Quem haveria de dizer que nevava tanto na Austrália. E quem haveria de dizer que conduzir nessa neve era tão entusiasmante. A Playground Games pensou-o e, melhor para os fãs da Forza Horizon, executou-o na forma da expansão Blizzard Mountain para o seu Forza Horizon 3. Depois de ter dedicado dezenas de horas à obra original, desde que ficou disponível no Xbox Marketplace, tenho-me aventurado pela expansão, apercebendo-me das suas nuances.

Não pensem que vão encontrar aqui uma revolução. Desde que tenham realizado provas suficientes no festival perto do aeroporto Redstone, são transportados de helicóptero para um novo local, ou seja, deixam a poeirenta e solarenga Austrália a que estavam habituados e são - literalmente - largados num novo cenário. Desde o primeiro minuto, Blizzard Mountain está aqui para impressionar e para provar, se for necessário, que Horizon 3 não foi um golpe de sorte - caso Horizon e Horizon 2 não fossem suficientes.

Imagens Analise Forza Horizon 3 Blizzard Mountain

Ainda meio atordoado, ao volante do carro usado por Ken Block (Ford Focus RS Gymkhana), menos que um choque, há um ajustar imediato na jogabilidade. Mas, antes de lá chegarmos, o atordoamento, no meu caso, está relacionado com o cenário, com a forma como a produtora, novamente, cria um momento maior do que a vida, levando-nos nos primeiros minutos por uma escarpa abaixo, mostrando lá ao fundo uma boa parte da expansão através de uma draw distance impressionante. Inicialmente sozinho e pouco depois na companhia de outros concorrentes, de lado até à chegada à meta.

Se começarem a expansão à espera que encontrarão um novo Horizon 3, ficarão depressa desiludidos. Avulso, o preço de Blizzard Mountain é 19,99€, pelo que precisam de perceber, o mais rapidamente possível, que é apenas e só uma expansão. Em vez de mais de 60 corridas, há 26; em vez de quase 500 estradas para descobrir, há 50. Pessoalmente, o que estranhei mais foi a rapidez com que se viaja do ponto A ao ponto B. No jogo original, havia fases de transição enormes, aqui não precisarão de muitos minutos para chegarem ao destino.

Imagens Analise Forza Horizon 3 Blizzard Mountain

A progressão, contudo, é diferente na expansão. O vosso objetivo principal é amealhar estrelas para acederem à ronda seguinte do King of the Mountain. Essas estrelas são conquistadas participando em provas, sendo o máximo três estrelas por competição. Cheguem ao final da prova e ganham uma estrela, cheguem ao fim e ganhem e terão duas estrelas adicionadas à conta pessoal. A terceira estrela é um objetivo que vai variando.

Pode dar destaque à destruição, a um arranque limpo, a um número de saltos, a fazerem drift durante a prova, a amealharem um determinado número de pontos, etc. Ou seja, além de se preocuparem em ganhar, terão que estar sempre atentos ao contador da terceira estrela. Para mim, a tática foi, sempre que possível, completar o desafio primeiro e depois concentrar-me em tentar ganhar a competição.

Em alguns casos, como destruir o cenário à vossa passagem, a terceira estrela não penaliza muito a atribuída com a vitória. Todavia, quando estamos a falar de provas como garantir um arranque limpo ou atravessar o carro várias vezes com o travão de mão, acreditem que é uma combinação delicada. Especialmente a partir da quinta ou sexta ronda de King of the Mountain, acreditem que a tarefa não é fácil.

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Por um lado, é interessante que haja esta mesclagem da vossa habilidade enquanto pilotos e do discernimento de gestão de talento, mas por outro, é ocasionalmente frustrante dominarem uma corrida por completo e não conseguirem desbloquear logo a totalidade das estrelas, obrigando a um recomeço. E, sim, o efeito ruber band mencionado na análise ao jogo principal continua presente, ou seja, há alguns momentos em que a dificuldade atinge picos escusados. Ainda assim, com dedicação e estudo, não é nada que não se ultrapasse.

Naturalmente, consoante vão conquistando rondas, mais conteúdo vai ficando disponível no mapa. Há circuitos Cross Country, provas de drift, sinais para serem destruídos, zonas de velocidade, Trail, Scramble, Descidas, enfim, quantidade e variedade não faltam. Há também provas de Hill Climb e vários desafios Bucket List.

Deixei esses dois exemplos para o final da enumeração, porque atestam a diversão que tive com a expansão. Uma vez que estamos no meio das montanhas, no ícone de algumas provas há um aviso: Perigo de Tempestade na Área. Ou seja, juntem o terreno escorregadio, uma prova à noite, e uma tempestade que aparece a meio, permitindo ver pouco mais que um palmo à frente do nariz. Em muitos casos é o caos, noutros é caso para pensar “Jesus, take the wheel”, mas na sua maioria, é um desafio extremo às nossas habilidades, com a Playground naturalmente a assumir que temos alguma experiência com a sua obra.

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No caso dos desafios Bucket List, há um em particular que resume num minuto a expansão toda. Ao volante de um Mini especial, temos que chegar ao destino em menos de 01m20, a descer. Claro que em Forza Horizon 3 havia provas idênticas - lembram-se do desafio com o Audi Quattro no meio da savana? - mas aqui é o ignorar completo das estradas, pela montanha abaixo a voar baixinho. Tudo medido em frações de segundo. Torna-te uma avalanche, diz a descrição. E assim fiz.

Como levar um Ferrari FF para o meio da neve não é aconselhável - ainda que possível -, Blizzard Mountain tem uma lista de carros mais adequados. Há uma Ford F-100 de 1966, uma carrinha da Nissan, um Polaris, um Subaru WRX e dois Lancia: o Delta e a estrela do elenco, o Stratos HF. Andar com um Stratos é conduzir um pedaço da história automóvel, e fazê-lo aqui parece adequado, juntando a insanidade de alguns traçados à insanidade daquele design icónico. 

Tal como a obra principal, também a expansão apresenta um departamento técnico excelso. Não só os efeitos das tempestades de neve são dignos de nota, como o terreno vai ficando degradado com a passagem dos carros. Há certas corridas em que os efeitos de luz, os reflexos na modelagem dos carros, assumem o papel principal. Além de tudo isso, existe um lago gelado no cenário que, além do desafio para a jogabilidade, exibe uma textura impressionante.

Imagens Analise Forza Horizon 3 Blizzard Mountain

Percam a ilusão que encontrarão aqui um Forza Horizon 4 e passarão uma boa temporada com Blizzard Mountain. É uma expansão bem feita, bem organizada, com bastante conteúdo que parece justificar os 19,99€ pedidos. O novo sistema de progressão deixa para trás a recolha de fãs, mas não é um desastre, apesar de algumas provas terem uma terceira estrela que alimentará alguma frustração. É como se fosse uma versão miniatura de Horizon 3, pegando em tudo o que o jogo fez bem - e foi muito - e apresentando-o por uma nova lente. No fundo, Blizzard Mountain parece hermético, um Forza Horizon dentro de um globo de neve.