Normalmente, há jogos que me conquistam nos primeiros minutos. Com Halcyon 6: Starbase Commander, aconteceu-me precisamente o contrário: o jogo foi-me conquistando à medida que o jogava. Foi preciso errar consecutivamente para perceber o que o título de gestão no espaço queria de mim e, uma vez compreendido, já foi difícil de o desligar: queria dar mais um passo na proteção do último reduto da humanidade dos meus inimigos mais ferozes.

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A raça alienígena Chruul, esteticamente descendente da interpretação dos trabalhos de H. P. Lovecraft, quer eliminar de vez a raça humana, apoderando-se aos poucos do espaço federativo pertencente à última resistência dos humanos, até destruir o seu ponto nevrálgico: Halcyon 6. Esta base, que dá a denominação ao jogo, é de extrema importância e é aqui pelo qual passarão todos os eventos centrais deste título de gestão.

Vocês não estão sozinhos no espaço, há extraterrestres que vão manter contacto constante convosco. E muitos deles vão querer destruir ou até conquistar Halcyon para aumentar a sua influência no espaço intergaláctico. Este será um jogo de negociações, vocês decidem como querem levar a narrativa, se o que vos é proposto ou imposto com ameaças deve ser levado a sério, se devem tomar precauções dado que haverá sempre inimigos de um ou outro lado do espetro das civilizações que vos visitam. Vão fazer aliados, nem que seja temporariamente, para os ajudar em algumas missões para recuperar materiais perdidos, resgatar alguns dos seus membros num planeta que está a ser invadido ou protegê-los contra uma ameaça inimiga.

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Depois de uma série de objetivos que servem como uma aprendizagem para as mecânicas gerais de Halcyon 6: Starbase Commander, a vossa frota que parte para uma missão de modo a aproveitar uma fragilidade dos seus inimigos acaba por ser totalmente destruída pelos Chruul. É aqui que terão de recomeçar do zero na vossa base. Para poderem efetuar qualquer tarefa precisarão de comandantes nomeados por vocês. Além de poderem pilotar as naves, poderão explorar novos locais da base, construir novas instalações nesses mesmos locais e pesquisar tecnologia de ponta num determinado centro de operações. Por isso, os três primeiros oficiais que recebem podem parecer uma quantidade bem razoável, mas após explorarem tudo o que o jogo tem para oferecer vão perceber o quão escassa foi esta oferta.

Primeiro, há que escolher que classe desejam para os vossos comandantes entres três disponíveis: Ciência, Engenharia e Tática. Cada um deles tem as suas habilidades para utilizar no combate, tal como a possibilidade de serem mais rápidos a concluir uma operação se esta estiver relacionada com os seus conhecimentos académicos. Mas no que ao combate diz respeito, a área de maior influência desta escolha, a classe de Engenharia transforma os pilotos a assumir o papel de "tanque", já a Ciência é para quem quer desempenhar funções de "curandeiro", enquanto que a classe Tática torna as personagens com habilidades furtivas. As duas primeiras são as mais simples e as mais importantes de usar, mas com um elemento da última classe em jogo pode virar o jogo a vosso favor.

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É por isso que o combate funciona tão bem. Esta inspiração em combate por turnos que foram buscar a títulos JRPG, coloca uma elevada importância a cada um dos membros do grupo de combate. Estas batalhas espaciais ocorrem com frotas que podem ser constituídas no máximo por três elementos. Onde o combate propriamente dito brilha com mais intensidade é na combinação de ataques entre as várias classes já descritas. Com a nave do engenheiro podem abrir fendas no chassis da frota inimiga e no próximo turno usarem o cientista para aproveitar esta fragilidade exposta para provocar dano adicional ao inimigo. Em lutas bem disputadas por ambas as partes, esta utilização inteligente das habilidades únicas de cada classe pode significar uma viragem para o sucesso.

Infelizmente, onde o título hoje em análise se destaca também abre as suas lacunas ao longo do tempo. Ou seja, se por um lado é fantástico descobrir todos os sistemas e mecânicas à nossa disposição, também é verdade que estas se mantêm inalteradas depois de cinco batalhas ou de setenta e duas. Evoluir naves e Comandantes melhora consideravelmente a sua performance, todavia é algo subtil, incrementado nos números que definem as características de cada personagem e das naves que pilotam.

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Uma das atividades à qual vão dedicar muito do vosso tempo será a recuperação de recursos, visto que são esses que vos permitem construir, expandir ou ainda pesquisar novas tecnologias. As duas principais são "Materials" e "Dark Matter", a unidade monetária mais importante. Estes podem ser adquiridos nos espólios dos inúmeros combates que vão travar, na exploração da vossa própria base e, sobretudo, em muito maiores quantidades, nas fábricas da vossa base e nas colónias que exploram certos astros ricos em minério.

Há que manter uma certa frequência nas visitas para recolher recursos, assim como estar atento aos vossos inimigos Chruul, que vos colocarão sob pressão ao espalhar a sua frota pelas vossas colonizações no espaço controlado por vocês. Caso decidam ignorar a sua presença, ao longo do tempo acabarão por destruir o que vocês descobriram, construíram e investiram. O que acaba por ser a melhor estratégia é construir fábricas que construam recursos essenciais na vossa própria base. Assim, não vos é apresentado um dilema entre avançar nas missões ou salvar as vossas colónias.

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A escolha de uma arte centrada no desenho de píxeis funciona em parte, as animações que dão vida à ação ficam aquém do que é alcançado nas das personagens que vos contactam em videoconferência. As explosões e movimentações das naves durante o combate, é um pouco romba e rígida em determinados momentos.

Porém, se há um fator que vai determinar a compra do jogo por quem está a visitar o catálogo Steam, é o prazer em fazer escolhas difíceis e viver posteriormente com as consequências daí resultantes. Sejam boas ou más. É justo sermos penalizados porque decidimos ir mais longe no combate, quando podíamos regressar à base sãos e salvos? Sim, é. Ainda mais recompensador é arriscar a nossa melhor frota contra inimigos que parecem estar no culminar da nossa destruição, jogamos de forma inteligente e acabamos definitivamente contra a ameaça iminente, que ficava cada vez mais difícil. E claro receber o grande prémio pelo qual ansiávamos.