VideoGamer Portugal por - Mar 22, 2013

Gears of War: Judgment Análise

Depois de terminar a trilogia de Marcus, a Epic Games e a People Can Fly oferecem-nos uma prequela, exclusiva Xbox 360, de Gears of War. É inegável a importância que esta série teve nesta geração de consolas, mas apresentará Judgment a qualidade a que a série nos habituou?

Passou um ano e meio desde que a Epic Games decidiu terminar a trilogia de Gears of War. Aquele que se tornou numa das principais séries de videojogos desta geração dava assim por encerrado o seu ciclo de cinco anos com três jogos de alta qualidade. Quando apareceu pela primeira vez, em 2006, Gears of War impressionou pela sua qualidade técnica, graças ao motor Unreal Engine – criou a sensação de estarmos perante uma nova geração de consolas. Mas para além da fantástica qualidade visual, a primeira aventura de Marcus inovou ainda com um sistema de coberturas que mudou a forma como víamos os TPS.

Não que nunca tivéssemos visto um sistema de coberturas no passado, mas o desenho dos cenários e o uso das coberturas no mesmo, completos por um ritmo de ação frenético converteram o jogo numa fabulosa experiência. Dois anos mais tarde surgiu Gears of War 2 com mais situações, mais variedade, novos inimigos e desafios… uma experiência mais completa. Depois, chegou Gears of War 3, com uma qualidade técnica melhorada e modalidades novas.

E assim nos chega agora Judgment. Este novo título representa os acontecimentos alguns anos antes de Gears of War. Estamos localizados em Halvo Bay, uma cidade que está sob o cerco dos Locust, depois de ter começado o dia da emergência no planeta Sera. O esquadrão Kilo é comandado a uma semana por Damon Baird junto do seu inseparável amigo Augustus Cole e dois novos personagens: Garron Paduk e Sofía.

Os quatro são arrastados pela CGO e levados para um tribunal um pouco peculiar, onde não podem ter advogados e se ditará sentenças após escutar o testemunho dos quatros protagonistas. Começa Baird por explicar desde o principio os motivos pelos qual acha que deve defender-se da acusação a que está a ser feita. Posteriormente falam os outros personagens, cada um com a sua perspetiva. Uma reconstrução tipo flashbacks que narra o avanço do esquadrão ao longo de seis atos.

Baird e Cole são personagens já conhecidas da série e que dispensam apresentações. Esteticamente mudaram pouco, continuando os mesmos de sempre. Já Sofía é uma jovem esbelta e ruiva que se afirma no inicio como uma das maiores seguidoras das orientações da CGO. Paduk é um personagem interessante e importante como veremos à medida que a história avança.

Dado a ação se desenrolar antes dos acontecimentos de Gears of War, os nossos principais inimigos continuam a ser os Locust. E podem contar com todo o tipo de Locusts: pequenos e grandes com armas de curta, média ou longa distância, outros mais duros como os Boomers com o seu lança-mísseis, Grinders e a sua metralhadora pesada, Maulers com escudos, Kantus e os seus poderes regenerativos, etc.

A principal novidade a nível de inimigos são os Ragers. São inimigos que se destacam por ir só com tanga e sem grandes armaduras. Se dispararmos muitos tiros contra eles, sem ser na cabeça, entram em estado de raiva e aumentam a sua massa muscular. É um inimigo interessante pois oferece um tipo de jogabilidade mais arcade e mais direto.

Gears of War sempre deu grande destaque ao sistema de coberturas e como tal, continua a ser uma importante parte de Judgment. No entanto, os inimigos estão agora muito mais verticais e viscerais do que em outras entregas. A verdade é que nunca em outro GoW tivemos de massacar tantos Boomers tão perto de nós. Mais frenéticos, com saltos e evasivas por todo o lado, com coberturas que por vezes não nos servem de muito – os inimigos expõe-se mais. A combinação e quantidade de inimigos que nos aparecem em cada uma das fases dos atos que disputamos é elevadíssima.

Para nos ajudar a combater toda esta frota de inimigos temos agora novas armas, que se juntam a todas as já conhecidas anteriormente. Temos, por exemplo, a Markza, uma rifle de alta precisão que é letal a meia distância e tem um bom zoom pelo que dá para efetuar disparos na cabeça; a Booshka, uma lança-granadas cujas granadas batem e saltam nas paredes, o que é útil para atingir inimigos que se encontrem escondidos; e a Breecshot, uma rifle muito eficiente a meia distância.

Uma das virtudes da campanha desenhada pela People Can Fly é também um dos contratempos. É uma campanha frenética, cheia de ação e divertida. Mas, no entanto, não oferece nada que não tenhamos já visto no passado. Sabemos quais são os defeitos e virtudes de todos os inimigos que enfrentamos. A parte boa é que a abordagem e os desafios permanecem divertidos e emocionantes, o que certamente agradará a todos os fãs da série. Por outro lado, aqueles que se cansaram da série no terceiro capitulo, não vão querer jogar Judgement.

O título apresenta uma mecânica clássica dentro da série: tiroteios com coberturas como protagonistas, armas dos personagens que podem ser trocadas por outras que encontramos no solo, recarga rápida para poder ser mais eficaz em combate, luta corpo a corpo brutal, execuções de inimigos, utilização de escudos humanos, etc.

