Filipe Urriça por - Jan 16, 2015

Farming Simulator 15 Análise

Quando, num determinado título, me sinto perdido mesmo depois de ter concluído a fase de introdução às suas mecânicas, é porque algo foi mal pensado pela produtora – ou, claro, posso ter estado desatento e ter percebido mal o tutorial. Neste caso concreto, em Farming Simulator 15, tentei aprender as várias tarefas, passo a passo, para fazer crescer as plantações de cereais nos meus campos de vastos hectares, utilizando tratores e as suas ferramentas complementares. Foi um processo penoso e insuficiente para me preparar para a minha carreira de agricultor, ou melhor, de condutor de máquinas agrícolas.

A Giants Software elaborou esta obra com um evidente foco na condução de veículos, marginalizando outras atividades, ou reduzindo-as a pequenas desculpas para poderem estampar o título “Farming Simulator”, em vez de “Tractor Simulator” – compreende-se que não teria o mesmo apelo. Ainda assim, a curva de aprendizagem é bastante íngreme. E nem mesmo a nova função de lenhador é explicada no tutorial inicial.

Muita da informação necessária para fazer o vosso negócio florescer estará escondida em pontos azuis com um ponto de interrogação ou nas cabines telefónicas que vos providenciarão alguns resumos em texto com o que a produtora achou ser essencial para entenderem o que vos falta compreender. Imaginem se tivessem que ler tudo o que teriam de fazer em todos os jogos que possuem: um extenuante aborrecimento antes do jogo propriamente dito.

Tive à escolha os campos florestais de uma região nórdica ou praticar uma das mais árduas profissões numa quinta em solo norte-americano. Escolhi o mais óbvio, a paisagem verdejante do Norte da Europa, até porque esta é o que me foi aconselhado para os novatos. Comecei por onde tinha deixado o tutorial e dei continuação ao meu trabalho.

Uma coisa é certa, a Giants Software impôs um tom relaxante a Farming Simulator 15 – com a ausência de música, os motores a gasóleo a roncar bem alto nos auscultadores e com o chilrear ocasional dos pássaros dei por mim a lavrar campos e a ceifar trigo sem dar pela passagem do tempo.

Porém, é nos tempos mortos, numa fase onde ainda não temos que gerir um império e apenas temos dois ou três campos ao nosso dispor, que temos que esperar que a natureza cumpra o seu papel e faça crescer as nossas plantações, algo que poderá aborrecer alguns jogadores enquanto procuram mais atividades.

É certo que podemos ter uma criação animais – como galinhas, ovelhas e vacas -, ou ingressar numa vida de lenhador de motosserra em riste, no entanto não são tarefas que são esclarecidas de forma a que as executemos como se tivéssemos o volante à nossa frente abstraídos do mundo ao nosso redor.

Ao contrário dos tutoriais introdutórios, a aplicação do dinheiro que vamos amealhando é bastante óbvia. Vão poder comprar mais campos, ceifeiras mais largas, tratores mais competentes no trabalho que lhes é dado e novas máquinas para darem um impulso às vossas finanças.

Terão também a possibilidade de contratar funcionários para controlarem os vossos tratores – pois nem toda a gente terá a paciência de lavrar campos de dimensões generosas enquanto têm outras tarefas pendentes. Mas infelizmente, a Inteligência Artificial é equivalente à de um funcionário desmotivado que não quer dar produtividade à empresa.

Por exemplo, se derem o volante a um trabalhador e tiverem o azar de se terem esquecido de um trator junto ao campo a ser lavrado, quando este chegar próximo do veículo para o trator até que o espaço destinado às suas manobras seja desimpedido. Se se esquecerem deste pormenor, o contador do vosso dinheiro continuará a descer mesmo que o empregado contratado não esteja a andar com o trator, estando à vossa espera para estacionarem a máquina que está a ocupar o seu espaço num outro lugar.

Os detalhes dos tratores estão muito bem conseguidos, desde a estrutura às caraterísticas próprias dos seus pneus, seguindo à risca os modelos de marcas bem conhecidas, como a New Holland ou a Lamborghini. Porém, estranhei a ausência das famosas construtoras John Deere ou Fendt. Mas no que toca a pormenores gráficos foi por aqui que se ficou a produtora helvética. O restante ficou com texturas bastante estranhas: temos exemplos de vegetação achatada ou de cores deslavadas nos edifícios e em certas áreas do mapa.

Depois de experimentar a última iteração da linha da Giants Software não fiquei convencido com aquilo que oferece. Creio que este é dos títulos que não deixará os jogadores com uma opinião a meio-termo: ou se adora e joga obsessivamente, ou se detesta pelo pleno aborrecimento que poderá provocar ou pela curva de aprendizagem bastante acentuada.

veredito

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Farming Simulator 15

para PC, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360, Xbox One

It’s back – and it’s on next-gen.

Lançado originalmente:

19 May 2015