Não será de condenar quem pense que Gato Roboto é uma piada, mais uma punchline de um videojogo a pensar nos incontáveis memes que uma obra em que jogamos como uma gata pode gerar na Internet. Contudo, quem começar a jogar a obra da Doinksoft e chegar a defrontar os bosses certamente perderá a vontade de sorrir.
Inserido no popular género dos metroidvania, Gato Roboto coloca-nos então a jogar com a gata Kiki - “Kiki, the Kitty”. No início da aventura, a nave despenhou-se e Gary, o seu dono, ficou encarcerado no retorcido molho metálico. Kiki é a única salvação, feita heroína de ocasião e munida com um fato que lhe garante defesa e ataque contra os incontáveis perigos que terá pela frente.
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Para surpresa de ninguém, vamos melhorando as habilidades de Kiki, desbloqueando mísseis que destroem pedras ou um duplo salto que não só tem a aparência do dash de Sonic, como permite alcançar uma altura inicialmente impensável. Mas há mais, como por exemplo a habilidade de cortar o ar rapidamente e assim evitar feixes de luz indutores de dano, uma habilidade que parece saída diretamente de Katana Zero, outra obra publicada pela Devolver Digital.
Gato Roboto funciona bastante bem porque permite a conjugação destas habilidades sem grandes quebras no ritmo de jogo. Na prática, saltar duas vezes e projectar a gata para a frente torna-se algo natural, um acto quase irreflectido enquanto exploramos as salas que se vão sucedendo a uma velocidade impressionante.
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O jogo está publicado no PC e na Nintendo Switch, com o meu tempo a ter sido aplicado na versão para a consola híbrida da Nintendo. Nota-se claramente que houve o cuidado no limar dos processos até que a destreza de cada um fosse correspondida com a jogabilidade. Não sendo um título particularmente desafiante, os maiores picos de dificuldade são encontrados em alguns dos bosses.
Mas aqui é que está a reviravolta: Kiki não está sempre dentro do seu fato, havendo trechos que obrigam o jogador a pensar em como trabalhar sem o fato antes de o reaver. A destemida gata sem a sua protecção metálica é naturalmente mais ágil, conseguindo até trepar as paredes, porém, está também mais exposta, não podendo participar em confrontos diretos.
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A Doinksoft foi inteligente ao incluir duas componentes que, mesmo sendo estilos de jogabilidade tão díspares, acabam não só por se complementar, mas também por diversificar a ideia que temos do jogo. Isto é alicerçado por algumas secções muito mais focadas nas plataformas do que propriamente no ataque bélico. O problema mais significativo de Gato Roboto é que tudo isto aparece concentrado, talvez demasiado concentrado.
Bastam menos de quatro horas para chegar ao final do título - longevidade que pode ser maior se resolverem explorar todos os mapas a 100%, porém, sente-se que a produtora adoptou várias ramificações da jogabilidade, mas que poderia ter ido mais além: mais habilidades para o fato, mais designs para as secções em que estamos dependentes das quatro patas e talvez um pouco mais de diversidade nas áreas.
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Curiosamente, acaba por ser uma boa homenagem a Metroid. Desde a apresentação dos níveis em duas dimensões a um mapa que se assemelha às aventuras de Samus e uma banda sonora que faz lembrar outros tempos. Os mapas, a forma como se vão revelando consoante a nossa exploração, é uma boa maneira de tentar que o jogador não siga apenas um caminho e se vá aventurando.
O design dos níveis é sólido, apresentando o cuidado necessário para que os jogadores possam colocar em marcha as diferentes habilidades, sendo que a viagem fica marcada por algumas salas que podiam ser mais diversificadas, como mencionado. A questão é que tal teria que ser conseguido através do design, uma vez que Gato Roboto apresenta-se apenas com duas cores: preto e branco. Mesmo quando aplicamos as diferentes Palettes (colecionáveis que mudam ligeiramente o aspecto do jogo - uma das quais, “Urine”, ilustra a obra a azul e amarelo), o molde de duas tonalidades continua a ser verdade.
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Na sonoplastia, além dos efeitos sonoros que, tal como já foi mencionado, encaixam perfeitamente na toada metroidvania, há a comunicação entre personagens num piscar de olho à era em que os jogos nos chegavam em cartuchos, ou seja, um ruído indecifrável acompanhado pelos devidos balões de texto.
Com Gato Roboto, a Doinksoft revela a compreensão do género. Mesmo com a noção de que a longevidade e a expansão de algumas mecânicas poderiam ter ido mais longe, o que está em cima da mesa é sólido. E o arco narrativo tem um final que vai muito além de Kiki e Gary, mostrando que os gatos, pelo menos na ficção, conseguem dar-se bastante bem com outras espécies animais.

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