Depois de largos anos a entreter os entusiastas da agricultura nos seus computadores com um competente simulador da vida agrícola, Farming Simulator chega agora à portátil da Sony, a PlayStation Vita, com o intuito de oferecer uma experiência que fosse o mais semelhante possível à encontrada nas versões PC dos títulos da série, mas com uma enorme vantagem: o facto de poder ser desfrutada em qualquer lugar e em qualquer momento.

Aliás, diga-se em bom da verdade, que este é sem dúvida o único aspeto em que a versão portátil supera as restantes versões, uma vez que estamos perante um jogo bastante mais limitado em relação às principais versões de Farming Simulator. Ainda assim, a questão que se impõe é se este é de facto um título que merece o vosso tempo e atenção ou se pelo contrário é apenas um jogo para quem se interessa por esta área do quotidiano.

Tal como já devem ter percebido, quer seja pelo título do jogo ou simplesmente porque já ouviram falar da série, Farming Simulator oferece aos jogadores a possibilidade de organizarem e controlarem os seus próprios campos agrícolas, ou seja, de poderem experienciar em primeira mão a vida de um agricultor que sobrevive a partir das suas próprias culturas, seja para satisfazer as suas necessidades ou simplesmente para obter algum rendimento monetário. Como é óbvio, neste título o agricultor é o jogador e cabe a si fazer a gestão mais adequada e mais eficaz para fazer deste estilo de vida algo para o qual valha de facto a pena todo o trabalho árduo. Tragicamente, isso não é conseguido e acabamos por nos deparar com uma experiência que será completamente aborrecida para uma grande maioria dos jogadores.

Farming Simulator 2

Durante a vossa experiência neste título da Giants Software, o jogador passará grande parte do seu tempo em volta dos seus campos agrícolas, sendo que o aproveitamento dos recursos dos mesmos é feito através três fases: semear o produto que pretendem obter, milho, palha ou colza, cultivar o campo para que as colheitas se desenvolvam da melhor maneira possível, e por último a colheita propriamente dita. Todos os passos são igualmente importantes para uma exploração sustentável dos campos agrícolas, mas acabam por traduzir-se em algo repetitivo e que não provoca qualquer tipo de empolgo. É de salientar, no entanto, um ciclo dia e noite dinâmico que confere um maior realismo ao título, uma vez que obriga o jogador a estar atento à passagem do tempo para garantir que as suas plantações são colhidas no momento exato para tal.

Como qualquer simulador com elementos de estratégia que se prece, Farming Simulator faz girar toda a sua jogabilidade em volta da economia, uma vez que o objetivo é produzir colheitas para as vender em troco de dinheiro para de seguida o gastar em novos campos de produção e novas maquinarias que permitirão produzir mais colheita e, consequentemente, obter mais dinheiro, estabelecendo-se assim um ciclo vicioso que estará sempre presente durante toda a experiência. Tal como em tudo na vida, o dinheiro é essencial se queremos chegar a algum lado e este simulador não é exceção já que para podermos produzir ao máximo é necessário investir bastante em melhor maquinaria e maiores campos agrícolas. Existem também alguns pormenores aos quais é necessário prestar atenção como o gasóleo das nossas máquinas e sobretudo as constantes alterações nas tabelas de preços dos pontos de venda do jogo. Para conseguirem um melhor lucro com as vossas colheitas é imperativo deslocarem-se até ao ponto de venda que vos oferece mais dinheiro pelo produto que têm para vender.

Um dos maiores problemas deste título é o facto de se verificar uma ausência quase total de qualquer tipo de tutoriais. O jogo parte do pressuposto de que quem o joga já está familiarizado com as suas mecânicas e que por isso não deverá encontrar qualquer tipo de dificuldades em embarcar nesta experiência. Mas o que acontece é que os jogadores novos à série vão-se sentir completamente perdidos durante as primeiras horas, sem saber muito bem o que fazer. O título limita-se a descrever o que temos de fazer sem nunca se preocupar em nos explicar como o fazer. Este aspeto por si só poderá fazer com que muitos jogadores acabem por desistir deste jogo, uma vez que se verifica um enorme sentimento de impotência perante aquilo que nos é apresentado.

Farming Simulator 3

No que diz respeito aos controlos de condução, Farming Simulator é mais do que competente, apesar de estes serem muitos simples e até um pouco rudimentares. Ainda assim, há que salientar a existência de uma opção de piloto automático que permite ao jogador fazer outras coisas enquanto as suas máquinas trabalham os campos agrícolas. No entanto, isto também significa que durante as primeiras horas de jogo os jogadores terão ultrapassar longos momentos mortos em que estarão limitados a ver as máquinas a trabalhar. Talvez para tentar minimizar esses mesmos momentos mortos, o título conta também com ocasionais missões secundárias de ajuda a outros aldeões, mas que consistem sempre no mesmo conceito: deslocarmo-nos até determinado local e recolher o objeto, recebendo em troca dinheiro.

Em termos gráficos, Farming Simulator está longe de ser um título bonito de observar, mas isso está longe de constituir um aspecto importante neste género de experiência. No departamente sonoro, o título volta a deixar um pouco a desejar com uma banda sonora bastante repetitiva.

Em jeito de conclusão, Farming Simulator é um simulador com elementos de estratégia que deixa bastante a desejar, não procurando trazer nada de novo e que mereça verdadeiramente a atenção do jogador comum. Acredito que para jogadores já familiarizados com a série, este título deverá ser capaz de os manter interessados durante algum tempo. No entanto, para novos jogadores este jogo não oferece nada de apelativo. Farming Simulator é um título que passará despercebido a muitas pessoas e compreende-se perfeitamente porquê.