Vários meses após o lançamento do primeiro capítulo da aventura da produtora Telltale no universo Game of Thrones criado por George R.R. Martin, a série aproxima-se agora a passos largos do final e com isso aumentam também as expectativas relativas à conclusão daquela que tem sido para muitos jogadores uma temporada mais morna do que seria expectável tendo em conta o historial do estúdio e o universo em que se inspira.

A Nest of Vipers, penúltimo capítulo da série de seis episódios, tem como um dos seus principais méritos o aumentar significativo da intensidade e a tensão, algo que desde o seu primeiro episódio tem estado em falta nos episódios que lhe seguiram. Isso torna-se evidente logo na cena inicial com Ramsay Snow, que já havia deixado a sua marca em episódios anteriores, que volta a assumir o papel de principal vilão e que traz à série da Telltale a violência gráfica a que os fãs da série televisiva estão habituados.

Ainda assim, não posso deixar de referir que a cena em questão perdeu muito do impacto que era suposto possuir quando dei por mim a ser incapaz de me lembrar quem era a personagem que estava no centro da ação, mais concretamente de uma cena de tortura, e qual a sua importância para a narrativa. Já me referi anteriormente aos problemas do modelo episódico da produtora e nesta situação o tempo decorrido entre episódios teve efeitos negativos na minha experiência com o mesmo.

Tal como os capítulos anteriores, a história de Game of Thrones permanece dividida em vários ramos interligados pelas personagens jogáveis pertencentes à família Forrester. Apesar de todos terem aproximadamente o mesmo tempo de destaque, a verdade é que nem todas as personagens assumem o mesmo grau de importância e alguns destes ramos da narrativa não têm um avanço significativo e acabam por deixar as personagens praticamente na mesma situação em que se encontravam no início do episódio.

Fiel ao universo que lhe serve de inspiração, o quinto episódio da temporada volta a colocar as jogadas de poder político no centro das atenções, sejam elas em King's Landing ou em Ironrath, com alianças a serem forjadas e quebradas constantemente e em que cada um procura defender os seus interesses, não olhando a meios para o conseguir. Num universo implacável, saber escolher as pessoas com as quais aliar e de que lado da guerra ficar é fulcral para a sobrevivência e prosperidade em Westeros.

Ao longo dos capítulos anteriores, Game of Thrones tem sobrevivido muito à custa da qualidade de escrita da Telltale, que consegue manter os jogadores investidos na narrativa e nas suas personagens, mesmo quando daí não advêm grandes dividendos, ou seja, quando a ação é escassa e os momentos de tensão e decisões complicadas praticamente inexistentes, é a escrita excecional que suporta todo o episódio e mantém vivo o interesse do jogador.

A Nest of Vipers mantém a qualidade de escrita habitual da produtora, mas apresenta igualmente numerosas sequências de ação, algumas que marcam a estreia dos elementos sobrenatural do universo na série da Telltale, em que a tensão é palpável e em que nem sempre estamos certos de que os protagonistas sobrevirão. Para além disso, o episódio culmina com uma sequência excelente que envolve a violência e o drama expectável de Game of Thrones e as decisões de vida ou morte das obras da produtora.

No fundo, o quinto e penúltimo episódio da série é de longe o melhor capítulo da temporada até ao momento e deixa antever uma conclusão épica e emocionante quando o sexto episódio de Game of Thrones chegar finalmente ao mercado. Como ponto negativo, é importante referir que estamos perante um episódio bastante curto, cuja duração não chega ao 90 minutos.