O primeiro grande título do ano a chegar à Nintendo 3DS reafirma a importância da consola neste mercado, sobretudo na entrega de excelentes obras RPG. É por isso curioso que o seu lançamento aconteça num ano em que o futuro da portátil, e da própria casa que a produziu, esteja em jogo após o fracasso comercial da Wii U e da mudança de paradigma com a sua sucessora. Assim, mesmo que adquiram a nova máquina da família Nintendo, o jogo hoje analisado permanecerá como uma excelente adição ao catálogo da portátil.

Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King foi o primeiro título da série a chegar aos Estados Unidos sem ser renomeado para Dragon Warrior, devido à disputa legal para a utilização da nomenclatura que ainda estava em vigor até ao lançamento do oitavo título. Não é por acaso que esta seja, a nível global, uma das entregas da série que mais saudade deixa nos jogadores que a experimentam. Já lá vão mais de dez anos desde o lançamento original na PlayStation 2, há mais de uma década que se consagrou no título da Square Enix o talento, hoje inconfundível, da Level-5.

Imagens Análise Dragon Quest VIII

Tal como em muitos videojogos, é no subtítulo que se encontram sinais do que é que será abordado. Neste caso, Journey of the Cursed King conta com uma narrativa passada em terras de fantasia, onde coloca o jogador como um herói dos eventos recentes que vão dar continuação e motivação à aventura que nos aguarda. Dhoulmagus, o bobo da corte apoderou-se do ceptro real para amaldiçoar o rei e a sua filha. Assim, o rei Trode e a princesa Medea sofreram uma maldição que os transformaram num troll e numa égua, respetivamente. O herói, ou seja, o jogador, um soldado da guarda real, conseguiu escapar a este feitiço e terá assim de tentar devolver as morfologias originais ao seu rei e à sua princesa.

As personagens desta aventura são o que transportaram o título para aquilo que é hoje, a razão pela qual dez anos depois temos uma nova versão para a portátil da casa de Quioto. Depois das minhas várias sessões não me vou esquecer da introdução de certas personagens, nomeadamente de Angelo. Quando cheguei ao bar onde estava esta personagem a tentar vencer um jogo de cartas a um indivíduo com um mau temperamento, sobretudo quando perde no jogo. Yangus, o nosso companheiro de viagem, intromete-se onde não é chamado e uma luta incontrolável começa no bar. O herói, ou seja nós, a personificação do jogador nesta aventura de fantasia, fica incrédulo a olhar para a cena que está a acontecer mesmo à sua frente. Não vejo melhor forma para apresentar um elenco com o qual vamos passar horas e horas em combates por turnos, com muito humor e personalidade.

Imagens Análise Dragon Quest VIII

Os combates por turnos são o pilar do jogo. E nota-se, principalmente, por não cansarem em demasia depois de inúmeros encontros com os inimigos que vagueiam nos vários espaços do jogo. E esta fadiga não se instala graças à variedade disponível para combater, o grande leque de opções de ataque ou a própria aleatoriedade dos inimigos que aparecem, contrariamente ao original Dragon Quest VIII, que tinha combates totalmente aleatórios, tal como quando entramos em caminhos de erva alta em Pokémon. Aqui basta ir ter com os inimigos que vagueiam pelas cavernas, florestas ou em estradas que ligam duas ou mais localidades e inicia-se o combate propriamente dito. 

Porém, se forem ter com um inimigo serão quase sempre surpreendidos com reforços do oponente. Assim, iniciar batalhas quando se precisa de subir o nível para enfrentar um boss que se encontra num local mais distante é algo sempre inesperado. O único controlo com o qual podem contar é o vosso e o da vossa party. Subir um nível também vos oferece uma quantidade aleatória de pontos de habilidade, além do aumento automático da constituição da personagem - Força, Defesa ou Pontos de Saúde. 

Estes pontos podem ser gastos em diversos atributos para melhorar a personagem. No caso de Yangus, este pode acumular pontos em cinco opções: Axes, Clubs, Scythes, Fisticuffs e Humanity. Os quatro primeiros aumentam a afinidade que tem com diversas armas, ou no caso de Fisticuffs para combate pelas próprias mãos. Já Humanity aumenta a possibilidade de se relacionar com membros da equipa dando-lhe diversas habilidades das quais pode tirar proveito. Com a personagem principal, por exemplo, aumentei-lhe a sua aptidão para as Espadas e no primeiro nível já conseguiu adquirir a habilidade Dragon Slash - um ataque bem mais devastador do que a simples opção de ataque. 

Imagens Análise Dragon Quest VIII

O jogador tira mais proveito deste RPG, quanto mais explorar os seus menus. A interface é provavelmente o elemento de jogo que não se adapta tão bem aos tempos modernos, onde cada um deles está repleto de animações e estilo para agradar à vista de quem joga. Esta é uma característica clássica dos videojogos oriundos do Japão, uma clara manobra para se focar no que interessa. A genuína experiência RPG está lá, os menus estão organizados e arrumados de forma a sublinhar a importância da aventura.

Um toque moderno presente neste jogo cheio de elementos tradicionais, mas que não confere nada de importante para o jogo em si, é o modo de fotografia incluído. Este é bastante capaz, com diversas opções para fazer poses, colocar ou retirar membros da vossa aventura ou simplesmente tirarem uma simples fotografia da linda paisagem que estão a percorrer. Apesar de não influenciar em absolutamente nada a experiência Dragon Quest, esta é uma introdução a pensar sobretudo para os jogadores sociais, que adoram exibir ao mundo o que fazem em todos os momentos da sua vida. E este modo tem controlo e personalização suficiente para satisfazer quem utiliza esta opção.

Imagens Análise Dragon Quest VIII

Se já jogaram este título na PlayStation 2, a produtora teve o cuidado de adicionar conteúdo para apelar a essa falange. Há novas cutscenes para descobrir que detalham ainda mais as interessantes personagens que vos acompanham - incluindo dois novos elementos que foram adicionados nesta versão para a Nintendo 3DS. E visto termos uma portátil em mãos, se tivessem de guardar o jogo apenas nos pontos permitidos, o melhor seria mesmo restringir as vossas partidas ao conforto da vossa casa para evitarem perderem horas preciosas de progresso efetuado. Felizmente, a opção Quick Save deixa-vos guardar o jogo onde vocês bem entenderem.

Um dos pontos altos do jogo é a sua excelente Banda Sonora. Trabalhada de forma a estar a par dos momentos mais emotivos do jogo, sejam eles cómicos ou dramáticos, Koichi Sugiyama entrega arranjos orquestrais de tal modo inspirados que são sempre agradáveis de ouvir fora do próprio jogo. 

Imagens Análise Dragon Quest VIII

Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King merece ser jogado por todos que tenham uma consola portátil da casa de Quioto. O futuro da Nintendo 3DS pode ser incerto, mas existe uma certeza inegável que chega no final de janeiro: Journey of the Cursed King é um dos melhores RPG, concebido por uma das melhores produtoras de obras para Nintendo 3DS - a Level-5.