Sem sinais de querer abrandar num futuro próximo, a Telltale continua a conservar o estatuto de produtora mais prolífica da indústria. Poucos dias depois de ter concluído a mais fraca das temporadas de The Walking Dead, a casa californiana centra agora as atenções em Guardians of the Galaxy, a sua mais recente série episódica que foi resultado de uma parceria com a Marvel anunciada há já um bom par de anos. 

Guardians of the Galaxy Ep 2 Analise Imagens

Tal como o primeiro capítulo - Tangled Up in Blue -, Under Pressure, título deste segundo episódio, volta a mostrar-nos uma série à procura de encontrar a sua própria identidade, à procura de identificar aquilo que de melhor tem para oferecer, o que resulta e o que deixa a desejar. Ao contrário das míticas palavras proferidas pela personagem de Leonardo DiCaprio em Django Unchained, a aventura de Star Lord e companhia espicaçou a nossa curiosidade, mas infelizmente ainda não capturou a nossa atenção, o que após dois episódios torna-se preocupante.

Continuando a acompanhar as peripécias do grupo disfuncional que vai realizando a proteção da galáxia e cometendo várias ilegalidades no processo, o novo capítulo de Guardians of the Galaxy coloca os anti-heróis numa missão para descobrir as origens do misterioso artefacto conhecido como Eternity Forge. É por isso uma pena que seja precisamente essa linha narrativa o elemento mais desinteressante e desinspirado da série. Tem potencial para se tornar cativante no futuro, mas até ao momento ainda não convenceu o suficiente para justificar todo o tempo que lhe foi dedicado.

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Já o tinha dito no texto referente ao primeiro episódio e tal continua a aplicar-se ao seu sucessor: o humor continua a ser eficaz, mas usado de forma mais escassa do que seria porventura desejável. O humor é a forma mais fácil de combater os momentos - e são muitos - em que o ritmo abranda em demasia, contudo, a série tem-se mostrado muito cautelosa na altura de colocar o sentido de humor das personagens em evidência. Mesmo correndo o risco de exagerar, a produtora já provou - com Tales from the Borderlands, por exemplo - que consegue utilizar a comédia com mestria, pelo que talvez devesse apostar mais nesse elemento.

Guardians of the Galaxy está no seu melhor quando se concentra no seu elenco de protagonistas e isso fica bastante evidente neste episódio durante uma longa sequência dedicada a Rocket Raccoon e às suas origens. Sim, é certo que é uma forma fácil de desencadear emoções no jogador, especialmente através da utilização de uma banda sonora original que sabe perfeitamente aquilo que está a fazer, mas resulta. Não só porque nos dá uma melhor compreensão da personagem, mas sobretudo porque oferece um dos poucos momentos em que a produtora consegue encontrar o equilíbrio perfeito entre humor e drama, ainda que neste exemplo específico seja o segundo a ter mais destaque.

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É nesse equilíbrio que residirá o sucesso desta série episódica e até ao momento isso ainda não foi conseguido. Dito isto, os restantes membros do grupo precisam igualmente de mais oportunidade para brilhar, particularmente Groot e Drax, cujas interações têm sido escassas e pouco memoráveis. No fundo, temos uma obra cuja execução e conjugação dos seus diferentes elementos deficitários a impedem de se transformar em algo especial, ou seja, em algo que seja mais do que apenas bom, competente ou satisfatório.

Como não poderia deixar de ser, a música licenciada volta a marcar forte presença neste episódio, com especial destaque para Dancing in the Moonlight, de King Harvest, sendo utilizada de forma inteligente para quebrar a tensão e os efeitos de comicidade. Poder também ouvir a banda sonora durante os segmentos no interior da nave de Peter Quill é igualmente interessante. Graficamente, esta série continua a demonstrar a idade da tecnologia da Telltale, alternando entre efeitos de luz e atmosféricos interessantes com uma modelagem das personagens bastante fraca. Ainda assim, os problemas técnicos são mantidos a um mínimo aceitável desta vez.

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Concluindo, Under Pressure volta a ser um sólido episódio de uma série que ainda não descobriu a sua fórmula ideal para o sucesso. Rocket é o ponto alto de um capítulo que deixa o ritmo abrandar demasiado em diversas ocasiões e que ainda não percebeu a melhor forma de utilizar o seu sentido humor para preencher esses momentos de maior acalmia. Guardians of the Galaxy continua a ter potencial para mais, mas tarda em confirmá-lo. As cenas pós-créditos ao estilo de confessionário de Reality Show e a possibilidade de controlar momentaneamente os diferentes membros do grupo ajudam a diferenciá-la das restantes séries da produtora.