Poder jogar em qualquer lugar é uma funcionalidade fenomenal, nomeadamente numa consola como a Switch. Porém, esta possibilidade tem um mal terrível: uma bateria que se esgota sempre mais depressa do que devia. E é quando estamos entretidos a jogar títulos geniais como Diablo 3 que damos conta da duração da bateria, que podia ser sempre mais extensa do que esta permite. 

A grande obra da Blizzard já está disponível em praticamente todas as principais plataformas, com a Switch a encerrar o número de versões que a produtora precisa para estar junto de todos os jogadores que tenham uma consola doméstica ou, neste caso, híbrida. Contudo, só na Switch é que todas as novas produções, vulgarmente chamadas de port, têm a possibilidade de se tornarem portáteis. Obviamente que esta nova forma de jogar é sempre bem-vinda. Conforme a vida que levam, poder trazer convosco a consola em viagens de transportes públicos ou utilizá-la quando a televisão está ocupada por outras pessoas do lar é uma excelente opção. A própria estrutura do jogo permite que Diablo 3 seja jogado em curtas sessões, quando não há tempo para mais. 

Para este clássico dos RPG de ação, que já conta com meia dúzia de anos no mercado, poder estar na Switch foi necessário cortar na beleza gráfica que ostenta no PC e nas outras consolas. Todavia, a Blizzard prometeu e cumpriu ao manter o jogo com sessenta fotogramas por segundo. Dito isto, é na televisão que há uma maior sobriedade gráfica, visto que no modo portátil ocorrem alguns soluços no desempenho e um grafismo mais ofuscado nas personagens e em alguns efeitos especiais dos golpes e ataques. Porém, jogar a campanha do início ao fim no modo portátil é perfeitamente viável, apesar do único contra ser a apresentação do texto num tamanho de letra mais pequeno, dificultando, em algumas ocasiões, a sua leitura. 

Diablo 3 é um jogo com ciclos de repetição, mas a estrutura da jogabilidade, tal como as mecânicas que a sustentam, impede que o título da Activision Blizzard se torne frustrante a longo prazo. Vocês são um guerreiro que pode assumir uma das sete classes disponíveis e que tem de procurar saber o que aconteceu em New Tristram. Não é muito mais tarde que as engrenagens da narrativa entram em funcionamento para nos colocar no centro da ação na qual temos um papel preponderante na erradicação da força maléfica em vias de emergir, novamente, à superfície da Terra. 

Não pensem que vão ter aqui uma narrativa profunda, pois esta serve a jogabilidade, sem nunca se colocar à frente da nossa vontade de chacinar seres demoníacos e de procurar a peça de equipamento com a qualidade Legendary. O que sobressai na história de Diablo 3 não são as suas linhas do argumento, mas sim a apresentação exímia que a Blizzard já mostrou dominar com cinemáticas incríveis presentes, praticamente, todos os seus jogos. 

O mais difícil, logo no arranque da campanha, é saber que classe é a mais adequada para a nossa forma de jogar. Há sete classes para escolher, as cinco originais e ainda a classe Crusader e Necromancer que foram lançadas posteriormente com as expansões da obra. Indeciso, acabei por optar pela última classe que foi disponibilizada com Rise of the Necromancer, pelo simples facto de parecer afastar-se das classes convencionais, a minha escolha estava pender entre o Necromancer e o Witch Doctor, felizmente não me arrependi com a minha opção. 

A classe Necromancer é bastante flexível e versátil. Se não gostam de atacar à distância e preferem ação mais próxima, podem optar por atacar com a foice em vez dos espiões de osso. Mas o que define esta classe é o rodear de inimigos com os nossos minions. Esta versatilidade estende-se por todas as outras seis classes, por isso vale a pena explorar tudo o que é possível fazer, tudo o que está ao nosso dispor para enfrentar a horda de milhares de criaturas monstruosas. 

Como acontece em quase todos os jogos que são adaptados à Nintendo Switch, há algum conteúdo exclusivo para a consola da casa de Quioto. Podemos transformar a nossa personagem no temível vilão da série Zelda - Ganondorf -, tal como podemos escolher uma galinha como animal de estimação para recolher o ouro espalhado pelos dungeons que vamos fazendo. A maior adaptação, para além de ser possível jogar no modo portátil, é a possibilidade de usar um único Joy-Con para assim ter acesso a um multijogador instantâneo para dois jogadores. 

Jogar com Joy-Con é surpreendentemente funcional, todos os controlos necessários estão ali à distância de uma pressão no botão correto, alguns controlos requerem até pressionar o próprio analogico. Contudo, apesar desta possibilidade, jogar Diablo 3 com um Joy-Con não é propriamente uma atividade ergonómica, sobretudo se a sessão de jogo se alongar por várias horas. O melhor mesmo é entrar no mundo online e escolher um dos vários modos disponíveis, até mesmo para a própria campanha. Não houve uma única vez que tenha passado por alguma falha de ligação, sendo a experiência praticamente tão estável como a jogar a solo. 

No campo técnico, já sublinhei a muito boa adaptação para a Switch apesar desta ser visualmente menos impressionante do que numa, por exemplo, Xbox One X. Mas um dos outros méritos tem de ser o do departamento sonoro, principalmente a vocalização das personagens. Os atores das personagens com uma idade mais avançada conseguem atribuir uma profundidade ao carácter daquele a quem estão a dar voz, o que se torna num aspeto muito impressionante. 

Diablo 3 é exatamente o que se esperava ser na Nintendo Switch. E é mais um daqueles títulos que se pode afirmar ser “perfeito para a Nintendo Switch”. A portabilidade traz um novo fator para podermos adaptar as nossas sessões de jogo à nossa atual situação. Se temos pouco tempo para dedicar a Diablo, então fazemos um ou dois dungeons, se temos tempo de sobra podemos jogar até derrotar um boss ou explorar um mapa a pente fino. 

Se já jogaram a obra-prima da Blizzard, então talvez não seja necessário aventurarem-se outra vez pelas terras desoladas de Diablo. Diablo 3 é um exemplo de como fazer um jogo com grinding que não é aborrecido, seja na campanha ou a completar rifts, Diablo é uma experiência que qualquer jogador deve passar, caso seja um apreciador de RPG de ação como este.