A Capybara Games, produtora canadiana que nos trouxe notáveis obras como Superbrothers: Sword & Sworcery EP, Super Time Force e Below, lançou na Nintendo Switch a sua mais recente criação que fez muitos jogadores subscrever o Apple Arcade: Grindstone. Esta proposta pode ter muitas semelhanças iniciais com Candy Crush (assim como outros do mesmo género que saturaram os mercados Android e iOS), mas é uma proposta com um equilíbrio quase perfeito entre risco e recompensa. 

Nesta obra canadiana vão estar monstros coloridos dispostos numa grelha onde a personagem que controlam, para eliminar estas criaturas, estará também a ocupar um dos espaços desta mesma grelha. A mecânica principal do jogo é muito simples e pode atingir alguns níveis de complexidade, mas nada que vos fará refletir em demasia. Do ponto em que a vossa personagem está, os jogadores terão de desbravar com a vossa espada através de criaturas da mesma cor, traçando um caminho que pode ir em oito sentidos - cima, baixo, esquerda, direita e as respetivas quatro diagonais. 

O objetivo passa por recolher pedras preciosas que não estão na grelha, mas que têm de ser obtidas através da aniquilação destes monstros. Têm de eliminar no mínimo dez monstros para conseguirem obter as tais pedras preciosas, contudo, o objetivo principal é o de matar uma quantidade pré-definida de monstros para abrirem o portão que vos leva ao nível seguinte. Embora possam eliminar a quantidade de inimigos que bem vos apetecer de cada vez, é muito mais gratificante conseguir-se limpar uma boa parte da grelha a cada ataque de fúria do nosso herói. 

Como é compreensível, não vão ter sempre uma dezena de criaturas a fazer fila para que possam recolher os minerais preciosos que tanto querem. Quando existe esta possibilidade de gerar uma grindstone (as tais pedras preciosas) têm que a aproveitar, visto que depois da pedra cair em cima de um monstro e ocupar o seu respetivo lugar na grelha, estas pedras permitem que continuem o vosso ataque em monstros de uma outra cor. Assim, a vossa estratégia terá de girar em torno desta mecânica, que se revela muito útil e igualmente divertida. 

Uma vez entendida a mecânica das pedras preciosas, o jogo lança-nos mais elementos que complementam e enriquecem a jogabilidade. Para vos impedir de realizar encadeamentos cada vez mais longos passará a haver monstros que vos atacam, inimigos mais fortes que precisam que tenham eliminado cinco ou mais criaturas antes de os atacarem. Ou para tornar o bloqueio mais simples, mas igualmente perigoso, poderão estar pedregulhos no meio da grelha, que podem ser ou não destruídos. 

Enfim, mesmo após dezenas de horas dedicadas a Grindstone, sinto que a Capybara Games ainda tem muito para me oferecer, até porque prevê-se uma enorme longevidade, pois há mais de duzentos níveis e quando tinha quinze horas acumuladas a jogar Grindstone tinha completado cerca de setenta níveis. E se isso não for suficiente, ainda há atividades diárias - Greed Grind e Quick Grind - que vos colocam a competir pela melhor pontuação contra jogadores de todo o mundo.

A simplicidade da jogabilidade, a forma como uma sessão de jogo flui sem problemas e a animação bem desenhada contribuem para que Grindstone nos dê um grande divertimento, sem que tenhamos noção do tempo a passar. Os próprios desenhos das personagens parecem ter saído de um desenho animado da Cartoon Network ou da Adult Swim. Embora se possa louvar a arte do jogo, sente-se que há pouca variedade de inimigos e, por conseguinte, uma certa repetição dos mesmos modelos de características que dão forma às personagens e criaturas que atacamos. 

Há níveis em que temos de parar para refletir as nossas próximas jogadas, de tantos elementos que existem no jogo, quase como uma partida de xadrez - o que trai a filosofia de simplicidade a que o jogo se propôs inicialmente oferecer. Podem levar até três itens (que têm um número muito limitado de utilizações) que vos ajudarão em situações de risco, como um escudo ou uma poção que vos permite saltar para qualquer sítio da grelha. É raro para quem joga ficar assoberbado com os elementos mecânicos da jogabilidade, mas quando tal acontece, têm simplesmente de se focarem em numa estratégia e executá-la. 

Tirar proveito de todas as vantagens que os jogo vos dá significa passarem por muito grinding equanto realizam quantidade assinalável de horas a recolher recursos para construir todo o tipo de equipamento para vos ajudar na resolução dos puzzles apresentados. Há fatos que vos dão vários tipos de vantagens, mas são os itens onde terão de colocar o vosso maior esforço. Os itens que existem para construir podem tirar-vos de uma situação mais aflitiva e mudar completamente o rumo da partida para conseguirem atingir os vossos objetivos. 

Ainda que possa parecer que há um excesso de mecânicas, o jogo nunca falhou no seu propósito: ser divertido seja qual for a experiência prévia do jogador. A simplicidade joga a favor de Grindstone, porque sempre foi e será divertido aniquilar linhas, colunas e diagonais de inimigos numa só jogada. Além da quantidade assinalável de níveis, pontualmente, há também alguns bosses que conseguem manterem-se fiéis à jogabilidade, sem nunca fazer ruir qualquer um dos seus pilares. 

Grindstone é uma autêntica maravilha da produtora canadiana, que desenha muito bem os seus jogos, não só esteticamente como nas mecânicas que constituem a base da experiência que entregam. Por isso, os dezasseis euros pedidos pelo jogo são um preço bastante justo para aquilo que oferece e, portanto, acaba por ser uma recomendação fácil para quem gosta de perder horas a jogar e ouvir música ou um podcast.