Pedro Marques dos Santos por - Sep 24, 2018

Destiny 2: Forsaken – Análise

Há sempre uma sensação de Déjà Vu quando se regressa a Destiny 2 para acompanhar o lançamento de um novo pedaço de conteúdo. O ciclo de vida da sequela tem sido praticamente uma repetição daquilo a que se assistiu com a obra original da ambiciosa propriedade intelectual da Bungie. É certo que a chegada ao mercado do sucessor não foi a mesma desilusão que se verificou com Destiny, mas não foram precisas muitas semanas para que as reclamações tradicionais da comunidade em relação à experiência voltassem a dominar as discussões sobre a mesma.

Depois de duas expansões que foram do medíocre – Curse of Osiris – até ao não muito razoável – Warmind -, Destiny 2 foi preparando o seu segundo ano de vida com o muito necessário revigorar de alguns sistemas, o regresso das Bounties e dos Triumphs que ficaram incompreensível esquecidos e com melhorias cirúrgicas para tornar a aproximar um pouco mais a qualidade da experiência às expectativas que os jogadores tinham para a mesma.

Sim, Destiny 2 continua a ser Destiny, isto é, não esperem encontrar nesta fase algo de verdadeiramente revolucionário ou surpreendente comparativamente ao passado. Esperem, isso sim, encontrar uma versão aprimorada da experiência Destiny que já bem conhecem, como todas as valias e defeitos que lhe foram há muito identificados. Acima de tudo, a sequela vai-se esforçando para oferecer algo sólido que foi construído sob bases que estão longe de ser as ideais.

Destiny 2: Forsaken, a expansão que chegou recentemente às lojas e marca o arranque de um novo ano para a série e, mais concretamente, para a sequela, tem como principal conquista o facto de ter voltado a colocar o título nas boas graças da comunidade. Sendo uma expansão rica em conteúdo e que usufrui das já mencionadas alterações e melhorias que a obra original foi sofrendo ao longo dos últimos meses, não é propriamente surpreendente que estejamos perante a melhor adição de conteúdo para Destiny 2 até à data.

Uma nova e ambiciosa campanha, uma nova localização para explorar, novos Strikes, novas Adventures e, claro está, uma nova Raid, enfim, Forsaken tem tudo aquilo que seria expectável de si e entrega-o de uma forma bem mais competente do que as expansões anteriores, fazendo um melhor trabalho no momento de contextualizar e dar motivação às nossas ações pelas diversas atividades que realizamos. Por exemplo, a fuga de criminosos da Prison of Elders fez com que os Lost Sectors passassem a ser habitados pelos mais procurados malfeitores da galáxia.

As Bounties são uma das principais e mais significativas introduções em Destiny 2 desde o seu lançamento no ano passado, pois não só oferecem objetivos diários para os jogadores concluírem se assim desejarem, como dão um melhor sentido de progressão à obra. É verdade que mais tarde ou mais cedo acabarão por dar por vocês a repetir as mesmas ações e atividades até ao ponto do inevitável cansaço surgir. Ainda assim, as Bounties servem como ligeiras distrações que podem ir concluindo enquanto jogam o novo conteúdo ao vosso ritmo.

Dito isto, Forsaken tem na sua nova campanha e no modo Gambit os principais pontos de destaque. A campanha coloca-nos em perseguição aos mais infames criminosos do sistema solar após a sua fuga da prisão e o assassinato de Cayde-6, o adorado Hunter que era inegavelmente a única personagem de interesse no universo de Destiny. Ora se a decisão de matar esta personagem já era suficiente para colocar os jogadores de pé atrás, a sua execução acaba por confirmar a incapacidade atual do estúdio para criar narrativa memoráveis.

Comparativamente às histórias que a série nos foi proporcionando ao longo destes anos, a de Forsaken está claramente entre as melhores. O problema é que isso é muito pouco impressionante quando percebemos que o nível de qualidade das mesmas está muito longe de ser elevado. Para aquilo a que Destiny nos habituou, a narrativa que acompanha a nossa demanda por vingança é competente, mas fica muito aquém quando comparada com o que de melhor se faz na indústria ou até com o que a produtora já ofereceu na sua série anterior.

Para além da questão da morte de Cayde-6, a campanha nunca consegue dar um real peso às ações das personagens, às suas motivações ou até à sua própria vilania. Para lá de uma cinemática que introduz cada um dos criminosos que vamos perseguir, o jogo não faz o mínimo esforço para lhes dar uma caracterização que permita que não se tornem apenas em mais um dos muitos Bosses indistinguíveis que já derrotaram ao longo da série.

