Quantas vezes já não deram por vocês a vociferar em direção ao televisor onde estão a assistir à partida do vosso clube do coração e se convenceram categoricamente de que seriam capazes de fazer um melhor trabalho na liderança da equipa pela qual nutrem uma paixão intensa, mas nem sempre saudável? Todos já passamos por essas situações, alguns de nós provavelmente estão a passar por elas neste momento, e é nestes períodos que muitos se viram para a série Football Manager numa tentativa de provar a si mesmos a veracidade das afirmações menos simpáticas proferidas durante os jogos menos conseguidos da vossa equipa.

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Desta forma, a chegada de Football Manager 2016 ao mercado foi a oportunidade perfeita para regressar à minha vida digital de treinador de futebol e dissipar, de uma vez por todas, que não é assim tão difícil fazer o Futebol Clube do Porto praticar um futebol mais agradável e capaz de ganhar títulos do que aquele que tem apresentado sobre a alçada de Julen Lopetegui. Escusado será dizer que não foram precisos muitos jogos oficiais para os meus sonhos e esperanças nesta carreira alternativa serem absolutamente destruídos e o despedimento passar de uma hipótese remota para uma possibilidade bastante real.

Ignorando a minha aparente inépcia para a gestão de um plantel futebolístico, a mais recente entrada da aclamada série de simulação da Sports Interactive mantém o estatuto de experiência mais completa e realista do género, não se deixando acomodar com a falta de concorrência digna desse nome e continuando em busca de aprimorar aquela que, para todos os efeitos, é já há largos anos a mais apetecível opção no mercado para os apaixonados pelo lado mais tático do desporto rei.

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Apesar de o cerne da sua jogabilidade permanecer praticamente inalterado relativamente às últimas iterações da série, a nova edição traz consigo vários melhoramentos que, embora ligeiros, servem para solidificar a experiência oferecida e aproximá-la ainda mais da realidade. Um dos mais claros exemplos disso mesmo está relacionado com as lesões que em edições anteriores eram praticamente uma constante em todas as partidas e que acontecem agora com uma frequência bastante mais aceitável e em que nem todas as lesões obrigam necessariamente o jogador em causa a falhar a próxima partida da equipa.

No mesmo sentido, o mercado de transferências foi também aprimorado para melhor retratar a realidade atual do futebol moderno, o que significa que dificilmente serão capazes de atrair grandes estrelas para clubes de menor dimensão, independentemente do dinheiro que tiverem para lhes colocar no bolso, e também que terão de ser bastante mais cuidadosos na negociação de jogadores que queiram vender, uma vez que apenas os jogadores de qualidade e com alto rendimento permitiram negócios com valores claramente inflacionados. Já no caso dos atletas dispensados, terão muita sorte se alguém estiver disposto a investir o valor em que estão avaliados nesse momento.

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Outro dos aspetos fulcrais na vida de qualquer treinador envolvido em competições profissionais e que foi trabalhado para a nova iteração da série está relacionado com a interação com a imprensa. Para além de estarem mais frequentes que nunca, ao ponto de vos levarem a enviar o adjunto para muitas das conferências de imprensa, estas representam uma parte ainda mais significativa do vosso tempo de jogo na obra. No entanto, as conferências de imprensa têm tanto de desinteressantes como de repetitivas, uma vez que os jornalistas estão constantemente a regurgitar as mesmas questões utilizando palavras diferentes na esperança de obter respostas diferentes, o que acaba por ser uma fiel representação da imprensa desportiva, mas traduz-se em tempo de jogo claramente monótono.

Por último, resta referir as melhorias no motor de jogo 3D de Football Manager 2016 com a introdução de novas animações que tentam aos poucos tornar o futebol apresentado menos robótico, embora isso ainda esteja longe de ser uma realidade. A opção de criar o nosso treinador digital e vê-lo dar indicações junto à linha lateral é uma funcionalidade engraçada, mas o sistema de criação do treinador é demasiado rudimentar para que consigam criar algo verdadeiramente parecido com vocês. Por estes lados, os clássicos círculos com o número dos jogadores continuam a ser a maneira preferencial de assistir às partidas, uma vez que permitem que a nossa imaginação construa os golos de forma mais espetacular ao invés daquilo que acontece com os robôs enferrujados do motor de jogo 3D.

