Pedro Marques dos Santos por - Sep 20, 2019

eFootball PES 2020 – Análise

O arranque da nova temporada futebolística é sempre sinónimo da chegada ao mercado das novas iterações dos dois simuladores de futebol que competem de forma acesa pela atenção dos aficionados do desporto rei. Apesar dos altos e baixos das duas séries durante o seu longo historial, a verdade é que a rivalidade atual entre FIFA e Pro Evolution Soccer parece reduzida a um confronto entre David e Golias. De um lado, um colosso suportado por um orçamento milionário, do outro o rival de sempre com menor poderio financeiro, mas que se mantém relevante graças a uma fervorosa massa adepta.

Desde há alguns anos a esta parte que a ação dentro das quatro linhas das obras da Konami reúne um maior consenso junto da comunidade, mesmo tendo em conta os gostos pessoais que podem levar alguns a preferirem a simulação oferecida pela série da EA Sports. Enquanto PES vai aprimorando uma fórmula de qualidade, FIFA anda várias vezes às turras com os seus jogadores em busca de reencontrar o equilíbrio frequentemente perdido com a introdução de novas mecânicas e o virar do foco para um determinado elemento das partidas, seja o seu aspeto defensivo ou a vertente ofensiva.

Com eFootball PES 2020, a série altera a sua nomenclatura, mas preserva tudo aquilo que faz de si um sucesso junto do seus fiéis seguidores, bem como todas as deficiências que o deixam invariavelmente atrás do rival. O mesmo é dizer que no relvado temos uma experiência futebolística de enorme qualidade e que fora dele temos um leque de modos antiquados e que tardam em se reinventar ou inovar. No fundo, o novo título volta a não saber responder às suas maiores necessidades e fica completamente dependente do espetáculo proporcionado pelo seu futebol.

E a verdade é que esse espetáculo continua a ser extremamente recompensador e o principal motivo porque, ano após ano, os jogos da Konami permanecem ofertas bastante recomendáveis. PES 2020 não reinventa a roda, nem precisava de o fazer. As bases que sustentam a sua experiência de jogo já demonstraram ser sólidas e eficientes. Acima de tudo, cada iteração é uma oportunidade para aprimorar um pouco mais essas fundações, de aperfeiçoar o que está bom, mas pode ser melhor, de corrigir o que funciona menos bem e, sobretudo, de tornar a simulação futebolística cada vez mais rica e satisfatória.

Por isso mesmo cada vez mais estes lançamentos anuais ficam remetidos para os detalhes, pequenos reparos numa máquina bem oleada que apenas dá nas vistas quando algo não funciona. Mas mesmo nas escassas ocasiões em que tal se verifica, o brilhantismo dos restantes momentos é o que fica na memória. Aqui o futebol continua metódico, a desconstrução das defesas adversárias com passes rápidos e precisos permanece um quebra-cabeças desafiante e a materialização da jogada trabalhada em golo volta a proporcionar uma sensação de êxtase difícil de replicar.

Dito isto, há que enaltecer a fluidez com que as partidas decorrem. Até quando as partidas se disputam mais a meio-campo do que nas proximidades da área, há uma sensação de urgência e importância em cada ação, como que se a qualquer momento possa surgir a brecha que fará pender a balança para um dos lados. Ajuda, claro está, que a qualidade das animações (existentes e as que são agora novidade) dos jogadores para proporcionar diferentes abordagens ao esférico e um sempre importante maior realismo em todas as ações levadas à cabo dentro das quatro linhas.

Ironicamente, embora as novas animações nos permitam ver jogadores a intercetar bolas de formas que antes não eram possíveis, a inteligência artificial dos nossos colegas de equipa parece algumas vezes desligar-se do que se passa em seu redor, não sendo raro vê-los deixar passar bolas perfeitamente ao alcance de serem intercetadas sem qualquer esboço de reação. Não acontece com uma frequência suficiente para ser um problema sério, mas pode muitas vezes significar o conceder de uma oportunidade clara de golo ao adversário, o que se pode tornar especialmente frustrante em partidas online.

