por - Jan 22, 2015

Elegy for a Dead World Análise

Se pedirem a alguém para escrever, o mais comum é que escrevam um olá, ou outra palavra não muito exigente. Pode haver os que escrevem algo mais, mas nunca ninguém escreve uma história completa. Não porque somos seres pouco criativos, mas porque na maior parte das vezes precisamos mais do que “Escreve algo” como ponto de partida. Para começar temos de ter um tema, uma ideia, algo que nos faça imaginar a história a desenrolar. E depois, com mais ou menos mestria, contamos uma história.

Elegy For a Dead World tenta incitar os jogadores a fazer exactamente este exercício, e facilita o processo criativo como nenhuma outra ferramenta de escrita. É um jogo completamente diferente, que por muitos nem será considerado um jogo. Mas, ao mesmo tempo, é uma experiência que enriquece o mundo dos jogos tão saturado, tão cheio de clones. É uma ode à arte de escrever, que muito subtilmente mostra como o bom design de um jogo pode partir da ideia mais simples.

Desde o princípio do jogo que somos largados no mundo, quase sem instruções, e temos de explorar. A ideia é que os mundos, inspirados em escritores do século 18, estabeleçam o tema para a história que queremos contar. Se este mundo aberto à exploração intimidar o jogador, aqui sim, o título dispensa alguma ajuda e fornece 3 opções para começarmos a criar a nossa própria história. Podemos completar palavras numa história que já está criada, ou podemos escolher o nosso caminho e dentro do cenário oferecido criar uma história completamente desconexa.

Nesta jogabilidade, que poderá ser considerada limitada, o jogador só pode movimentar-se e escrever, mas mesmo assim há algo de muito especial em Elegy for a Dead World: cada pessoa terá uma percepção diferente de cada um dos mundos, a interpretação do que realmente se passou ali torna tudo mais cativante. A beleza dos panos de fundo de cada nível é impressionante e, apesar de tecnicamente não ser nenhum salto de gigante, Elegy fica na memória.

Igualmente prazeroso é o trabalho de som que o jogo revela. Dos exteriores onde só os ventos e o ocasional obelisco com som sinistro nos acompanham, aos interiores que nos deixam inquietos por ouvirmos tão nitidamente os nossos passos. Tudo está feito com uma enorme atenção aos detalhes, tal como as autênticas pinturas que preenchem os fundos do jogo.

Mesmo assim, é um jogo que pela escassez de mundos, de panos de fundo diferentes, direciona a escrita no sentido que os criadores acharam apropriado. Isto não quer dizer que não se possa escrever uma história sobre hambúrgueres num deserto desolado, mas a maneira como as histórias são publicadas acaba por tirar sentido a uma história escrita livremente.

No geral, Elegy for a Dead World deve ser considerado como uma experiência, que para uns correrá mal, para outros será a melhor desde há muito tempo. É um jogo que requer sensibilidade e uma entrega maior por parte do jogador. Aqui somos levados a escrever, a criar a história ao invés de a ouvirmos de outras personagens. Para quem entrar no papel do explorador sozinho nos mundos de Byron, Keates e Shelley, a viagem será recompensadora.

veredito

Elegy for a Dead World é uma lufada de ar fresco que merece um lugar especial no mundo dos videojogos.
8 Possibilidade de ler histórias de outros jogadores. Mundo lindíssimo. Excelente banda sonora. Pouco para explorar.

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Elegy for a Dead World

para
Elegy for a Dead World

A game about writing in desolate planets.

Lançado originalmente:

28 September 2021