Oito deuses aniquilados, dois titãs dizimados e um Olimpo completamente de rastos é o resultado final da demanda épica de Kratos pela sua vingança contra aqueles que considera culpados pela morte da sua família após jurar lealdade ao então Deus da Guerra, Ares. God of War III é o capítulo final da saga que introduziu muitos jogadores à mitologia grega e que nos levou por uma aventura de proporções bíblicas que colocaram um mero mortal sedento de vingança num percurso que não lhe trará nada mais do que a total destruição de tudo o que rodeia.

Lançado originalmente no início de 2010 para a velhinha PlayStation 3, o terceiro título da série produzida pela Sony Santa Monica continua a ser considerado uma das obras essenciais para qualquer detentor da consola caseira da casa nipónica. Para todos aqueles que passaram ao lado dessa oportunidade, God of War III: Remastered chega agora à irmã mais nova da família PlayStation com grafismo melhorado e uma jogabilidade sempre segura nos 60 fotogramas por segundo providenciados pelo maior poderio tecnológico da PlayStation 4.

Como referi anteriormente, God of War III é o capítulo que encerra a trilogia de Kratos, filho bastardo de Zeus, e como tal também traz consigo uma panóplia gigantesca de entidades míticas para se apresentarem como obstáculos ao único objetivo do protagonista da série. Apesar da inegável riqueza da mitologia grega, a verdade é que a entrada final da saga é provavelmente a mais fraca em termos narrativos, seguindo sempre o mesmo percurso pré-definido desde o início até ao final da aventura e sem nunca surpreender o jogador com reviravoltas inesperadas.

Ainda assim, a variedade de personagens, sejam eles deuses ou titãs, com os quais o protagonista interage durante a campanha acabam por ser o principal motivo pelo qual a narrativa não cai rapidamente numa série de cinemáticas de conteúdo repetitivo que apenas estão lá para quebrar o ritmo entre sequências de combate e as batalhas com os inúmeros bosses do título. A história está longe de ser o ponto mais forte deste jogo, mas é competente o suficiente para nunca se tornar um entrave à experiência.

Podendo ser considerado como um título pertencente ao género Hack 'n' Slash, God of War III faz do combate a sua melhor arma, conseguindo um bom equilíbrio entre o simples martelar nos botões e as combinações mais trabalhadas e que requerem uma maior dedicação para serem totalmente dominadas. Um dos principais méritos da obra da Sony Santa Monica é a sua capacidade para manter a brutalidade do combate e a satisfação oferecida pelo mesmo seja qual for a abordagem ao combate por parte do jogador. No fundo, mesmo martelando botões sentirão-se como um Deus Todo Poderoso, apesar do estatuto de mortal de Kratos.

Seguindo o percurso indicado pela componente narrativa, o combate pode ser em dois momentos intercalados distintos e que se vão repetindo ao longo de toda a aventura. Sequências de combate contra inimigos padrão são sempre utilizadas para preparar o jogador para a próxima batalha com um boss, sendo que após a destruição do mesmo é então iniciado um novo período de acalmia, cuja intensidade vai crescendo até culminar novamente no confronto com mais um inimigo de gigantescas proporções.

Uma vez que cada Deus aniquilado traduz-se no adicionar de novas armas ou habilidades ao arsenal de Kratos, que, como é já tradição nos títulos da série, após uma sucessão de acontecimentos infelizes vê as suas habilidades serem-lhe drasticamente reduzidas, as sequências entre bosses servem também para ambientar o jogador às novas habilidades do protagonista, forçando a utilizá-las durante alguns minutos para mais tarde estarem devidamente preparados para as usarem em conjunto com as restantes habilidades que compõe o leque de opções ao nosso dispor.

Como é habitual em títulos do género, as sequências de combate são interrompidas por pequenos puzzles ambientais, alguns deles mais exigentes que outros, especialmente se for este o vosso primeiro contacto com o jogo, que contribuem para diversificar um pouco a jogabilidade, juntamente com curtas sequências de plataformas, impedindo que esta se torne repetitiva e permitindo uma maior oscilação de ritmos e intensidade numa obra repleta de momentos climáticos.

No que diz respeito às novidades da edição PlayStation 4 de God of War III, estas ficam-se por melhorias estritamente estéticas que provavelmente passarão completamente despercebidas a não ser que a coloquem lado-a-lado com a versão PlayStation 3. Mas não se enganem, isto não é uma crítica à nova versão do título, mas sim um elogio ao brilhante trabalho técnico realizado pela Sony Santa Monica na edição original da obra. Dito isto, a resolução 1080p e uma framerate fixa nos 60 fotogramas por segundo apenas contribuem para acentuar o grafismo impressionante do jogo. Se quiserem guardar momentos para a prosperidade, fiquem a saber que o título conta também com um Modo Fotografia.

No parâmetro da sonoplastia, o título serve-se de uma banda sonora orquestral épica produzida pelo quinteto Gerard K. Marino, Ron Fish, Mike Reagan, Jeff Rona e Cris Velasco que cumpre com sucesso a sua principal missão, ou seja, acentuar a dimensão dos feitos realizados por Kratos ao longo da campanha e fazendo jus ao género e principalmente à temática do jogo em questão. Não se poderia pedir arranjos musicais mais poderosos do que estes para uma obra recheado de Deuses e entidades maiores que a própria vida.

Em suma, God of War III: Remastered é uma excelente forma para experienciar pela primeira vez o clássico da Sony Santa Monica e afirma-se como a versão definitiva do título de ação e aventura. Ainda assim, as novidades da nova edição do jogo são poucas e nem mesmo as melhorias gráficas são suficientes para justificar uma nova aquisição para os jogadores que já o possuírem no seu catálogo de jogos PlayStation 3. É importante sublinhar, no entanto, que God of War III era um título excelente quando chegou ao mercado em 2010 e continua a sê-lo cinco anos depois.