Se há algo que o rico catálogo da Nintendo 3DS não carece é de aventuras RPG de altíssima qualidade. Por isso o próximo título a inserir este género será um inevitável alvo de escrutínio por parte da crítica, por parte de quem já sabe o que que funciona e em que áreas é possível melhorar estas experiências. É com esta consciência que entrei no novo título Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia. Como já era de esperar, visto se tratar de um novo título para o Ocidente reconstruído para a Nintendo 3DS de um clássico NES que só saiu no Japão, Fire Emblem Gaiden, há algumas arestas por limar.
A narrativa é bastante interessante, por oferecer várias perspectivas de um problema que afeta as vidas das personagens que vos acompanham. Vocês vão estar a ver o desenrolar da vida de Alm e de Celica, um rapaz e uma rapariga que têm uma relação muito especial envolta em mistério. Separados no início da sua adolescência, estes dois reencontram-se por obra do destino depois de terem sido obrigados a tomar uma atitude perante os eventos que decorreram no reino de Valentia.
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Neste continente reina há imensos anos um acordo celebrado entre dois domínios que têm pontos de vista completamente diferentes sobre a vida e a gestão do seu povo. Estes dois lados estão representados pelas entidades sagradas Duma e Mila, deuses que ditaram o estilo de vida de cada um. Um certo dia, um deles quis ter a ousadia de quebrar este acordo ao invadir território alheio, perturbar a paz a favor de convicções políticas e do desejo de poder absoluto.
Alm e Celica estarão no centro desta revolta, ao liderarem grupos rebeldes contra este atentado à harmonia de Valentia. Eles são os protagonistas que vão estar a comandar dois exércitos em separado, tomando caminhos diferentes. Um vai lidar uma rebelião contra a nova força que quer apoderar-se de território que não lhe pertence, a outra vai em busca de Milão, a entidade sagrada que é a chave para a resolução deste conflito.
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Tanto Alm como Celica parecem dois miúdos inocentes e ingénuos, que só acreditam no bem. Alguém fazer mal a outro por querer controlar e ganhar poder político é algo que lhes é inconcebível. E através das novas personagens que vão entrando no nosso grupo de rebeldes, conhecemos uma outra parte de Valentia, diferentes formas que esta guerra afetou a vida populacional das aldeias.
Esta é também uma outra parte importante do jogo, que lhe confere diferenciação na própria série. Ao jeito dos jogos Professor Layton, vamos visitando aldeias e outras localizações. Lá, é aconselhável falar com todas as pessoas com quem nos cruzamos, não só para nos oferecerem missões a troco de dinheiro, mas também para estarmos em contacto direto com os acontecimentos terríveis que motivaram a nossa rebelião. É imperativo passar pelos ferreiros para nos melhorar o equipamento bélico, visitar estátuas da deusa Mila para podermos trocar de classe e falarmos com toda a gente de forma a encontrar possíveis candidatos a juntarem-se voluntariamente à nossa causa e, por consequência, ao nosso grupo de batalha.
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Por falar no aspeto bélico do jogo, é este elemento que define Shadows of Valentia e o separa de outros títulos da série Fire Emblem. Um mapa em grelha com as nossas unidades, as do inimigo e as aliadas dispostas no mapa revela mais uma vez a sua inspiração no xadrez. Contudo, há algumas diferenças notáveis em relação a Fates e Awakening. A mais evidente é a ausência da força medida através do sistema Pedra, Papel e Tesoura. Assim, a tática passa por uma evolução individual, por um foco claro nas estatísticas de cada personagem de modo a imporem-se contra o inimigo. Porém, aqui levanta-se um pequeno problema: há classes e ataques com vantagens e desvantagens contra um determinado tipo de inimigo. Os efeitos sonoros evidenciam bem esta característica, o que nos obriga a decorar certos confrontos e a emendar erros que tenhamos feito várias vezes.
Infelizmente, o jogo peca por uma dificuldade enorme, que surge em certos momentos da narrativa e que funcionam como autênticas paredes ao nosso avanço. Obrigado-nos a recuar e a recorrer ao inevitável grinding. O jogo insiste no sentido de exploração que quer proporcionar, visitar santuários, cemitérios e masmorras, tudo para que tenhamos encontros mais frequentes com monstros que são apenas carne para canhão. Estes são o meio para atingir o nível mais elevado possível sem que o jogo se torne aborrecido, pelo menos teoricamente. É inegável o divertimento retirado de visitar um santuário de um antigo herói, onde temos de encontrar o nosso destino através de um labirinto e enfrentar hordas de inimigos pelo meio. O que enfraquece a experiência é quando uma única visita não chega, quando é necessário enfrentar o mesmo tipo de inimigos até termos acesso a uma mudança de classe ou a um nível dois ou três pontos acima do atual para conseguirmos finalmente derrotar aquele boss que nos impede de avançar.
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Notei que o que mais inflaciona a dificuldade são os mapas. Estes foram desenhados claramente a favor do inimigo. Muitas vezes somos convidados a invadir castelos, abrigos e refúgios habitacionais de modo a que o inimigo possa enviar criaturas voadoras ou investir contra nós por meio de unidades que consigam atacar a um longo alcance, como arqueiros ou feiticeiros. E o elemento de marca da série, eliminar definitivamente uma personagem nossa quando é morta em combate, aqui é ainda mais sublinhado por esta dificuldade desproporcional. Até em Casual o jogo é difícil, se arriscarmos demasiado a nossa sorte, alguns membros da nossa causa terão de ser inevitavelmente sacrificados para que os que vêm mais resguardados se possam avançar.
Também a utilização de Cantors, feiticeiros que invocam criaturas maléficas, atrasa muito a batalha, adia a sua conclusão com mais inimigos em campo. Pelo menos, até terem capacidade de poderem retirar um certo número de seres invocados através de magia. E mesmo esta prática é um risco acrescido para a personagem que ousa utilizar esta técnica, pois há uma probabilidade de falhar na eliminação da ameaça por completo e mesmo que a elimine ficará próxima de inimigos que a poderão aniquilar facilmente. Por isso é muito importante estarem muito mais fortes que a concorrência.
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Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia tem uns visuais sóbrios, não obstante, as limitações da máquina em que está a ser reproduzido vêem-se bem. A direcção artística colocou um estilo gráfico muito agradável e adequado ao género em que se insere - a fantasia medieval. Esta obra fica bem no plano do desenho feito à mão, todavia, durante a parte visual novel há uma clara ausência de expressividade nas personagens. A nível sonoro, ou seja, nas vocalizações também se nota uma certa apatia por quem profere as linhas de diálogo, quando se queria uma emoção genuína.
Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia oferece uma experiência mais hardcore do que os jogos habituais - e estes já eram bem apontados para esta audiência mais exigente. Com batalhas da campanha e outras defrontadas em dungeons para serem exploradas a pente fino, há aqui uma boa quantidade de horas de jogo, uma quantidade assinalável de conteúdo para ser jogado.

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