FEZ é um jogo fabuloso que, infelizmente, nunca receberá a sequela que foi anunciada um ano após o lançamento do jogo de Phil Fish na Xbox 360. Jogar hoje esta pérola, lançada no boom dos jogos indie, não é tão especial como foi em 2012. Há outros jogos que se inspiraram em FEZ e replicaram bem a mecânica de rodar cenários, nomeadamente Monument Valley. Contudo, continua a ser um jogo obrigatório para quem gosta de puzzles e de plataformas. 

Se não contarmos os telemóveis da Apple como consolas portáteis, então a Nintendo Switch é a segunda consola portátil onde a obra de Phil Fish é lançada e a primeira vez que chega a uma plataforma da Nintendo. A Blitworks fez um excelente trabalho a adaptar a experiência de 2012, na consola da casa de Quioto, embora mantenha a minha convicção que foi pena a teimosia de Fish ter barrado uma eventual adaptação de FEZ à 3DS. 

Controlam uma pequena personagem branca, Gomez, com um chapéu vermelho, o tal fez hat, que tem de descobrir e recolher pequenos cubos amarelos. O mundo de Gomez está a desmoronar, há erros típicos de um software ou de um videojogo, com glitches espalhados por toda a parte. Gomez está assim incumbido de salvar o seu mundo, cubo a cubo, porque estes são, literalmente, a chave para salvação de Gomez e dos seus amigos. 

O mundo de FEZ é bidimensional, mas vocês são o agente que confere a tridimensionalidade ao jogo, porque esta é a grande mecânica nevrálgica da obra de Phil Fish. O jogador tem o poder de rodar o cenário e assim com os gatilhos dos Joy-Con desvendam o que se escondia a noventa graus do sítio onde estavam. 

Rodam outra vez e ficam a cento e oitenta graus e rodar uma terceira vez coloca-vos a duzentos e setenta graus do sítio original. Se rodarem mais uma vez completam um ângulo giro e voltam ao mesmo local. É simples e muito intuitivo; a genialidade desta mecânica esconde os puzzles que são necessários resolver para encontrar os cubos. 

Os puzzles de FEZ, que são necessários para completar o jogo a cem porcento, exigem um pensamento lógico, basta usar alguma dedução depois de uma análise rápida às diferentes situações que encontramos. Não é fácil completar tudo e o jogo exige que regressemos a alguns níveis anteriores, contudo, se isto não for desafio suficiente, experimentem ir para além dos cem porcento com o New Game Plus. Aí já terão de tentar decifrar um alfabeto próprio do mundo do jogo, por vezes nem isso será suficiente e terão de passar por aquilo que se chama de pensamento lateral ou criativo. 

FEZ é um jogo que acerta em cheio na exploração, a mecânica de rodar o cenário sublinha este facto. Se explorarem são presenteados com inúmeras pistas sobre os segredos escondidos do mundo de FEZ. Há toda uma lógica para descobrir, como o próprio alfabeto da linguagem de Gomez, que já mencionei anteriormente. 

Invistam no jogo e o jogo, em troca, investe em vocês. Há uma narrativa para descobrir, detalhes para vislumbrar que enriquecem a história de FEZ, assim como muitos puzzles que têm uma lógica própria do local onde se encontram. E o jogo não vos leva pela mão em nenhuma circunstância, se conseguem resolver os quebra-cabeças, é a progressão natural do jogo a funcionar. Assim, sentem-se inteligentes por serem capazes de ultrapassar qualquer desafio graças à vossa capacidade dedutiva e não pelo jogo vos ter dito diretamente como contornar as dificuldades que vos são apresentadas. 

Este título, com quase uma década, continua a ser um dos mais belos jogos com a técnica pixel art que já joguei. A própria mecânica que altera a nossa perspetiva complementa a beleza de FEZ, que nos revela paisagens lindíssimas e construções intrincadas repletas de pormenores. Os puzzles também têm o seu charme, nomeadamente aqueles que estão escondidos no cenário, porque conjugam-se muito bem com os elementos que estão à sua volta. 

A obra-prima de Phil Fish não vem acrescentar nada de novo na consola híbrida da casa de Quioto. É apenas uma nova versão do jogo, o que é bom porque agora os jogadores fãs da marca japonesa podem experimentar uma das melhores obras independentes que acompanhou a explosão da cena independente fomentada pelo extinto programa Xbox LIVE Arcade. 

Se gostam da injeção de nostalgia que títulos como este fornecem, então vão certamente apreciar também uma boa música chiptune. Disasterpeace assina a banda sonora de FEZ com excelentes arranjos musicais que vos vão acompanhar na aventura de Gomez. Desde de 2012 que o álbum de FEZ ainda é um dos que mais ouço no Spotify. 

Portanto, por todas estas razões é um dos jogos da Nintendo eShop que mais facilmente consigo recomendar. FEZ não é um mero jogo de plataformas com uma vulgar mecânica que se usa vezes sem conta, é uma obra que aparece pontualmente nesta indústria e que nos faz recordar o porquê de gostarmos deste meio. Caso nunca o tenham jogado, comprem-no e de certeza que não vão encontrar grandes motivos para não o desfrutar. Se ficaram sensibilizados com as declarações de Phil Fish, tentem ignorar o que foi dito por este autor, porque FEZ é único.