A combinação dos mundos LEGO e Forza Horizon 4 é uma fórmula em que o resultado deveria ser a diversão. Depois de ter passado vários dias a esgotar as novidades de Forza Horizon 4: LEGO Speed Champions, os momentos memoráveis são alguns, mas é uma expansão que se consegue afirmar tal como Fortune Island, por exemplo.

Não há, nem precisava de haver, grandes enquadramentos lógicos ou narrativos para a Playground Games levar os jogadores até uma nova área no mapa de jogo. Em LEGO Valley, tal como provavelmente adivinharam, a jogabilidade de Forza Horizon 4 é colocada ao serviço de construções LEGO - tanto nos cenários, como nos próprios carros.

Começando pelo mais fácil, a jogabilidade da expansão continua imaculada, como seria de esperar se tivermos em consideração que é esse um dos pináculos do jogo base. A sensação de velocidade permanece a mesma e o grafismo, mesclando as texturas “reais” e as que dão vida às peças LEGO também continua a ser sólido.

Estranhamente bom é um boa forma de definir a sensação que tive ao conduzir a mais de duzentos quilómetros por um campo em que as árvores desfeitas soltam peças LEGO, ou quando participei em corridas na parte citadina do Valley, andando às voltas por ruas em que o pano de fundo parece ser composto por vários kits saídos da linha LEGO City. É um choque de realidades em que a estranheza dá lugar à fascinação e, horas mais tarde, a alguma previsibilidade.

Um dos problemas com LEGO Speed Champions é que o mapa não é assim tão grande que sustente o factor novidade durante uma dezena de horas. Sim, há a cidade e há também um parque onde podemos realizar manobras arrojadas com direito a rampas enormes. Há também um aeroporto, um areal extenso com os míticos barcos pirata da empresa de Billund.

Friamente, esta nova área assemelha-se a um concentrado de zonas, teoria que é corroborada pela inclusão de uma pista e de uma zona árida que conta com provas na área, ossos de dinossauros e ainda um nave alienígena despenhada. Pode parecer um mapa enorme, mas depois de lhe dedicar algumas horas essa sensação vai tornando-se cada vez mais dissipada, cada vez mais, não uma desilusão, mas um perder de fascínio.

A mecânica básica da expansão é a construção - e a expansão - de uma casa para a personagem, um Master Builder. Podemos pensar que vamos combinar a nossa habilidade ao volante com o prazer de construir LEGO, mas infelizmente a segunda parte não corresponde à realidade de LEGO Speed Champions - aqui a construção e expansão da casa chega-nos por helicóptero e é automática graças a cenas de vídeo.

O que temos para fazer é participar em incontáveis Brick Challenges, desafios espalhados pelo mapa que nos garantem um determinado número de peças como recompensa. Reúnam as peças necessárias para a próxima expansão da vossa casa e ativam uma das cinemáticas. É interessante ver a casa a crescer cada vez mais, mas não deixa de ser um processo pouco satisfatório, uma recompensa que sabe a pouco pela conquista de dezenas e dezenas de desafios.

Com a conquista de mais um “nível” na construção desbloqueiam novos desafios, obviamente, mas também alguns acontecimentos especiais, como uma Hype Tour e células de energia que apenas podem ser avistadas durante a noite. E sim, são células alienígenas. Sente-se claramente a Playground a tentar que o ciclo de progressão seja quebrado, mas o essencial mantém-se praticamente inalterado.

Os desafios - conquistados e os que temos para fazer - aparecem num enorme menu quadriculado e coordenado por cores indicativas do género da tarefa que temos pela frente. Sejam destruir Bonus Boards, descobrir todas as estradas em LEGO Valley, participar e ganhar em inúmeras corridas, ganhar estrelas em provas Stunt, enfim, são dezenas de provas que testam diferentes aspectos da nossa habilidade, além de incentivarem a exploração da nova área de jogo.

Todavia, este número é ligeiramente enganador, uma vez que há vários testes idênticos, variando apenas a prova em questão. Infelizmente, esta quantidade de desafios não encontra eco no número de carros incluídos com a expansão. Há três carros construídos com LEGO e jogáveis, nomeadamente, um Ferrari F40 Competizione, um McLaren Senna e ainda um Mini Cooper de 1967. Um quarto veículo está escondido num celeiro, mas ainda não é possível jogar com ele, uma vez que as “instruções do LEGO Prototype ainda estão em falta”.

É pouco, bastante pouco. O desbloqueio dos carros é um acontecimento. Por exemplo, no caso do F40, há uma prova em que é colocado o modelo real e o feito de LEGO numa prova em que o prémio é o bólide. A atenção ao detalhe é também incrível, sendo possível ver as peças que o compõem e até panoramas em que podemos ver as inscrições no plástico usado. A questão é que, por muito pomposo que seja cada um, a soma continua a ser um número baixo.

Outro dos sentimentos que foi ganhando força consoante o tempo dedicado à expansão é que há muito conteúdo intocável. Ver este mundo LEGO à nossa volta, incluindo os Minifigs a divertirem-se e a viver as suas vidas, assim como as recriações de kits que fizeram parte da minha infância, é em muitos casos o equivalente a sermos convidados para a casa de um amigo com uma excelsa coleção LEGO e não poder mexer em nada.

É um folclore de detalhes que circundam à nossa volta, ou seja, por muito emocionante que a jogabilidade continue a ser e por muitos desafios que marquem presença, friamente e com alguma distância crítica, torna-se mais e mais evidente que poderia ter sido feito mais para diferenciar a expansão do conteúdo original. Isto é ainda mais notório se pensarmos que o mundo LEGO abre possibilidades únicas, possibilidades que teriam como base um dos melhores jogos de condução dos últimos tempos.

LEGO Speed Champions não é uma má expansão e não julgo que seja apenas uma forma fácil de fazer dinheiro graças à presença da marca LEGO. É, no entanto, algo que poderia ter cruzado de forma mais homogénea os dois mundos tão distintos que aborda. Há pormenores que nos fazem sorrir, como as peças e os modelos serem réplicas dos originais, ou a inclusão da ferramenta que ajuda a remover as peças no celeiro.

Não só faltam mais carros, como faltam desafios que ajudem a quebrar o ciclo, mesmo que a vontade de ver um dinossauro ou um iate adicionado à nossa casa seja uma boa desculpa para continuarmos a investir tempo na expansão. É-me pessoalmente difícil resistir a este charme gráfico, mas em vez de ser uma viagem ao chão da sala da minha infância, sente-se que é mais uma viagem às montras da minha juventude.

Se tiverem comprado a Ultimate Edition, o Pacote de Expansões ou o Pacote de Suplementos de Forza Horizon 4, obviamente que devem experimentar LEGO Speed Champions, dar-lhe a oportunidade de vos arrebatar o coração nostálgico, ainda que por apenas durante as primeiras horas. Caso não tenham feito essas compras, antes de gastarem 19,99€ (17,99€ se tiverem o Xbox Game Pass), vejam alguns vídeos com a jogabilidade e perguntem se o truque charmoso que estão a ver justifica o investimento.