O futebol é o desporto rei em vários pontos do globo e isso deve-se muito à sua capacidade de unir multidões, compostas por elementos que de outra forma pouco ou nada teriam em comum, a remar em direção a um único objetivo: a vitória da sua equipa. Dominados pelas emoções, os adeptos fervorosos sofrem nas bancadas, em frente ao televisor ou através do relato na rádio quando vêem o sucesso do seu clube ou seleção esbarrar no ferro da baliza adversária.

Mesmo os mais desinteressados no desporto não conseguem evitar ser imbuídos no espírito patriota que envolve a nação sempre que uma competição de seleções se inicia. Não são apenas os golos espetaculares e as fintas que trocam os olhos aos defesas, e certamente também não é componente tática do jogo, que faz com que os adeptos regressem todos os fins de semana para mais 90 minutos de sofrimento e/ou alegria. Emoção é a componente essencial de qualquer desporto.

FIFA 15, a nova entrada da série de simulação da Electronic Arts, percebe isso e tira partido do poder da nova geração para tentar recriar a emoção de uma verdadeira partida de futebol. Na verdade, esse foi, desde o anúncio, o principal objetivo que os produtores pretendiam atingir com a obra, o que já deixava antever aquilo que agora se pode verificar no produto final, ou seja, a implementação de novidades na jogabilidade e nos seus vários modos de jogo ficou claramente para segundo plano.

Seguindo o caminho iniciado no seu antecessor, o novo jogo dá um enorme ênfase à apresentação das partidas. Pormenores como os guarda-redes pedirem a bola ao apanha-bolas antes de baterem o pontapé de baliza e aproveitar momentos de paragem no jogo, por exemplo a marcação de uma falta, para recuperar, em forma de repetição, golos e oportunidades flagrantes revelam o compromisso da produtora em aproximar ao máximo os embates dentro das quatro linhas ao desporto real.

Essa aproximação é conseguida sobretudo através de uma apresentação fenomenal que transforma os jogos em autênticas transmissões televisivas, embora seja um pouco irónico a ausência da, historicamente pouco fiável, linha de fora-de-jogo que marcou presença nas últimas entradas da série. Felizmente, agora já temos a possibilidade de avançar o jogo rapidamente ao invés de aguardar para realizar o lançamento lateral, enquanto um jogador da nossa equipa demora uma eternidade a tirar a segunda bola do campo como acontecia em FIFA 14.

Apesar da evolução significativa ao nível da apresentação, as melhorias visuais são escassas, sendo difícil detetar diferenças entre FIFA 15 e a edição anterior, neste departamento. Uma das principais novidades passa pelo relvado que, à medida que o jogo avança, se vai degradando. No entanto, esta implementação não traz qualquer efeito prático à jogabilidade e passará facilmente despercebida a um olhar mais desatento.

Continuando a cimentar o seu foco na apresentação, o sistema de emoções do título introduz agora a componente que faltava para que todos os jogos em FIFA sintam e pareçam reais. Ver os jogadores a caírem desolados no relvado após falharem o golo da vitória nos últimos segundos ou a exigirem explicações ao adversário após uma entrada mais dura conferem maior personalidade às versões virtuais dos melhores jogadores do mundo.

Ainda assim, não são precisas muitas horas de jogo para que todas essas animações se começam a repetir demasiadas vezes e a apresentar algumas falhas. Não faz sentido que quando estamos a vencer por apenas 1-0 nos minutos finais os nossos jogadores continuem a sprintar para marcar rápido um lançamento de linha lateral. Para além disso, muitas vezes as animações não fazem jus às personalidades reais dos jogadores dentro de campo. O Ibrahimovic reclamar com o adversário é uma representação fiel da realidade, o Ricardo Carvalho fazer o mesmo nem por isso.

Dentro das quatro linhas, o principal foco de atenção em FIFA 15 passou agora, finalmente, para os guarda-redes. A série não tem um historial de apresentar guarda-redes eficientes e seguros e, apesar das melhorias óbvias, o mesmo continua a ser o caso na sua entrada mais recente. No entanto, o título dá um passo na direção correta ao reconhecer a importância da posição destes jogadores ao introduzir um vasto leque de novas e melhoradas animações que permitem muitas defesas espetaculares.

Isso não significa que os "frangos" inacreditáveis sejam já algo do passado, porque está longe de ser verdade. Os guarda-redes continuam a ter enormes dificuldades com bolas que passem perto do seu corpo e são absolutamente incapazes de recuar de volta para a baliza sem virarem completamente às costas ao jogo e, mais importante que isso, à bola. Problema semelhante pode-se apontar ao sistema de colisões que continua a originar quedas ridículas e grandes penalidades de levar as mãos à cabeça.

