Se estão a ler esta análise, provavelmente têm algum interesse nos videojogos publicados pela Nintendo e saberão, certamente, que 2013 foi o ano do Luigi. Publicitado em vários canais de informação da casa nipónica, foi difícil não terem tomado conhecimento desta iniciativa. Contudo, a promoção do irmão renegado não se quedou pelo ano passado: Dr. Luigi, lançado na Europa a 15 de janeiro, 2014, não perde um segundo a relembrar que Luigi não foi esquecido e descurado pela casa de Mario. E se pensarem bem, não deixa de ser irónico que um dos melhores jogos exclusivos das plataformas idealizadas em Quioto tenha sido protagonizado pelo suspeito do costume: Mario, com Super Mario 3D World.

Pode-se alegar que na Europa - convém não esquecer que Dr. Luigi foi publicado na eShop americana no último dia de 2013 - Dr. Luigi é o primeiro exclusivo a recolher sobre a Nintendo Wii U os holofotes, todavia, não são menos verdadeiras as alegações que reiteram que estamos perante uma continuação de Dr. Mario, mais concretamente Dr. Mario Online Rx, capítulo mais recente, lançado em 2008 para a Nintendo Wii via WiiWare.

Mario parece estar demasiado ocupado a tentar salvar a vida Nintendo Wii, portanto passou o consultório a Luigi, porém, as mecânicas de jogo pouco mudaram. Luigi tem pela frente um manancial de vírus enclausurados em garrafas que tem que eliminar usando comprimidos que são compostos por várias cores. O jogo usa o deslocamento vertical para fazer deslizar as várias formas dos compridos de cima para baixo. Para os eliminar terão que alinhar a cor das cápsulas com as dos vírus e perfazendo uma linha vertical ou horizontal de pelo menos quatro peças eliminam a sua existência. Eliminem a totalidade dos vírus que conspurcam a garrafa - que é também cenário do jogo - e passarão à fase seguinte.

Como seria de esperar, para evitar que a jogabilidade caia precocemente num carrossel que gira à volta da fadiga, a Arika dotou o seu exclusivo Wii U com vários modos. A variante mais embandeirada dá pelo nome de Operation L, porém, está longe de ser o meu modo de eleição. O que o nome desta operação não diz é que ao disponibilizar apenas peças de quatro partes em forma de "L", o ritmo de jogo aumenta consideravelmente pois, conforme é relativamente fácil de perceber, o lado maior da peça é composta por três unidades, ou seja, basta tocar num vírus da mesma cor para o eliminar, perfazendo a já mencionada linha de quatro peças. Não é preciso muito tempo para perceber que isto pode facilmente deixar de ser uma bênção e passar a ser uma maldição. Conforme vão deixando para trás os níveis mais fáceis, a disposição dos vírus vai ficando progressivamente mais complexa, obrigando o jogador a cometer erros. Dado o formato das peças, um erro aqui assume contornos muito mais dramáticos, obrigando o jogador a ter que alterar a estratégia, circundando aquele obstáculo que ficou no meio do cenário do jogo. Errar não é sinónimo de Game Over, contudo, é um empurrão nessa direção.

O modo mais convencional é o Retro Remedy, oferecendo, alegadamente, ao jogador a experiência mais genuína, ou seja, sem adição de variantes e novas fórmulas. Pessoalmente, aconselho a que seja com este modo a vossa estreia em Dr. Luigi. Como na construção de uma casa, comecem pelas suas fundições e posteriormente adicionem as novas mecânicas que a Nintendo utilizou para tentar revitalizar a fórmula que se estreou em 1990 na NES. Convém ainda mencionar que o Retro Remedy e o Operation L podem ser experimentados por até dois jogadores em simultâneo localmente, desde que tenham um acessório que não o GamePad por perto, nomeadamente, um Wii U Pro ou um Wii Remote, ou através de uma ligação à Internet. Antes avançarmos para a variante que me consumiu mais horas de jogo, existe um trio de opções partilhadas pelos modos mencionados, nomeadamente, Classic, Vs. CPU e Flash. Enquanto as duas primeiras são básicas, a opção Flash coloca-vos na mesma contra a inteligência artificial do título, porém, faz com que alguns vírus emitam uma luz intermitente, indicando que são aqueles e apenas aqueles em que devem concentrar os vossos esforços.

Depois de algumas horas a saltitar entre o trio de modos incluídos, foi-me extremamente fácil eleger o Germ Buster como o mais interessante, apelativo e viciante. Aliás, a divisão do meu tempo de estadia em Dr. Luigi foi sempre iniciado e concluído com mais uma sessão de Germ Buster, só mais uma sessão de Germ Buster. Esqueçam os botões de rosto do GamePad, usem-no na vertical - podem alterar para um plano horizontal pressionando um botão - e retirem o estilete do seu descanso, é altura de os conjugar.

Também aqui as peças deslizam do topo do ecrã até ao fundo, porém, agora podem-nas guiar com a vossa Stylus ou tocarem-lhe para que elas mudem de orientação. O que achei mais interessante é que depois de destruírem um vírus podem rapidamente guiar o excedente de peças para um destino mais conveniente. A curva de aprendizagem é extremamente suave, começando com apenas uma peça lançada de cada vez e progredindo para duas e três em simultâneo. Como já mencionei, foi o modo que mais horas consumiu e, possivelmente, o único que me fará regressar a Dr. Luigi. Num momento o ecrã tátil do GamePad é uma acalmia e nos minutos seguintes poderá obrigar-vos a desenharem linhas imaginárias que desafiam todas as leis e caso deixassem um traço, não seria menos caótico que o estado em que um novelo de lã fica depois de um gato brincar com ele durante uma hora.

Quando estiverem cansados de jogarem sozinhos ou na companhia de outro jogador localmente nos dois modos que o suportam, Dr. Luigi estende-vos o convite de umas partidas multijogador online. O primeiro quinteto de tentativas resultaram em erros de rede, deixando-me a pensar que a Nintendo Network estaria novamente em dia não. Contudo, com alguma persistência consegui aceder às opções desta vertente multijogador. As opções não vão reinventar a roda: competir contra jogadores de todo o mundo, ser anfitrião de uma partida contra alguém da vossa lista de amigos, aceder a uma sala criada por um amigo e consultar as tabelas de liderança. A fluidez e cadência das partidas são imaculadas, porém, não existem grandes filtros a aplicar: escolhem um dos dois modos que suportam online - Operation L e Retro Remedy - e uma das variantes - Classic e Flash. Como não há matchmaking, mesmo ocupando o lugar 4955 do Ranking, poderão ter que medir forças contra alguém numa posição consideravelmente superior e com um número de vitórias muito mais avultado. Depois de encontrarem companhia podem escolher a música que pretendem como fundo sonoro à experiência.

Dr. Luigi tem algumas limitações que podem deixar mácula na vossa experiência com o jogo. A grande novidade - o modo Operation L - é divertida e mexe um pouco com as regras do tabuleiro, contudo, depois das cinco partidas iniciais perde fulgor e não teve força suficiente para me deixar viciado em conquistar mais um nível. Ironicamente, isso foi parcialmente conseguido pelas partidas de Germ Buster. Além disso, o preço pedido na eShop europeia é capaz de afastar uma boa falange de jogares. 14,99€ é elevado para aquilo que o jogo oferece e, sobretudo, pela luta que dá aos tempos livres de quem o comprar.