Não é segredo nenhum que Forza Horizon 4 é um dos meus jogos preferidos de 2018, pelo que quando foi anunciado que a obra da Playground Games teria uma expansão, não foi preciso muito para me convencer a experimentar as novidades. Fortune Island não é, nem precisava de ser, o reinventar da fórmula instaurada no jogo principal, optando por dotar o novo cenário com provas em que a adrenalina é novamente senhora e rainha.

Ao largo do enorme cenário que alimenta as provas de Forza Horizon 4, chega-se à ilha de hovercraft e, tal como já é tradição na série, as boas-vindas são dadas com uma corrida até ao local do festival. Os primeiros minutos com a expansão são uma clara declaração de intenções: investimos pelos novos traçados numa noite chuvosa, raios no céu distante e árvores caídas à nossa frente. É uma corrida sem vencedores, mas com uma amostra de que a produtora continua a não se esquecer do quão amada é esta incursão pelo imprevisível e insano.

À saída do hovercraft somos imediatamente colocados ao volante do RAM 1500 Rebel TRX Concept, um dos novos dez carros que compõem o alinhamento de Fortune Island. Outros destaques incluem dois Lamborghini, o Urus e o Aventador J, mas também o CC8S, o raríssimo Koenigsegg que chegou ao mercado em 2002 como o primeiro carro produzido pela marca sueca. A lista continua com propostas para os terrenos fora da estrada, como provam o Funco Motorsports F9 e o Exomotive Exocet Off-Road. Não seria um título Forza sem um carro que tem tanto de carismático como de pouco prático nas corridas, e nesta expansão essa honra cabe ao Morris Minor Series II Traveller.

É sem dúvida um alinhamento curto em relação ao que já foi disponibilizado pelo título principal, contudo, importa não esquecer que este conteúdo pretende edificar e consolidar a vossa Horizon Life na qual estão a trabalhar desde outubro do ano passado. Aliás, essa sensação é transversal a praticamente tudo o que Fortune Island faz, o que não será propriamente uma surpresa se tivermos em consideração o papel que uma expansão deverá ter face ao produto para a qual é lançada e as longas horas que a maioria dos fãs já dedicaram à obra ao longo dos últimos meses.

A fibra que alimenta a expansão é obviamente a competição, com os jogadores a terem que ir conquistando Influence nas várias provas até serem coroados como Island Conqueror. Adoptando mecânicas pretéritas, há várias Rounds que tem que ser desbloqueadas com a já mencionada Influence. Ainda que haja aqui os tipos de provas já conhecidas, há também novas competições de drift (sete capítulos de Drift Club 2.0) e Trailblazer, um tipo de competição sem checkpoints entre o ponto de partida e a linha de meta que nos faz abrir caminho pelo novo cenário, muitas vezes esperando pelo melhor.

Porém, aquilo que pode ser descrito como a maior novidade, ou pelo menos a novidade que mais agita os processos a que estamos habituados, é Fortune Treasure Hunt. Ao longo da campanha de Fortune Island vamos sendo convidados a participar numa caça ao tesouro composta por dez locais - e dez recompensas - diferentes. O método usado é interessante, ainda que não seja particularmente complicado de encontrar os baús com os prémios.

Recebemos uma pista com um enigma que envolve um veículo especifico e um local. Concluído o desafio segundo as condições impostas pelo jogo, recebemos uma fotografia e uma área delineada no mapa onde estará escondido o baú. Relembra um pouco os Hidden Barns já conhecidos, contudo, graças à fotografia, não é muito complicado patrulhar esse trecho do mapa até termos a certeza de que estamos próximos do tesouro. E as recompensas são bastante amigas da nossa vida digital.

Alguns dos baús incluem um carro, contudo, todos oferecem um milhão de créditos. Mesmo que precisem de comprar o veículo necessário para resolver o enigma seguinte, o primeiro é feito com o Rebel TRX Concept, ou seja, têm pelo menos um milhão de créditos garantidos para investir se assim necessitarem. Uma vez que a dificuldade não é elevada o suficiente para afastar os jogadores e que há pelo menos dez milhões de créditos para serem amealhados, mesmo com o eventual dinheiro investido em novos carros é muito provável que saiam de Fortune Island com uma conta bancária digital bastante recheada.

A Playground Games continua a exercer sobre os jogadores a execução da fórmula vencedora de aliar a excelente jogabilidade aos cenários por onde decorrem as várias provas. Fortune Island é assim mais uma lição de como divertir os jogadores enquanto lhes é dado uma motivação para explorar todos os recantos do videojogo. Desde as areias escuras de Viking Bay até ao serpentear de Needle Climb, sem ser muito extensa, a ilha consegue oferecer vistas não só deslumbrantes, mas diversificadas.

Os efeitos continuam a ser excelentes, tal como é a sensação de velocidade, especialmente quando o estômago desce um pouco enquanto abrimos caminho pela floresta. É um prazer andar “perdido” em Fortune Island, sem querer saber do próximo objetivo, apenas tentando ir o mais longe possível até encontrar água, até testemunhar se é possível aquele carro subir aquela encosta; até sermos relembrados que entre provas as estradas sugeridas pelo GPS são apenas isso: meras sugestões prontas a serem ignoradas.

Noite, dia, sol, chuva, trovoada, aos saltos no novo Urus. A Xbox One X a fazer horas extraordinárias no momento de apresentar o conteúdo a 4K; o jogador a fazer horas extraordinárias porque viu um Influence Board relativamente perto ou porque há um Beauty Spot que promete ser bom: são, novamentes, dias que parecem horas e horas que parecem minutos. Forza Horizon renova a prova do quão aliciante é o seu tratamento do género de condução, mesmo que seja uma expansão e não um novo capítulo.

Quando chegamos a Fortune Island, o tal percurso que nos leva até ao local do festival passa por umas cavernas na praia. “Era excelente se uma das novas provas me fizesse passar por aqui novamente,” foi o meu pensamento. A magia da expansão é que responde afirmativamente a quase todos os pensamentos desse género. Ou seja, está criado mais um palco memorável e a produtora volta a não ser invejosa, deixando-nos competir em alguns dos locais mais inóspitos e memoráveis da série. Se tiverem comprado Forza Horizon 4 recentemente e estiverem neste momento a dedicar-lhe a centésima hora, a expansão pode parece mais das mesmas ideias, contudo, se não o jogarem há algumas semanas, é um regresso rejubilante e o apaixonar novamente pela saga - se é que alguma vez deixaram de estar apaixonados pela mesma.