Quando certos produtores de videojogos se limitam, ao tentar obter a mesma experiência de uma consola antiga, como são a NES e a SNES os melhores exemplos, obtém alguns resultados que os jogadores já esperam. Daí a nostalgia ser um fator tão importante mesmo antes da ideia para um próximo projeto ser concebida. Porém, muitos esquecem-se de irem para além destas limitações, o que acaba muitas vezes por ter efeitos negativos. 

Deep Ones é um jogo de plataformas inspirado nas obras de H. P. Lovecraft e que visa replicar a paleta de cores conhecida como 4-bit RGBI utilizada pelo ZX Spectrum. Só esta tentativa de imitar este hardware condiciona e enfraquece a experiência como um todo. O conceito da ucraniana BURP Games funcionaria perfeitamente num estilo artístico mais moderno, sobretudo com uma jogabilidade mais refinada. 

A narrativa, mesmo que ainda não seja muito desenvolvida, oferece o mínimo para dar contexto àquilo que começamos a fazer durante o jogo. Nós somos um mergulhador que estava no seu submarino, provavelmente um biólogo que estuda as profundezas do fundo do mar. Num determinado momento, ficou preso em algas e, apercebendo-se desta situação, uma criatura de enormes tentáculos arrasta o veículo para si. Este mergulhador não cede a esta derrota e embarca numa aventura para recuperar o seu transporte aquático da escuridão das profundezas do oceano.

Assim, o jogo leva-nos a ir de plataforma em plataforma nesta missão para recuperar o que é nosso. Naturalmente, o fundo oceânico está repleto de perigos. Peixes e moluscos são os nossos maiores inimigos. Porém, é preciso ver o quê que poderá constituir um perigo para nós. Por exemplo, há uma tartaruga que dispara bolhas vermelhas e convém evitá-las de duas formas: ou saltando por cima destes projéteis, ou eliminando-os com um disparo da vossa arma. Nesta aventura subaquática terão um arpão para disparar contra inimigos que vos travem ou possam bloquear a vossa progressão.

Em Deep Ones não é só de saltos precisos que vai depender a vossa progressão na aventura. É fulcral ter em conta quem ou o que é que nos impede de avançar. Pode ser um peixe-balão que aumenta a área do seu corpo impossibilitando a nossa passagem, ou um peixe-lanterna que se aproxima rapidamente de forma ameaçadora. Em certas ocasiões o jogo apresenta-nos um desafio em forma de boss a ser derrotado. Contudo, o problema do jogo não reside nos desafios que são colocados, mas na jogabilidade lenta à qual temos de nos habituar.

Este nosso mergulhador é muito lento, até o próprio salto descreve uma curva muito curta. Contudo, nem só os movimentos é que têm uma velocidade muito reduzida. O arpão  dispara normalmente, mas depois de o dispararem uma vez o próximo tiro só está disponível três segundos depois. É uma jogabilidade que acaba por ser mais frustrante do que desafiante. 

Visto estarmos na escuridão do fundo do mar, a cor que predomina no jogo é o preto. E neste fundo preto estão as plataformas em branco, corais e outras formas de vida vegetal com as cores fortes que a palette do ZX Spectrum permite. Deep Ones acaba por sofrer pela falta de riqueza de cor e de definição do meio aquático. Por ser um jogo de plataformas, convém sabermos claramente para onde queremos ir, situação que, por vezes, é difícil de ler.

Este jogo ucraniano é barato, custa apenas cinco euros, e cai assim no provérbio popular “o que é barato sai caro”. Deep Ones, um termo cunhado pelo mestre do terror Lovecraft às criaturas que criou no seu mundo imaginário, implica que estas tenham vindo de algum local com uma certa profundidade. O que acaba por ser um quanto irónico, visto o jogo ser um título de plataformas superficial, que nos mergulha na frustração em vez de uma experiência desafiante.