Uma das novidades deste modo campanha são as missões desclassificadas. Todas as missões do modo campanha podem ser jogadas de forma normal, prosseguindo na história, ou ativando o símbolo de Gears que aparece nas paredes, o que desbloqueia informação classificada: informação que pretende ajudar a defender-nos do julgamento. Claro que isto significa dificuldade acrescida nas missões. Ao ativarmos isto são explicadas as condições com o qual devemos combater se abrirmos a informação desclassificada, alterando a jogabilidade e a batalha que estava prevista em primeira instancia.

Ao ativar isto fazemos com que surjam inimigos mais poderosos, com que tenhamos menor visibilidade graças a granadas de fumo lançadas pelo inimigo, com que os inimigos tenham One Shots e nós apenas pistolas… enfim, uma série de complicações acrescidas.

As estrelas em combate conquistam-se à medida que elimina-nos inimigos e fazemos ações especiais, como derrotá-los corpo a corpo, arrancar-lhes a cabeça, realizar uma execução a alguém que esteja moribundo, etc. Ao nosso lado encontra-se uma barra a medir as nossas ações, cujo objetivo é conseguir atingir três estrelas por nível. Esta barra vai aumentando à medida que derrotamos inimigos, mas também diminui se cairmos em combate – e formos recuperados pelos nossos colegas.

Desbloquear um grande número de estrelas trás benefícios para nós. Repercussões é um ato extra que podemos desbloquear conseguindo um número concreto de estrelas. Esta missão narra a história de Baird e Cole quando se separam do grupo de Anya, Marcus, Dom e companhia, para ir buscarem um barco que os ajude na missão final de Gears of War 3.

No total, temos uma campanha com seis atos, com os seus respetivos níveis, e um ato extra com as suas próprias fases.

Relativamente ao modo multijogador, um dos pilares da série Gears of War, a novidade vai para o modo sobrevivência. Neste modo o objetivo é aguentar várias rondas de inimigos, com a particularidade de que temos de defender várias zonas do mapa. Se perdemos, os Locust avançam e nós retrocedemos. Ao retroceder três vezes, perdemos a partida. No total, temos quatro mapas para o modo sobrevivência.

Nesta modalidade é importante ter em consideração a especialização de cada personagem. Há quatro tipos de classes disponíveis representando cada um dos quatro protagonistas. É importante manter o equilíbrio para conseguir sobreviver. Por exemplo, o engenheiro, representando por Baird, consegue reparar objetivos que os Locust querem destruir; Cole, o soldado, leva consigo uma Booshka e uma Lancer e tem a possibilidade de atirar munição para que os amigos se reabasteçam; o explorador, Paduk, carrega consigo uma Markza para longa distância e a opção de trepar para se mover para zonas elevadas onde não chegam os outros; por fim, Sofía, é a médica e para além de carregar uma Lancer, pode oferecer estimulantes à equipa para regenerar vida, para além de levantar os colegas que caíram em combate.

Apesar de tudo isto, o modo multijogador de Judgment é bem menos ambicioso do que em Gears of War 3. Em Judgment, existem apenas quatro modos de jogos principais, sendo que um dos principais destaques vai para o modo Invasão. Este modo oferece-nos confrontos entre duas equipas de cinco elementos cada, que se vão alternando para destruir objetivos – bastante similar ao modo Sobrevivência, mas com humanos de ambos os lados.

A nível visual, Judgement funciona, como não podia deixar de ser, sobre o motor Unreal Engine 3. A terceira entrega da série subiu para as mais altas possibilidades técnicas deste motor nas consolas da geração atual, e, neste caso, não fica muito atrás, com um acabamento impressionante e muito sólido. Não há muitas novidades a nível de desenho, e as construções e arquiteturas que vemos ao longo da campanha são aquilo que bem estamos habituados da série Gears of War. Os personagens têm um grande nível de detalhe, bem como as armas.

Tanto a amplitude dos cenários como os detalhes a nível de texturas em paredes, coberturas, edificios, etc. funcionam de maneira correta. Ainda para mais, com a grande quantidade de inimigos em terreno, tudo se consegue manter fluido e detalhado, não havendo surpresas desagradáveis em nenhum momento no aspeto visual. Efeitos como fumo, chuva ou vento forte também vão aparecer durante as missões e estão bem retratados.

Os únicos pequenos erros que foram vistos aconteceram com inimigos que, por vezes, se escondiam mal nas coberturas ou em ocasiões em que foi necessário reiniciar a missão porque faltava matar um inimigo que nunca foi possível de encontrar.

A banda sonora mantém a tradição da série com músicas épicas, com ritmos e instrumentos de corte bélico que acompanham cada um dos nossos passos. Destaque também para todo o tipo de tiroteios, explosões e gritos dos inimigos que vamos encontrando.

Gears of War: Judgment, não engana nada enquanto produto feito para os fãs da série da Epic Games. O título mantém a essência da série e um ritmo frenético do principio ao fim. A People Can Fly criou um título mais parecido com o original e adicionou alguns elementos interessantes como as estrelhas no modo campanha e as missões desclassificadas. Se procuram um título de ação frenético ou são fãs de Gears of War, este é então um título que, sem dúvida, devem considerar.

veredito

Mantém a essência da série e um ritmo frenético do principio ao fim.
8 Ritmo frenético, direto e divertido Tecnicamente muito bem conseguido As adições ao modo campanha (desclassificados e estrelas) Poucas novidades na mecânica de jogo

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Gears of War: Judgment

para Xbox 360

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Lançado originalmente:

22 March 2013