The Haunted Island, a Frog Detective Game (Análise) foi uma agradável surpresa quando chegou ao mercado no final de 2018. Um ano depois, Grace Bruxner e Thomas Bowker colocam no mercado Frog Detective 2: The Case of the Invisible Wizard e, novamente, quem lhe dedicar alguns minutos do seu tempo perceberá os mecanismos de um jogo de autor, quase artesanal.

O título deixa antever aquilo que teremos pela frente. Voltamos a vestir a pele de um sapo que é chamado para resolver um novo mistério. Deslocado para um novo local, Warlock Woods, cedo percebemos que os locais iam celebram a chegada de uma nova habitante com um cortejo. Misteriosamente, pela calada da noite, os preparativos para as boas-vindas foram destruídos. Descobrir quem cometeu tal ato é a vossa função durante a vossa estadia em Warlock Woods.

Como ferramentas para ajudar na resolução do caso têm a vossa fiel lupa e um bloco de notas. Na sua essência, The Case of the Invisible Wizard coloca-nos a interrogar as diferentes personagens que habitam o local. Cada uma precisa de algo, pelo que não demora muito tempo para compreenderem que a mecânica principal da obra, tal como no jogo de estreia é uma bola de neve.

Satisfazer a vontade de um residente é geralmente sinónimo de receberem um item que será posteriormente útil para satisfazer a necessidade de outro habitante. É simples e ninguém terá qualquer problema para ver os créditos finais, contudo, é também um ciclo eficazmente motivador, com a recompensa pelo sucesso dos vossos actos a ser obtida instantaneamente.

Um dos exemplos que pode ser dado é que, num determinado momento temos que encontrar cinco tartes que foram espalhadas pela vila. Quando finalmente recolhemos as sobremesas e as entregamos a Mandy, é-nos dada uma dessas tartes (sem ter caído ao chão). Posteriormente, a tarte serve para saciar a fome de Victor, que nos entrega um chapéu como recompensa pela missão concluída. E sim, há alguém que precisa de um chapéu. Não há como enganar, até porque o local onde a trama se desenrola é bastante compacto e as personagens estão separadas por apenas alguns metros.

Uma das novidades na sequela das aventuras do sapo que defende fervorosamente as suas escolhas de vestuário é o já mencionado bloco de notas. Nos minutos de abertura podemos personalizar a útil ferramenta com autocolantes, colocando um pouco da nossa personalidade na obra. Posteriormente, é aqui que vão encontrar os “motivos” apontados pelo detective, tal como informações sobre cada um dos habitantes de Warlock Woods.

Tudo o que foi mencionado até aqui chega até ao jogador como se os autores tivesse feito a obra apenas para cada um de nós; tudo é apresentado com um carisma genuíno e com um sentido de humor seco e direto ao assunto, afirmando-se numa frase e levando o caricato tantas vezes por diferentes lanços de abordagens. Por exemplo, uma tirada como “ser pequeno não é o mesmo que estar longe”, quando uma das personagens fica atónita com o tamanho do sapo, deixa qualquer um a pensar duas ou três vezes sobre o que leu.

Outro dos exemplos é quando alguém exige que o sapo arranje uma determinada maquia de dinheiro. Olhando para a situação com o positivismo da mensagem transversal, o pequeno detective afirma que “sou mesmo bom a ser extorquido”. Este tipo de humor resulta porque é trabalhado até ser coerente durante a aventura toda, ou seja, mesmo que não se saiba o que vai ser dito a seguir, espera-se algo inteligente que apenas este sapo seja capaz de dizer. Grace e Thomas perceberam que isso funcionava bem no primeiro jogo e executaram-no com ainda mais segurança na sequela.

Perto do final do jogo, sem estragar a surpresa a ninguém, há uma cena em que falamos com alguém que vai a conduzir. Posteriormente, uma das notas que podemos encontrar no bloco é “condutor responsável (tinha-me em alta-voz)”. Nota-se perfeitamente que não estamos perante um positivismo bacoco e repetitivo, mas sim à tal atenção ao detalhe transversal às diferentes parte do jogo, durante a aventura toda. Como no primeiro jogo, o detetive continua a ser desacreditado face a Lobster Cop, uma lagosta polícia, mas é algo encarado de forma motivadora, mais do que uma injustiça continuada.  

É um acumular de sorrisos que não custam nada, incluindo uma piada com um gato que tem tanto de simples como de eficaz. Susan conta-nos que estava a tricotar, mas que era complicado concentrar-se porque estava constantemente a ser distraída pela lã. Susan, como provavelmente adivinhar, é uma gata. Desde a primeira interação “insiste que não é suspeita. Isto torna-a mais suspeita do que ela imagina”.

Em termos técnicos, a toada noir é embalada por sons e melodias relaxantes. O grafismo edifica as personagens com uma dimensão e proporções exageradas. Não é complexo, mas resulta de forma idêntica ao trabalho colocado ao serviço da fonte da letra, pensada para transmitir uma caligrafia desleixada e amadora, natural. Tudo somado, está-se muito bem por este jogo adentro, ficando-se com vontade de continuar muito depois dos créditos - e da curta cena especial - aparecerem no ecrã.

Frog Detective 2: The Case of the Invisible Wizard chega a fazer lembrar a vibração de A Short Hike e até de Untitled Goose Game - curiosamente, a House House é uma das produtoras a quem são endereçados agradecimentos nos créditos. Os seus criadores sabem que não terão os holofotes da indústria, focando-se naqueles que vão experimentar o seu trabalho. Sem complicar, o caso acaba por ser uma agradável viagem com um final que, tal como o jogo original, é uma celebração.