Provavelmente uma das mais prolíferas produtoras da atualidade, a Omega Force continua a comprovar a solidez da base em que assentam as suas experiências, conseguindo aplicá-la a uma multitude de propriedades intelectuais que não fazem da jogabilidade de ação frenética que caracteriza estes títulos a sua casa. O que começou com Dynasty Warriors transformou-se quase no seu próprio género após sucessivos lançamentos que incluem séries como One Piece, The Legend of Zelda, Attack on Titan e também Dragon Quest.

Após o sucesso do primeiro jogo, não é muito surpreendente que o estúdio tenha voltado à carga com uma sequela para a obra baseada numa das mais populares e melhor conhecidas séries RPG da história da indústria. Depois de várias horas passadas a dizimar hordas atrás de hordas de inimigos, percebe-se facilmente que Dragon Quest Heroes 2 faz jus ao nome que apresenta na sua capa, oferecendo uma experiência pejada de elementos saídos da série RPG e juntando-lhe a facilmente reconhecida jogabilidade que torna estes títulos bastante satisfatórios e acessíveis para quem quiser perder algumas horas e obter gratificação imediata.

Imagens Dragon Quest Heroes 2 Analise

Mais do que um clone de Dynasty Warriors, Dragon Quest Heroes 2, tal como o seu antecessor, é uma adaptação cuidada e de resultados extremamente positivos de dois materiais genéticos distintos que são combinados para criar algo capaz de agradar aos fãs de ambas as fações, sem comprometer nenhum dos lados. Apresenta, obviamente, as mesmas valências e pontos negativos que distinguem todos os outros títulos da produtora, pelo que se não são fãs, dificilmente será esta obra que mudará a vossa opinião. Contudo, se gostam do universo e personagens de Dragon Quest e/ou apreciam a jogabilidade musou, têm aqui mais um título que valerá certamente o investimento.

Como sempre, o combate frenético, as arenas recheadas de dezenas de inimigos em simultâneo e os ataques especiais capazes de provocar danos gigantescos e abrir caminho por áreas que antes pareciam intransponíveis ao mesmo que tempo que resultam num verdadeiro festival de cores como consequência da manifestação física dos poderes mágicos das personagens e dos inimigos que vão sendo projetados pelo ar, continuam a ser o melhor elemento de uma experiência que quer que os jogadores se sintam incrivelmente poderosos, como autênticos deuses do campo de batalha capazes de superar qualquer desvantagem numérica e de destruir o mais imponente dos inimigos.

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Combinando um misto de ataques rápidos e ataques mais fortes com os já mencionados feitiços e habilidades, Dragon Quest Heroes 2 consegue sempre manter um ritmo altamente acelerado que é indispensável para retardar ao máximo a instalação da monotonia e repetição que surgem sempre nestas obras após longas sessões de jogo. Independentemente da solidez e da espetacularidade das suas mecânicas, no final de contas, aquilo que estarão a fazer e executar nas primeiras horas de jogo será exatamente o mesmo que farão quando já estiverem com mais de vinte horas no título.

As missões principais e secundárias carecem de uma diversidade capaz de oferecer com frequência algo diferente ao jogador que lhe permita quebrar um pouco rotina. Sim, existem novas habilidades para desbloquear com a subida de nível das personagens, existem diferentes armas que se traduzem em diferentes abordagens aos confrontos, existem inúmeras personagens através das quais podem modificar a composição da vossa party e continuam a poder alternar entre elas durante o combate sempre que quiserem. O problema é que a quase constante ausência de desafio, que fica reservada quase em exclusivo para uma ou outra batalha com um boss, faz com que não exista um real incentivo para essa experimentação. Não deve ser o jogador a procurar formas de não se aborrecer com o jogo, mas sim o jogo a dar-lhe as ferramentas para que isso não aconteça.

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Abraçando os elementos RPG de Dragon Quest, como por exemplo a definição de diferentes Vocations que alteram não só as armas preferenciais dos protagonistas da narrativa, como as habilidades especiais à vossa disposição - embora a mudança implique sempre um reinício a partir do zero da progressão do nível da personagem, algo que poderá levar muitos a ignorar essa possibilidade -, o título premeia o tempo investido pelo jogador através do fortalecimento das personagens e da obtenção de pontos de habilidade para gastar nas vastas árvores de habilidades individuais, fazendo jus ao género em que se insere e transmitindo uma importante sensação constante de progresso.

E esse progresso é absolutamente necessário para manter o jogador ligado à aventura durante largas horas de jogo, uma vez que, tal como o título original, a narrativa de Dragon Quest Heroes 2 é fraca e as personagens que alimentam a trama não conseguem cativar-nos ao ponto de nos deixarem investidos nos eventos que vão sendo apresentados no ecrã. Seguindo a história de dois primos, Lazarel e Teresa - têm de escolher um deles como a vossa personagem principal, ou seja, como membro permanente da party antes de iniciarem a aventura -, o jogo transporta-nos para um novo mundo dividido por reinos que após vários anos de manutenção da paz está prestes a ceder aos pecados da guerra.

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É certo que ambos os protagonistas têm personalidades vincadas e o jogo tenta utilizar o humor para tornar a aventura mais cativante, mas a verdade é que a narrativa não é marcante, seguindo os moldes de dezenas ou até centenas de histórias semelhantes já contadas - de forma mais eficiente, diga-se - em outros títulos do género. Claro que ver regressar algumas das personagens mais populares da série e poder novamente interagir com as mesmas dá um certo charme à obra, mas a sua utilização e tempo de antena é demasiado escassa para terem qualquer tipo de impacto nos momentos narrativos. Se não tiverem qualquer ligação com a série, então nem a presença de nomes como Torneko, Maribel, Ruff, Terry e Carver será suficiente para mitigar uma componente narrativa aquém, que existe apenas para dar contexto à jogabilidade.

Felizmente, nos departamentos de que a obra está mais dependente para o sucesso, esta não desilude. A jogabilidade satisfaz e recompensa com frequência, enquanto que a ação é visualmente espetacular e faz-nos pensar que somos muito melhor do que realmente somos. Como é óbvio, tudo isto assenta num departamento técnico imaculado, com um estilo visual extremamente bonito e recheado de cor que permite uma modelagem notável em 3D e alta definição das personagens e inimigos típicos da série RPG. Por sua vez, a framerate mantém-se sempre estável, mesmo com o frequente caos que preenche o ecrã, e a banda sonora acompanha com sucesso o ritmo frenético dos combates. Não deixará ninguém de queixo caído, mas é uma obra com um grafismo apurado que conserva a identidade de Dragon Quest.

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Em suma, Dragon Quest Heroes 2 é uma boa sequela de um bom título de ação baseado numa excelente série RPG. Não inova, mas aproveita as sólidas fundações da sua fórmula para entregar novamente uma experiência que cativa pela sua jogabilidade e pela constante gratificação que oferece aos que lhe derem a oportunidade para o fazer. A narrativa é desinteressante e também é verdade que a ausência de diversidade das missões levará a que a monotonia acabe por aparecer, mas esses são problemas que apenas se começam a notar muito depois das horas que depositaram na obra terem justificado e validado a vossa compra.