Filipe Urriça por - Sep 6, 2019

Forager (Switch) – Análise

Em Forager, podemos estar inúmeras horas embrenhados nas suas tarefas e é muito provável nem darmos conta do tempo passar. Forager sabe muito bem o que quer dos jogadores: a sua total atenção. É com os processos de progressão minuciosamente implementados que consegue adiar a nossa estadia de exploração.

Forager é como se Cookie Clicker fosse um videojogo propriamente dito, sem ser uma máquina que nos faz ver números estatísticos a aumentar de forma exponencial, apesar de ser isto que acontece nos bastidores do jogo. Com o avançar da nossa permanência em Forager, vemos que há truques psicológicos para continuarmos; cria-se uma espécie de obsessão para chegar mais longe.

Começamos como qualquer outro jogo de sobrevivência, com pouco e com as ferramentas necessárias para ter muito, num intervalo curto de tempo. Contudo, é a sensação de termos pouco, ou de não termos o suficiente, que perdura, para assim ficarmos motivados a querer algo mais. Nem que seja ter apenas acesso a um novo material para construir ou conseguir as ferramentas e materiais mais raros para construir uma nova edificação.

À medida que avançamos no jogo, cresce uma cobiça e ganância de ter mais; as habilidades que ainda não desbloqueados e ainda estão a sombreado, um material complicado de obter, ou a melhoria essencial para uma ferramenta que nos torna ainda mais eficientes. Com a nossa picareta matamos e destruímos para recolher imediatamente o que está no chão. Transformamos os materiais recolhidos para recomeçar o ciclo outra e outra vez.

Não tarda e vemos exatamente o que queremos: expandir, literalmente, os nossos horizontes. Forager está dividido em ilhas que podemos, posteriormente, comprar. Cada ilha apresenta uma nova temática a que temos acesso. E cada temática traz um novo conjunto de possibilidades, porque cada uma dessas ilhas encerra em si um tipo de material que só lá se encontra, assim como vários segredos – formados por pequenos puzzles e dungeons.

Há uma conjunto de habilidades que vamos desbloqueando à medida que aumentamos de nível. Estes melhoramentos estão divididos em quatro categorias – Agricultura, Indústria, Economia e Magia – que se expandem em habilidades mais complexas e específicas. Ou permitem aumentar a nossa eficiência de recolha de recursos, ou desbloqueiam algumas novidades. Este sistema oferece uma razão pela qual queremos aumentar sucessivamente de nível.

Assim, as Spirit Orbs apresentam-se como um prémio que traça o caminho mais rápido para subir de nível. Porém, sempre que obtenham uma Spirit Orb podem escolher aumentar o dano causado peloa vossa arma, aumentar os pontos de saúde ou resistência e aumentar mais um nível. E como aumentar um nível permite-vos escolher mais uma habilidade, a melhor opção das quatro disponíveis é bastante óbvia. Não há nenhum problema que as Spirit Orbs tenham este papel, todavia, chegam rapidamente à conclusão que o melhor é mesmo subir de nível.

A picareta não é a única ferramenta a que temos acesso, mais tarde podemos obter uma pá, para preparar a terra para uma plantação, como também para tirar recursos que estejam escondidos na terra. Também temos acesso a armas como um arco e uma espada, porque aqui não vão faltar inimigos. Contudo, a picareta, após a compra de uma habilidade específica, torna-se redundante visto que a espada poderá ser também usada para a obtenção de recursos.

O título da HopFrog saiu primeiro no PC, por isso é provável que alguns jogadores se abstenham de o comprar, ou tenham que ver em qual plataforma em que se joga melhor. Obviamente que o rato permite um deslocamento muito rápido pelos menus, mas a versão Nintendo Switch continua muito competente. Há várias divisões que podem ser percorridas pelos botões L e R.

Porém, tecnicamente, a versão da consola da casa de Mario poderá estar mais fragilizada. Há uma dungeon em particular que fez abrandar significativamente o jogo. Depois de lá sair, voltou ao normal. É uma anomalia que não aconteceu em mais nenhum momento do jogo, nem em sítios onde a população de inimigos era elevada. Graficamente, o jogo tem muito charme, piscando o olho a jogos como Stardew Valley e Terraria – afinal o autor do jogo confessa a inspiração de Forager nesses dois jogos.

Forager é um título que vos consumirá facilmente dezenas de horas e o produtor já confirmou estar a trabalhar em novas atualizações para trazer novo conteúdo ao jogo. Todavia, um jogo que espeta as suas garras no jogador, para que continuemos investidos no loop de atividades constante, cansa a longo prazo. Mais conteúdo significará ainda mais razões para ficarem retidos em Forager. Se não tiverem muitos jogos com os quais se queiram divertir, têm aqui uma boa opção de compra.

veredito

Um título para inúmeras horas de diversão, que será difícil trocar por outro jogo. Forager tem mecânicas simples mas eficazes para ficarmos investidos no que nos oferece.
8 Excelentes mecânicas de exploração. Evoluir é recompensador. Bom conjunto de habilidades. Alguns soluços técnicos

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Forager (Switch)

para Nintendo Switch

Lançado originalmente:

30 July 2019