por - Mar 26, 2021

Going Under (Switch) – Análise

Ser um funcionário na base hierárquica de uma empresa qualquer pode ser muito frustrante, principalmente se o patrão considerar estas pessoas como um conjunto de números a equacionar. Este tipo de experiência é especialmente enriquecedora, visto que se aprende muito com colegas de trabalho, o problema são mesmo os patrões que exploram os seus trabalhadores até onde a lei os permite – quando não entram em terreno litigioso. Going Under pega nas frustrações e injustiças laborais e despeja-as, literalmente, com toda a força possível contra patrões que não olham a meios para atingir os seus lucros. 

Este jogo, que se insere no género roguelike, ocorre nos escritórios da Fizzle, uma empresa de refrigerantes gaseificados, onde Jacqueline, a personagem que controlam em Going Under, é a nova estagiária. A Fizzle está em expansão após ter sido adquirida pela Cubicle, empresa de drones, que terá contratado Jacqueline para um estágio não remunerado. Para a sua surpresa – e nossa -, o que a Fizzle realmente quer é que a sua nova colaboradora combata os monstros que estão a vaguear pelos escritórios de antigas empresas.

Os primeiros escritórios, ou melhor, o primeiro dungeon que vão explorar, é o da empresa Joblins LLC que tem os seus trabalhadores transformados em goblins e nós temos de os combater até chegarmos ao boss desse nível. Este esquema de jogabilidade é bastante similar ao The Binging of Isaac. Temos de limpar várias salas de inimigos, apanhar os itens relevantes do espólio deixado nos combates que foram travados e avançar sucessivamente para as próximas divisões até chegarmos onde queremos – é tão simples quanto isto. 

Como já era de esperar num dungeon crawler, os inimigos apresentam todos um padrão diferente de comportamento ofensivo. Nem todos assumem uma atitude de ataque persistente e constante, há quem aguarde alguns segundos por uma abertura que possa eventualmente dar para vos provocar dano. Existem alguns goblins que guiam pequenos carros, de forma bastante cómica, para vos atropelar, enquanto outros são guitarristas que vos atacam com o seu instrumento musical. Portanto, como acaba por haver uma boa mistura de inimigos em cada sala, vão ter que desenvolver alguma habilidade, assim como pensar bem antes de atacar. 

Não são só os comportamentos dos monstros que os diferencia de uma empresa para outra, ou seja, de uma dungeon para outra, o maior ponto diferenciador é o design visual destas criaturas. Enquanto que em Joblins LLC os vossos inimigos são goblins, em Styxcoin são mortos-vivos que, na maioria das vezes, estão equipados com picaretas, dado que é uma empresa de criptomoedas.

Felizmente, vocês vão poder estar bem equipados para combater os monstros a vaguear pelas salas de antigas startups. Em Going Under, tudo o que podem encontrar nos escritórios pode ser utilizado como arma para combate corpo-a-corpo ou como arma de arremesso. Monitores, teclados, cadeiras, caixotes do lixo e todo o material de escritório que encontram numa Staples pode ser utilizado para provocar dano em todos os vossos inimigos.

Caso o queiram, também podem e devem recolher as armas deixadas pelos vossos adversários após terem sucumbido aos vossos ataques. Podem apanhar as clássicas espadas e bestas, mas o que é necessário é fazer a gestão das três armas que podem levar com vocês, para que não vos falte poder ofensivo. Concluindo, não vos faltará diversidade na jogabilidade de Going Under. 

Ainda na temática do combate, este jogo independente partilha uma semelhança com Breath of the Wild, o armamento destrói-se depois de ter sido utilizado várias vezes. Normalmente, para nosso infortúnio, as armas quebram-se mais rápido do que o previsto, dada a sua durabilidade imprevisível. Portanto, terão que trocar de armamento com alguma regularidade. Para dar um melhor aproveitamento às armas que vos são dadas terão de verificar o comportamento que apresentam em combate e se têm alguma característica especial que as tornem mais eficientes contra um determinado tipo de monstro. 

Além de uma quantidade assinalável de armas que estão ao vosso dispor, ainda podem obter habilidade especiais e aplicações. Estas aplicações são poderes que facilitam a exploração das salas, assim como as batalhas que vão obrigatoriamente ter de travar com as inúmeras ameaças que deambulam pelas diferentes divisões que compõem os escritórios de um espaço anteriormente ocupado por uma qualquer startup. As habilidades especiais são mais raras e têm a mesma utilidade das aplicações: facilitar os combates exigentes. Um destes poderes que mais gostei, foi um que tornava as armas consideravelmente maiores, além da arma em questão ser mais eficiente, obtém um efeito muito cómico. 

É a reunião destas circunstâncias favoráveis à jogabilidade, descritas nos parágrafos anteriores, que fazem de Going Under um jogo bastante divertido. Contudo, o combate pode ficar caótico a um ponto em que nos são exigidos reflexos rápidos, caso não tenham ganho alguma habilidade no controlo da personagem vão sucumbir várias vezes em situações de urgência. E, se estiverem distraídos, quando uma arma ficar inutilizável e não tiverem outra para a substituir, ficam à mercê dos vossos inimigos, a não ser que sejam bons pugilistas, porque o que vos resta são a força dos punhos de Jacqueline.

A narrativa deste jogo da Aggro Crab Games vai-se revelando à medida que concluimos as diferentes masmorras, o que nos deixa conhecer o plano da empresa que nos contratou e as verdadeiras intenções que tem para os seus recursos humanos. Esta história consegue manter-nos interessados o suficiente para contextualizar as nossas ações. O melhor que esta narrativa faz é tecer críticas à cultura que se desenvolve em empresas tecnológicas, como as startup, e satiriza uma faixa etária muito específica: os jovens millenials

A apresentação de Going Under é irrepreensível, tem uma rica paleta de cores e uma direção artística exemplar. Todas as personagens têm a sua personalidade esteticamente bem representada, dado que são autênticos desenhos animados que podiam estar muito bem inseridos na grelha de programação do ZigZag. 

Em suma, Going Under é um bom roguelike que consegue ser bastante engraçado, desafiante e recompensador. Ainda demora o seu tempo até que os processos de jogabilidade arranquem por completo, mas quando estão todos afinados, este roguelike destaca-se por boas razões da oferta cada vez maior neste género. Se gostam de jogos similares a The Binding of Isaac, têm aqui uma boa alternativa.

veredito

Este jogo é um bom roguelike que vos oferece uma variedade assinalável de armas, num panorama muito engraçado. Há uma barreira de dificuldade a ultrapassar, mas acaba por ser, na maioria das vezes, bastante recompensador.
8 Jogabilidade divertida. Armamento variado. Estilo gráfico. Há armas que quebram rapidamente.

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Going Under

para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

31 December 2020