Os jogos de aventura de apontar e clicar, também conhecidos como aventuras gráficas, costumam ter uma de três abordagens diferentes. Podem ser cómicos como o excelente The Secret of Monkey Island, ter um tom mais sério como Gabriel Knight: Sins of the Fathers, ou serem completamente bizarros, porém, sem deixarem de ser cómicos, como Dropsy. Edgar: Bokbok on Boulzac também está incluído na lista onde se encontra Dropsy, Memoranda ou Machinarium.

Edgar é o herói mais improvável deste início de ano. O protagonista desta aventura gráfica é um agricultor que cultiva abóboras e considera-se um marginal da sociedade, por isso prefere viver isolado com a sua única amiga: uma galinha chamada Precious. O jogo abre num dia da pacata vida de Edgar, quando acontece um problema para resolver em relação à sua horta de abóboras.

Afastado da sua zona de conforto, esta desgraça vai levá-lo até Boulzac, a cidade mais próxima, para procurar Razidium, uma substância que faz com que a sua máquina de rega mantenha os parasitas longe das suas queridas abóboras. E nesta jornada, para reparar a máquina de Edgar e fazer com que a sua vida volte à normalidade, vamos encontrar personagens bastante caricatas e cheias de humor nonsense.

Em termos narrativos, a produtora gaulesa La Poule Noire fez um trabalho notável, apesar do jogo ser curto, pois podem acabá-lo entre duas a cinco horas. Obviamente, a história de Edgar: Bokbok in Boulzac não anda só em torno da vida de agricultor da personagem principal. Há ainda espaço para momentos mais sombrios, uma aventura com momentos perigosos e um final que encaixa na personalidade da dupla Edgar e Precious.

Em Boulzac, os jogadores são livres para deambular por onde quiserem, mas a história mantém-se bastante linear. Assim, podem conversar com os os habitantes desta estranha cidade, mas as conversas esgotar-se-ão até que atinjam o objetivo da próxima secção da história. Isto adiciona profundidade narrativa a Boulzac e aos seus habitantes, tornando a cidade mais viva e interativa. Conversar com os residentes ajuda a realçar a sua individualidade e personalidade, pois alguns residentes fazem referência a outros, criando coesão no argumento.

Como mencionei anteriormente, Edgar: Bokbok in Boulzac pode ser terminado entre duas a cinco horas, tudo depende de quanto querem conhecer todas personagens de Boulzac. Toda a gente tem algo a dizer e, por incrível que pareça, há um grande interesse em querer aprofundar esta narrativa. Quanto mais quererem despachar a vossa estadia em Boulzac, pior será a vossa experiência. Um aspecto que reforça este aspeto são as opções de diálogo.

Às vezes, as escolhas dos diálogos não são suficientemente claras para progredir na história, mas se a escolha for um pouco vaga, terão a opção de conversar novamente com a mesma personagem para escolher uma opção diferente. Isto poupa-nos a necessidade de ponderar sobre uma decisão durante muito tempo, se há duas opções e uma não funcionou é porque a outra é que está correta. Contudo, isto é uma faca de dois gumes, porque se por um lado estamos a absorver detalhes de uma história complexa que a enriquece, por outro estamos a ficar confusos com o que a história quer de nós para esta continuar a avançar.

O estilo artístico de Edgar: Bokbok in Boulzac, é algo digno de ser mencionado. O jogo é bonito, o design da globalidade da obra exibe uns traços angulares e muita cor a todos os aspetos do jogo, mas notam-se sobretudo nos modelos das personagens, o que acaba por permitir dar-lhes traços de personalidade muito vincados. O jogo tem também um ciclo noturno e diurno e mudanças no clima. Assim, estamos de acordo com os sentimentos que o jogo quer transmitir ao jogador.

Se estão à procura de um título um pouco diferente do que se encontra no mercado e original, então Edgar: o Bokbok em Boulzac é definitivamente uma escolha a ter em conta. A sua curta duração permite evitar que o jogo se torne desgastante, visto que não passam horas e horas à procura de uma pista ou de encontrar sentido para fazer avançar a narrativa. É uma boa aposta na Switch, principalmente para quem gosta de jogos point’n’click.