Depois de uma estreia bastante auspiciosa no popular universo criado por George R. R. Martin com "Iron from Ice", o segundo episódio da primeira temporada da série da Telltale Games procurava manter os jogadores investidos na narrativa da família Forrester e capitalizar, mais uma vez, o sucesso de Game of Thrones com a sua reconhecida habilidade para a produção de histórias ricas e emocionantes.

De certa forma, a sua missão é bem sucedida graças aos elementos que habitualmente permitem às suas obras brilharem, mas também é verdade que a grande maioria dos jogadores chegará ao momento em que os créditos começam a rolar pelo ecrã com o sentimento de que o novo episódio pouco impacto teve no avanço do arco narrativo estabelecido na entrada anterior.

"The Lost Lords" tem início imediatamente após os chocantes eventos que encerraram o primeiro episódio e que abalaram por completo os alicerces da House Forrester através do método a que os fãs do universo certamente já estão familiarizados. Tal como no seu antecessor, a nova entrada da série introduz várias personagens à narrativa, incluindo membros da família que protagoniza a aventura com os quais ainda não havíamos contactado e também personagens bastante conhecidas do público, todas elas com direito a um merecido tempo de antena.

Como mencionei anteriormente, o segundo capítulo de Game of Thrones é uma adição de qualidade à série da Telltale, mas que acaba por sofrer dos mesmos problemas que já foram apontados a episódios das restantes propriedades em que a produtora se encontra envolvida. Após um início intenso com doses consideráveis de sangue e violência que mantêm a obra fiel ao material original, o ritmo torna-se bastante lento, voltando a aumentar os níveis de intensidade apenas nos minutos finais.

Para além disso, enquanto produto isolado, "The Lost Lords" não oferece a sensação de progressão que seria desejável e as poucas decisões com impacto significativo na narrativa que estão presentes apenas terão efeitos práticos nos episódios futuros. Desta forma, estamos perante um capítulo que serve como um mero elemento de ligação entre o episódio anterior e o que ainda está para chegar.

Com cerca de duas horas de duração, o segundo episódio da série sobrevive muito às custas da escrita excecional pela qual a produtora tem sido aclamada nos últimos anos. As personagens são nos apresentadas como seres reais e com várias subtilezas que as tornam facilmente distinguíveis através das suas personalidades, enquanto o diálogo providencia o material necessário para o nosso investimento na narrativa e seus intervenientes.

Graficamente, o novo capítulo mantém-se fiel ao estilo visual apresentado no episódio inicial e que aproxima a obra a um quadro pintado a óleo. Ainda assim, não são raras as ocasiões em que essa ilusão é quebrada por texturas estranhas e desbotadas quando os vossos olhos se desviam dos elementos principais da cena em questão. Por sua vez, a sonoplastia complementa eficazmente a experiência, enquanto a vocalização permanece no nível elevado a que os jogos da Telltale nos têm acostumado.

Game of Thrones: The Lost Lords é mais um episódio sólido na série, mas que peca pela ausência de escolhas difíceis e de uma verdadeira sensação de progressão na narrativa. Este capítulo deixa antever um futuro risonho para o que resta da temporada, mas enquanto produto isolado apenas servirá para aguçar o apetite dos jogadores por mais conteúdo.