Assimilando o seu estatuto como uma das produtoras mais atarefadas e requisitadas da indústria, a Telltale Games volta novamente à ribalta com mais um episódio de uma das suas séries atualmente em produção, poucas semanas depois de ter disponibilizado o segundo capítulo de Tales From the Borderlands.

Até ao momento a produtora tem sabido alternar eficazmente entre as duas sagas e mantido a sua qualidade em níveis elevados, sendo que The Sword in the Darkness, a terceira entrada de Game of Thrones, é mais uma prova da habilidade e talento do estúdio para manter a sua audiência saciada com experiências drasticamente diferentes em termos de tom e abordagem à narrativa.

Tal como os capítulos anteriores, o novo episódio da série inspirada no universo criado por George R.R. Martin apela sobretudo aos fãs dedicados da série de televisão e familiarizados com os livros originais, mas isso não significa que os restantes jogadores não possam desfrutar de uma história interessante e repleta de personagens cativantes relativamente às quais começarão a desenvolver afeto e ódio com o desenrolar dos acontecimentos.

Não querendo revelar muito sobre a narrativa para aqueles que esperam até todos os episódios estarem no mercado para embarcarem na aventura, posso afirmar que um dos maiores méritos de The Sword in the Darkness é a forma como vai encerrando ramos da narrativa abertos pelas nossas decisões nas entradas anteriores ao mesmo tempo que introduz novas camadas ao arco geral da temporada que apenas serão concluídas nos capítulos futuros.

Mais uma vez, o episódio é apresentado através de várias perspetivas diferentes graças às inúmeras personagens jogáveis incluídas na série focada na família Forrester. Cada uma delas tem direito ao seu próprio arco narrativo, embora nem todos consigam manter o mesmo nível de interesse do jogador, mas todas estas micro narrativas estão intimamente interligadas e são indispensáveis para evitar a queda de Ironrath e a consequente destruição da House Forrester.

Embora se comece a tornar repetitiva esta afirmação nas análises aos produtos da Telltale, a verdade é que nunca é de mais salientar a qualidade da escrita da produtora e a maneira como se adapta facilmente aos géneros, seja comédia ou drama, e universos em que se encontra a trabalhar. A escrita é, por sua vez, fortalecida por um excelente trabalho de voz por parte dos atores que dão vida às personagens e entregam todas as linhas de diálogo com o mesmo empenho.

Ainda assim, esta série tem alguns problemas que parece não saber como os resolver. Já o tinha referido no episódio anterior de Game of Thrones e The Sword in the Darkness volta a sofrer significativamente com o seu ritmo predominantemente lento e sem grande intensidade.

Compreendo a vontade da produtora em se manter fiel ao estilo da popular série de televisão, mas um jogo não consegue sobreviver apenas com diálogos que se arrastam durante largos minutos e parecem não contribuir em muito para a narrativa a não ser para estabelecer o universo em questão. Se os jogadores que conhecem o material original ficaram gratos pelas constantes referências a eventos passados, os restantes passarão grande parte desse tempo "perdidos" e sem saberem ao certo aquilo que está a acontecer perante os seus olhos.

A série da HBO não se escusa de apresentar ao seu público cenas de violência grotesca e esse poderia ser uma boa fonte de inspiração para este título e como método de manter todos os jogadores interessados entre as sequências de diálogos. Contam-se pelos dedos das mãos as cenas de ação presentes nos três capítulos lançados até ao momento, embora todos eles tenham sido realizados com mestria.

Tecnicamente, o novo episódio apresenta os mesmos problemas do passado devido ao seu estilo visual que transforma a aventura numa pintura a óleo, mas que apenas se foca no centro da ação, deixando todo o restante cenário com um aspeto desbotado. Os soluços técnicos continuam presentes com a imagem a ficar constantemente estática durante alguns segundos nas transições entre os capítulos do episódio. No que diz respeito à banda sonora, Game of Thrones mantém-se absolutamente excecional.

The Sword in the Darkness, o terceiro capítulo de Game of Thrones, é mais uma adição interessante à série episódica da Telltale, mas que continua também a sofrer dos mesmos problemas que afetaram os episódios anteriores. Enquanto fãs do universo não terão qualquer dificuldade em retirar o máximo proveito desta entrada, os restantes jogadores podem contar com uma história interessante contada através de uma escrita imaculada e pouco mais. As decisões passadas finalmente tiveram as consequências devidas e esperemos que essa tendência se mantenha para o futuro.