Captando a atenção do jogador praticamente desde o primeiro minuto, ELOH, o novo jogo publicado pela Broken Rules, produtora que saltou para as luzes da ribalta com Old Man’s Journey, é um refrescar do panorama dos títulos de puzzles nos dispositivos Android e iOS, ficando sobretudo aquém no departamento da longevidade.

Optando por não brilhar forte em apenas um único departamento e fazer disso bandeira, ELOH afirma-se pela maneira inteligente com que combina vários dos seus componentes, especialmente a jogabilidade com a música e um charmoso departamento gráfico. Como não contamos com a pressão de um relógio, há tempo para testar e falhar, para relaxar e desfrutar deste carburar dos processos.

Começando pela jogabilidade do título, durante a maior parte da vossa estadia terão que fazer chegar notas musicais em forma de pequenas esferas desde as colunas até um determinado objetivo. Obviamente, pelo caminho terão variados obstáculos que servem sobretudo para as fazer ressaltar, dificultando o percurso e obrigando os jogadores a repensar a trajetória traçada.

A maior parte da obra assenta em duas variáveis de esferas, laranja e fúcsia - ainda que na reta final seja introduzida uma terceira cor. Embora alguns dos pontos de ressalto sejam fixos no cenário, a parte desafiante está sem grande surpresa nos objetos com os quais é possível haver interação por parte do jogador.

A produtora foi inteligente na forma como a progressão é feita, ou seja, na prática contamos com a introdução de novas mecânicas periodicamente, o que evita uma estagnação precoce da jogabilidade. Em termos sucintos, os blocos podem mover-se entre lugares assinalados nos cenários, porém, há também máscaras que alteram as cores das esferas, assim como blocos que podem ser apenas deslizados, entre outras condicionantes do percurso.

Algumas dessas condicionantes a ter em conta são, por exemplo, barras que podem ser também elas um ressalto ou passíveis de serem transpostas, dependendo da cor da esfera no momento do contacto. Antes de cair o pano, contudo, há ainda uma nova condicionante bastante interessante: uma espécie de buraco negro que faz as esferas desaparecer num ponto e aparecer noutro ponto do cenário.

Ainda que ELOH não seja um videojogo de ritmo, as notas só podem chegar ao destino da cor coordenada. Ou seja, uma esfera alaranjada não é válida se o percurso a levar até ao destino fúcsia. Na teoria pode parecer que estas mecânicas são demasiadas complicações, todavia, na prática as mesmas são apresentadas ao jogador de forma gradual e facilmente são assimiladas e distinguidas pela massa cinzenta de cada um.

Outro pormenor interessante está relacionado com a própria deslocação das esferas, pois estes objetos rolantes deixam um pequeno rasto de luz enquanto fazem o percurso. Isto dá à obra um bailado luminoso que parece recompensar visualmente a nossa progressão, pois com o passar do tempo os cenários vão ficando cada vez mais complicados e, consequentemente, há mais ressaltos e a dança visual ganha mais complexidade e de igual forma fascínio.

Infelizmente, nem tudo são boas notícias. ELOH conta com mais de oitenta níveis para serem concluídos, porém, a longevidade fica aquém. É um jogo que o que faz, faz muito bem, mas fica a clara sensação que cada novidade apresentada poderia ter sido mais explorada. Nota-se um controlo apertado para que o jogo não se torne demasiado complexo e frustrante, mas falta o meio termo: estes processos poderiam ter sido mais amadurecidos sem complicar até estragar a atmosfera.

Pelo caminho que faz em ELOH, o jogador sente também que as tentativas falhadas o fazem progredir e ele próprio amadurecer, progredindo dentro de cada nível. Há quase sempre o aproximar da solução, ajustando mais um objeto e mais uma trajetória até que o nível seja conquistado. Este caminho lógico por entre o aspecto musical da obra é um trunfo que a produtora aplica com uma temporização impecável.

Como estamos a falar de uma obra sem texto ou vocalização, a dedução e a diversão são feitas e provocadas através do design dos níveis, um design inteligente que faz o jogador sentir-se como tal. No grafismo, as texturas servem sobretudo de pano de fundo, porém, o desenho das várias criaturas - espíritos bons, segundo a Broken Rules - com que vamos interagindo dão à obra o tal carisma e um charme próprio, o que atesta o excelente trabalho do artista Lip Comarella.

Há alguns trechos animados que vão servindo como divisórias entre a cadência da progressão pelos níveis e também para enaltecer ainda mais os visuais pintados à mão com uma nova dimensão. E é um grafismo que anda de mão dada com a excelente sonoplastia. Graças ao talento de SCNTFC, a banda sonora reage à jogabilidade - o ressaltar das esferas acentua os sons. Aliás, temos um papel tão ativo na forma como interage com a sonoplastia, que a produtora credita a banda sonora a SCNTFC e ao próprio jogador.

Assim, ELOH conquista desde o início e não mais larga a atenção e a curiosidade do jogador até os créditos finais. Infelizmente, para tal acontecer não é preciso muito tempo, uma vez que estamos a falar de uma obra que pode ser terminada num fim de semana. A jogabilidade equilibrada e otimizada para os ecrãs táteis alimenta os departamentos técnicos, onde grafismo e sonoplastia se complementam.