Pequenos problemas como a persistência dos jogadores em perseguir bolas até às linhas laterais e finais, cedendo lançamentos e cantos perfeitamente escusados, a pouca fiabilidade dos guarda-redes, os remates em arco em situações de um contra um que dão quase sempre golo, continuam por resolver, mas não minam de forma notória a experiência. Experiência essa que é enaltecida pelas melhorias ao nível da física da bola de jogo que se comporta agora de forma mais realista e imprevisível nos ressaltos, havendo também uma maior incerteza na eficácia do remate e do passe consoante a postura e a velocidade do jogador no momento do contacto com o esférico.

Essencialmente, isto significa que há mais remates descontrolados e receções de bola falhadas, ou seja, existe a adição de uma maior camada de imprevisibilidade em todas as interações, tornando-se imperioso conseguir o melhor timing possível em cada uma das ações. Ao nível da jogabilidade, a novidade de maior relevo passa pelo Finess Dribbling que permite mudanças súbitas de direção e tem como principal propósito permitir aos mais habilidosos ludibriar os adversários e retirar algum do poderio físico e velocidade às partidas. 

É uma mecânica de domínio díficil e que por isso não resulta na totalidade. Ainda que seja extremamente encorajador quando conseguimos tirar o marcador direto da jogada com um drible curto para depois arrancarmos para a área adversária, a verdade é que o poderio físico continua a limitar e muito um melhor aproveitamento de jogadores como Shoya Nakajima do Futebol Clube do Porto, isto é, jogadores que são facilmente anulados em duelos físicos e que não são propriamente velocistas. Quando resulta é excelente, mas não resulta vezes suficientes.

No que diz respeito à oferta ao nível dos modos de jogo, eFootball PES 2020 traz poucas novidades. Match Day divide a comunidade em representação de diferentes clubes com base em jogos que ocorram nessa semana envolvendo rivalidades históricas. É uma iniciativa interessante, mas sem impacto de maior no funcionamento normal da obra. Os restantes modos online continuam presentes e afetados por problemas de matchmaking que se tornam difíceis de justificar quando o próprio nome do jogo coloca ênfase nesta componente.

Rumo ao Estrelato permanece inalterado em relação a iterações anteriores, enquanto o modo myClub continua a tentar – e a falhar – replicar o sucesso do modo Ultimate Team de FIFA. O facto do processo de construir uma equipa repleta de jogadores de elite ser um processo bem mais rápido do que seria desejável não ajuda muito à longevidade do mesmo. Finalmente, a Master League traz um maior foco para as suas cinemáticas e pequenos arcos narrativos baseados nos momentos que vão vivendo ao longo da temporada. Há também as habituais promessas de maior realismo no mercado de transferências, se bem que ver Fernando (ex-FC Porto) ser contratado pelo Real Madrid acaba por não dar grande força a essa ideia.

Relativamente à fidelidade gráfica, PES 2020 continua a impressionar graças a uma modelagem notável dos principais craques do desporto, sobretudo daqueles com os quais a obra estabeleceu parcerias para esta edição e onde se incluem Juventus, Bayern Munique e Manchester United. Ainda assim, as animações faciais deixam bastante a desejar, algo que se torna notório nas cinemáticas da Master League. A banda sonora continua a ser competente, mas faz pouco para lhe conferir uma identidade própria.

Assim sendo, eFootball PES 2020 afirma-se como mais um capítulo sólido na série que volta a ter no futebol praticado dentro das quatro linhas o seu principal ponto de interesse. É por isso uma pena que uma experiência de simulação de futebol deste nível continue a não se fazer acompanhar por um conjunto de modos de jogo capazes de lhe injetar mais vida.

veredito

eFootball PES 2020 mantém o brilhantismo recente da série dentro das quatro linhas, apesar de alguns erros não forçados. No pacote que rodeia a ação, a evolução e novidades continuam a escassear.
8 Fluidez de jogo formidável. Físicas da bola excelentes acompanhadas por animações de qualidade. Ligeiras imperfeições ao nível da jogabilidade. Modos de jogo sem novidades de peso.

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eFootball PES 2020

para PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

10 September 2019