Desde o seu primeiro capítulo, tenho mantido uma relação difícil relativamente à série da Telltale inspirada no universo de fantasia criado por George R.R. Martin. Com quatro episódios para trás das costas e apenas dois para o término da saga, continuo dividido, não em relação à qualidade da mesma, mas sim à sua capacidade para apelar a jogadores pouco familiarizados com o universo. Até ao momento, todos os episódios têm sido pautados por um ritmo lento, com escassos momentos de ação e ainda menos decisões com impacto significativo na narrativa, sendo que Sons of Winter encaixa perfeitamente nesta descrição.

Uma das principais razões para o sucesso da série de televisão prende-se com a sua constante capacidade para apanhar os espectadores desprevenidos e a mestria com que joga com a expectativa dos mesmos. A série da Telltale não tem conseguido o mesmo sucesso nesse departamento, contabilizando pessoalmente apenas uma ocasião em que tal aconteceu no capítulo de estreia e deixando a ideia no ar de que talvez o facto de a aventura estar diretamente ligada à série da HBO esteja a limitar a liberdade criativa da produtora.

Tal como tem sido apanágio, o episódio foca a sua atenção em diferentes elementos da família Forrester, todos eles em locais diferentes do mundo e todos eles em busca de desempenhar o seu papel para assegurar a sobrevivência e a prosperidade da House Forrester. Distribuídos por King's Landing, Meereen, House Forrester e The Wall, as diversas personagens jogáveis têm igual tempo de atenção e também algumas das personagens secundárias ganham uma maior profundidade.

Uma vez que a ação é pouco e o ritmo é baixo, todo o quarto episódio da série é suportado pela escrita e o diálogo entre as personagens que mais uma vez se apresenta a um nível excecional e que mantém a Telltale como uma das melhores produtoras a construir narrativas envolventes na indústria atualmente. Assim como em capítulos anteriores, personagens populares da série televisiva voltam a marcar presença, com destaque para a estreia de Daenerys.

Apesar da ausência notória de momentos de alto impacto para o arco narrativo geral, Sons of Winter aproveita da melhor forma o universo em que se inspira para providenciar momentos em que nem sempre as decisões mais agradáveis para o futuro da nossa família são as mais politicamente corretas. Na verdade, esse é o cenário mais habitual, apenas se lamenta o aparente pouco relevo dessas decisões.

Para além disso, o principal antagonista deste episódio, que já o havia sido no capítulo anterior, deixa também algo a desejar, recebendo uma caracterização reduzida para aquilo a que as obras da produtora nos habituaram. Quer isto dizer que estamos perante um vilão sem grandes motivações ou um resquício de humanidade, sendo simplesmente mau porque era preciso alguém para testar a bravura do líder da House Forrester.

Já o tinha referido nas análises aos episódios anteriores, mas tenho de o voltar a fazer porque o seu estilo visual, embora único, não consegue sobreviver a um maior escrutínio a todos os elementos do cenário que não fazem parte do foco de atenção da cena, apresentando texturas desbotadas e que quebram a imersão. Já a banda sonora e o trabalho de voz permanecem com a qualidade demonstrada nos capítulos passados.

Em suma, o quarto episódio de Game of Thrones é mais uma entrada sólida na série da Telltale, mas que volta a sofrer dos mesmos problemas apontados aos capítulos anteriores. A escrita permanece brilhante e as personagens vão ganhando uma maior profundidade com o passar das horas de jogo, no entanto, a ausência de decisões de impacto significativo e momentos de tensão impedem-no de se transformar em algo memorável.