Uldren, o principal antagonista e responsável pela execução do companheiro de Zavala e Ikora, é o exemplo máximo da clara incapacidade da Bungie para oferecer uma dimensão superior às suas personagens. Tal como Ghaul na campanha original da sequela, Uldren tinha potencial para muito mais, mas em vez disso voltamos a receber uma série de cinemáticas com um grau supostamente elevado de dramatismo que não explicam nada daquilo que está a acontecer no ecrã. Essencialmente, a campanha de Destiny 2: Forsaken é mais uma oportunidade desperdiçada para entregar uma narrativa em condições.

Felizmente, a outra introdução – o modo Gambit – é uma lufada de ar fresco na experiência de Destiny, combinando elementos PvE e PvP de uma forma altamente inteligente e altamente divertida. Neste modo, equipas de quatro jogadores competem, direta e indiretamente, para derrotarem o boss final antes dos adversários. Numa fase inicial, os jogadores são convidados a derrotar ondas de inimigos que vão surgindo em diferentes zonas do mapa. Esses inimigos derrotados largam itens que os jogadores terão de recolher e preservar para depois guardarem na sua base.

Morrer enquanto carregam esses itens significa perder tudo o que acumularam, o que significa que existe uma forte componente de estratégia no momento de decidir arriscar derrotar mais inimigos antes de regressar à base para confirmar a recolha desses itens. Obviamente, existe um incentivo para depositarem o maior número de itens em simultâneo na base, uma vez que sempre que procederem ao depósito dos mesmos estarão a enviar um inimigo para bloquear a base da equipa adversária, impedindo-os assim de fazerem depósitos até derrotarem o inimigo que lá colocaram. Quanto mais itens depositarem de uma só vez, mais forte será o inimigo colocado do outro lado da barricada.

A dada altura, um portal que vos dá acesso ao mapa da equipa adversária abrirá e permitirá que um elemento da vossa equipa possa invadir o território dos adversários e tentar derrotar o máximo de jogadores possíveis para provocar a perda dos itens que tiverem a carregar nesse momento. Obviamente, os vossos oponentes terão a mesma oportunidade de vos causarem semelhante desilusão. Dito isto, após acumularem um número suficiente de itens, o Boss final surgirá no mapa e a batalha final começará.

É neste momento que as invasões ao campo adversário são mais úteis, já que cada jogador derrotado significa o restaurar da saúde do Boss dos adversários, retardando assim o seu progresso. Tive oportunidade de participar em várias partidas ao longo destes últimos dias e pude assistir a recuperações impressionantes, especialmente após um dos Bosses ser ativado, uma vez que é mais fácil derrotar jogadores adversários quando estes estão mais preocupados em derrotar um inimigo todo-poderoso do que em prestar atenção ao invasor que os ataca pela calada. 

Sem surpresas, Gambit será ainda mais entusiasmante se tiverem um grupo de amigos com os quais possam formar equipa e delinear estratégias durante as partidas, mas mesmo jogando com estranhos é possível perceber aquilo que os diferentes membros das equipas vão aprendendo de uma ronda para a outra. Não será certamente por acaso que a vasta maioria das partidas que disputei foram resolvidas numa terceira e decisiva ronda. É um modo onde se aprende com os erros e onde a estratégia é vital.

Destiny 2: Forsaken recoloca novamente Destiny num momento positivo, convidando aqueles que entretanto se afastaram a regressar para mais umas dezenas de horas a disparar sobre os inimigos de sempre – alguns com ligeiras variações novas – até o inevitável esgotar de conteúdo provoque o reaparecimento do cansaço a que a experiência criada pela Bungie parece muito propensa. A campanha é uma melhoria em relação a esforços anteriores, mas continua a saber a pouco, pelo que é o modo Gambit, o novo conteúdo e as melhorias aplicadas ao longos dos últimos meses que mais brilham.

veredito

Tal como The Taken King para Destiny, Forsaken recoloca - pela enésima vez - Destiny 2 no rumo certo e, mais importante que isso, nas boas graças dos seus fiéis jogadores, embora continue limitado pelas bases sob as quais a sua experiência foi construída.
8 Conteúdo novo e revigorado. Gambit é excelente. Campanha é uma oportunidade desperdiçada. Nunca surpreende verdadeiramente.

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Destiny 2: Forsaken

para Google Stadia, PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

31 December 2018