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Mais do que as novidades ao nível da jogabilidade, aquilo que a produtora apresenta como os maiores incentivos para a aquisição da nova entrada da série de simulação são os novos modos de jogo. O Football Manager Classic foi substituído pelo muito semelhante Football Manager Touch que, para além de oferecer uma versão mais simplista da experiência completa de simulação, comunica com a aplicação para dispositivos móveis com o mesmo nome, permitindo dessa forma que continuem o vosso progresso após abandonarem o computador.

Para além de Football Manager Touch, Football Manager 2016 introduz o também o modo Cria-um-clube que, tal como o nome indica, permite-vos criar o vosso próprio clube, embora esse processo seja sempre baseado num clube já existente na base de dados do jogo, e criar uma versão digital de vocês para fazer parte do plantel da equipa. Mais focado na componente multijogador online, o novo modo Fantasy Draft força os jogadores a construírem a melhor equipa possível de raiz a partir do mesmo orçamento. Apesar de serem opções interessantes, nenhum destes novos modos de jogos consegue rivalizar minimamente com a experiência central da obra, acabando por se fixarem como meras distrações.

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Como qualquer jogador que já tenha dedicado dezenas ou até mesmo centenas de horas numa qualquer entrada da série Football Manager vos poderá explicar, os melhores momentos da nova iteração são aqueles em que vemos as nossas ações terem um impacto decisivo no desfecho de uma partida. Todos temos histórias de como conseguimos vencer um jogo com um golo já nos descontos construído na totalidade por jogadores que saltaram do banco, assim como momentos de desolação total quando a passagem à próxima fase da Liga dos Campeões nos é retirada por um golo na última jogada da partida.

Football Manager 2016 serve-se da paixão dos seus jogadores pelo desporto rei para proporcionar estes momentos de drama e tensão que nos mantém agarrados a uma experiência que é rica nos elementos que apaixonam multidões e nos levam todos os fins-de-semana ao estádio ou a assistir ao jogo pela televisão.

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Também é inegável que a série Football Manager está longe de ser a mais convidativo para novos jogadores interessados em iniciar a sua carreira digital de treinador. Mesmo se optarem pelo simplificado Football Manager Touch, é muito provável que deem por vocês completamente perdidos durante as primeiras horas sem saber ao certo por onde começar a trabalhar a equipa. Os tutoriais limitam-se a informar-vos sobre o que cada componente faz, mas falham redondamente em explicar como isso afeta o futebol praticado pela equipa dentro das quatro linhas.

Por muito que a enormidade de opções oferecidas pelo título o coloquem como a experiência mais completa no mercado, os novatos nestas andanças poderão perfeitamente acabar por se sentir completamente esmagados pelas mesmas e desmotivados para investir o tempo necessário para compreenderem todos os elementos da obra. Um exemplo claro disso é a introdução dos dados estatísticos Prozone que oferecem informação detalhada sobre a nossa equipas e os adversários, mas que não facilita em nada o trabalho do treinador que terá de os descodificar para descobrir os pontos fortes e fracos do seu plantel e do adversário

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Football Manager 2016 é mais uma entrada sólida de uma série que continua em busca de se tornar uma experiência de simulação de gestão futebolística cada vez mais realista e completa, algo em que tem sido bem-sucedida nos últimos anos e que tem impedido a existência de concorrência digna desse nome no género.

Ainda assim, as ligeiras melhorias em determinadas mecânicas de jogabilidade e os novos modos de jogo estão longe de ser suficientes para justificar o salto para quem já tiver em mãos uma entrada recente da série. Dito isto, não existe qualquer dúvida que Football Manager 2016 é um excelente simulador que fará as delícias de qualquer fã de futebol.