadores que aprecia esta característica da série de Dead or Alive, mas a obra força de tal forma a nota que chega a causar algum embaraço junto dos jogadores, embaraço esse que distrai efetivamente as atenções de uma obra que tem na sua jogabilidade acessível um elemento tão convidativo para os jogadores mais casuais do género. Em vez disso, Dead or Alive e, por consequência, também Dead or Alive 6 acabam recordados não pela baixa barreira de entrada para novos jogadores, mas sim pela sua apresentação questionável.

Como já referi, a acessibilidade é um dos principais trunfos que Dead or Alive 6 tem para seduzir um número mais alargado de jogadores à sua causa. Com apenas um botão para desferir murros, um botão para pontapés, um botão para movimentos que permitem agarrar e lançar o adversário e um botão para se protegerem das investidas do oponente, este é um título que não pede a memorização de longas combinações de botões e um timing exímio na sua execução para que consigam retirar um melhor proveito do seus combates e os dos estilos de luta do elenco de personagens.

O facto de até os novos ataques especiais denominados de Break Blow - ataques em câmara lenta e que causam bastantes danos, resultando nos danos na roupa e feridas que são depois visíveis nas poses de vitória no final do combate - serem bastante fáceis de executar permite que mesmo com um martelar aleatório de botões sejam capazes de obter bons resultados e dar luta a jogadores mais habilidosos. Claro que se quiserem dominar verdadeiramente os combates terão de explorar de forma mais aprofundada o leque de movimentos dos lutadores e a boa notícia é que Dead or Alive vem equipado com extensos tutoriais para facilitar essa aprendizagem.

Mesmo sem a fluidez ou a espetacularidade de outros títulos, Dead or Alive 6 tem uma jogabilidade satisfatória, especialmente na entrega do feedback do impacto dos nossos ataques. O seu foco no contra-ataque, seja pelo facto de causarem mais danos ou pela introdução do Break Hold que vos permite travar praticamente qualquer ataque à custa da barra de energia que utilizam para os Break Blow, oferece igualmente um incentivo para ataques mais deliberados, tentando antecipar os movimentos dos adversários. As características únicas de cada campo de batalha e as transições que permitem entre áreas são outro ponto a ter em conta no momento durante os combates.

Infelizmente, a obra assinada pela Team Ninja acaba por deixar bastante a desejar no conteúdo que coloca à disposição do jogador. O modo história conta com várias linhas narrativas, mas as cinemáticas são tão curtas e desconexas que acabam por não ter qualquer tipo de impacto ou interesse - não ajuda que a vocalização também seja fraca. Desta forma, este modo acaba por servir sobretudo para introduzir as várias personagens do plantel de lutadores, cuja personalidade e carisma é inexistente, e dessa forma dar aos jogadores um primeiro sabor dos diferentes estilos de combate disponíveis.

Depois disso, temos os tradicionais modos a solo como Time Attack, Survival e Arcade que podem ser enfrentados em diferentes níveis de dificuldade e uma componente online incrivelmente desinspirada, composta unicamente por Ranked Matches que são exatamente aquilo que se espera. Acumulem vitórias e a vossa classificação vai aumentando, levando-vos até adversários de carne e osso mais habilidosos. Acumulem derrotas e farão o percurso inverso. Esta oferta pode satisfazer durante algumas sessões de jogo, mas rapidamente começarão a desejar algo mais.

Apesar de não ser suficiente para tornar Dead or Alive 6 uma obra mais rica e diversificada em conteúdo, o novo modo DOA Quest é claramente uma adição importante à experiência. Aqui os jogadores serão convidados a participar em diferentes batalhas, tendo que cumprir três requisitos distintos - um deles é sempre ganhar o combate - que podem passar por realizar um determinado ataque ou bater o inimigo em determinado tempo. No fundo, funciona quase com um tutorial mais prático e que oferece recompensas como novas entradas da enciclopédia de Dead or Alive, as partes necessárias para aceder a novos trajes e a moeda que serve de troca na altura de desbloquear esses bónus.

Diga-se que a vontade de desbloquear todos os trajes, penteados e óculos, assim como músicas adicionais para a banda sonora e as já referidas entradas da enciclopédia será o elemento fundamental para a capacidade da obra em manter os jogadores a regressar. Se esse interesse não existir, então Dead or Alive 6 não tem claramente conteúdo suficiente para prolongar a sua estadia, principalmente se a vontade de atacar o único modo online não for muita. Importa também mencionar que a relação entre a quantidade de “dinheiro” que recebem no final dos combates e a quantidade necessário para desbloquear todo o conteúdo não é claramente equilibrada.

No departamento técnico, a estreia da série na atual geração de consolas não deslumbra. A modelagem das personagens é sólida e ver as pisaduras, cortes e suor acumularem-se com o prolongar do combate é um detalhe interessante, mas continuam a ter um aspeto demasiado plástico. Os cenários que rodeiam a pancadaria também não são propriamente detalhados ou inspiradas para ficarem na memória. O mesmo se pode dizer sobre a banda sonora, embora esta seja melhorada com as músicas adicionais que podem desbloquear à medida que acumulam tempo na obra.

Dead or Alive 6 é, acima de tudo, um divertido e acessível jogo de combate que permite que tanto os casuais, como os veteranos da série possam retirar algumas horas de diversão da sua experiência. Contudo, uma componente online diminuta, um modo história desastrado e modos de jogo a solo simplistas - à exceção de DOA Quest - fazem com que seja difícil encontrar a motivação após algumas horas com o jogo. A representação das personagens femininas ainda é um tópico sensível para a série e Dead or Alive 6 faz pouco para melhor a sua perceção.