Dito isto, o cerne da jogabilidade de FIFA 15 permanece em tudo semelhante às entradas mais recentes da série, nas quais o futebol ofensivo é claramente privilegiado em relação às defesas, sendo a maior prova disso os autênticos festivais de golos que são as partidas online. Se jogaram algum dos últimos títulos da série, não terão qualquer dificuldade em regressar à ação e a marcar golos de fora de área com remates colocados ao ângulo.

Outra tendência que se torna absolutamente clara assim que iniciam o novo jogo pela primeira vez é que o modo FIFA Ultimate Team é, sem qualquer tipo de dúvida, o foco central de toda a experiência FIFA. Se por algum motivo este modo de jogo não vos interessa, fiquem a saber que a ausência de novidades nos restantes modos, tanto online como a solo, são por demais evidentes, não sendo estes mais do que meras cópias do que já estava disponível na entrada anterior, o que é incrivelmente desapontante.

As novidades na nova edição de FIFA Ultimate permitem ao jogador criar equipas com todos os jogadores disponíveis de forma a preparar o futuro da sua equipa, principalmente no que diz respeito à química entre os jogadores que possam vir a ser adquiridos e adicionados no futuro. Para além disso, podem agora realizar temporadas amigáveis com os vossos amigos e também adquirir alguns dos melhores jogadores do mundo para um número limitado de jogos por empréstimo, sabendo de antemão que depois disso não os poderão voltar a utilizar.

Todas estas novidades contribuem para uma experiência mais profunda e robusta, mas o principal problema deste modo de jogo continua a ser evidente. Para jogadores casuais, este é demasiado complicado e requer um investimento de tempo que muitos não têm oportunidade de lhe dedicar, algo que torna a ausência de novidades nos restantes modos de jogo ainda mais óbvia.

Tal como é habitual na série, a banda sonora volta a ser composta por músicas dos mais variados estilos e da autoria de músicas provenientes de todos os cantos do mundo. Algumas canções continuam a parecer um pouco deslocadas em relação à temática do título, mas todos encontrarão aqui algo para o seu gosto e que acompanhe na perfeição a sua experiência. Uma palavra ainda para os comentadores que, apesar de referirem agora acontecimentos do passado recente dos principais jogadores, continuam repetitivos como sempre.

FIFA 15 é mais uma entrada sólida da já longa série de simulação da EA, mas infelizmente foca-se mais na componente estética do que naquilo que se passa dentro das quatro linhas. FIFA Ultimate Team continua a oferecer horas sem fim de conteúdo e entretenimento, embora o tratamento e atenção recebidos pelos restantes modos de jogo tenha sido precário. Os problemas do passado continuam lá e a falta de inovação é por demais evidente, mas continua a ser uma oferta interessante para o fãs da modalidade.

Problemas com a versão PlayStation 4 e soluções.

Quando recebi o código para a versão digital de FIFA 15 na PlayStation 4 que utilizei para escrever esta análise, deparei-me com um problema que afetou a experiência de muitos outros jogadores. Sempre que me ligava aos servidores da EA Sports, ou seja, a partir do momento em que surgia o ecrã inicial, não incluindo por isso a partida Liverpool vs Manchester City que farão quando o iniciarem o jogo, tudo estava a ser afetado por uma latência que tornava o título impossível de ser testado e desfrutado, uma vez que até nos menus estes "soluços" eram notórios.

Uma vez que pode sempre dar-se o caso de algum dos nossos leitores vir a sofrer do mesmo problema, reservamos este espaço para deixar aqui as soluções possíveis para a resolução desta situação enquanto a Electronic Arts não lança uma atualização que resolva o problema e para que possam jogar online sem problemas.

A solução mais eficaz passa por acederem às definições do vosso router e desactivarem a opção "UPnP" que estará ligada e após isso não deverão ter mais problemas com o jogo.

No entanto, se tal como eu, esta solução não funcionar, tentem seguir o seguinte procedimento que, além de ser mais demorado e trabalhoso, é também temporário e necessita de uma conta alternativa na vossa consola e que esteja também ligada à PlayStation Network. Aqui fica então todos os passos que tive de seguir para que pudesse jogar FIFA 15 sem problemas na minha PlayStation 4.

1.Iniciem o jogo normalmente, ligados à conta principal e à Internet.

2.Quando estiverem no menu principal, mudem para a conta alternativa e regressem ao jogo.

3.Agora necessitam de mudar de utilizador no jogo e para isso apenas é preciso que entram num modo online, como por exemplo o FIFA Ultimate Team e aceitem a alteração de utilizador.

4.Depois disso usem o R3 para voltarem a ligar aos servidores EA e a latência já não deverá estar presente.

5.Agora só precisam de terminar sessão com a conta alternativa na PS4 e serão enviados de novo para o ecrã inicial.

6.Depois de voltarem a ligar aos servidores já deverão conseguir jogar com a vossa conta principal sem qualquer problema.

Espero que isto tenha sido útil para algum de vocês.