Depois de criar vários títulos da série Halo, a Bungie abandonou a série e deixou uma pesada herança para a nova produtora. Halo 4 é assim o primeiro grande título realizado pela 343 Industries e a expetativa em torno do seu lançamento não podia ser maior.

Segundo a Microsoft, o desenvolvimento deste título é o mais caro da sua história. Na verdade, há um trabalho importante por detrás de Halo 4. Entre outras coisas, este deverá ser um dos últimos grandes exclusivos a marcar presença na Xbox 360, consola que apareceu no final de 2005 e deverá em breve receber uma sucessora.

Em Halo 4, os acontecimento sucedem depois de Halo 3. Reach, o último título da Bungie, funcionou como uma espécie de prequela a nível argumental face aos acontecimentos de Combat Evolved. Muita coisa mudou desde a última aventura de Master Chief mas as tréguas com os Covenant parece não ser uma delas. Já os Elites, voltam a estar contra os avanços da UNSC e da humanidade, mas por diferentes razões.

Estamos em 2557, quatro anos, sete meses e 10 dias após os eventos de Halo 3. Na defensiva, os humanos têm agora tecnologias avançadas que permitem atacar. A aliança alienígena é apenas a sombra da poderosa facção que era no passado. Diante deste contexto, a primeira missão da campanha single player de Halo 4 abre a bordo do CSNU Forward Unto Dawn, destruído por um convidado surpresa.

A campanha de Halo 4 é desfrutável a solo, apesar de haver pontos em que morremos infinitas vezes, mas é mais fácil que nos antecessores. Nota-se que alguns campos de batalha foram construídos para serem desfrutados em modo cooperativo. Por outro lado, ao contrário de Reach, Master Chief irá deslocar-se muitas vezes sozinho, sem a presença de inimigos. Já em modo cooperativo, consegue-se criar as condições ideias para uma batalha. A 343 Industries manteve um modo para até quatro jogadores online ou dois jogadores em ecrã dividido.

Halo 4 tem uma das campanhas mais intensas e variadas que se podem jogar atualmente na consola da Microsoft. O ritmo em cada missão é elevado e inclui grandes zonas de confronto. Grunts e Elites um pouco por todo lado, com veículos pelo meio, diferentes tipos de arma, coberturas... Tudo com grande ritmo.

A grande variedade de situações deve-se, em parte, ao desenho dos níveis criados. Requiem, o planeta onde nos encontramos, está recheado de segredos e contraste a nível de localizações. A nossa habilidade com armas e veículos determina, na maioria das vezes, a forma como defrontamos dezenas e dezenas de inimigos, que surgem por todo o lado. No entanto, apesar dos grandes espaços e zonas para todo o tipo de veículos e inimigos, estes são algo menores, quando comparados com Halo 3 ou Reach. Ainda assim, consegue ser superior à concorrência.

Esta perda de amplitude dos combates é compensada pela sua grande intensidade protagonizada por uma das maiores virtudes de Halo 4: os Prometheus. Estas máquinas de matar são os novos inimigos de Master Chief e convertem-se na combinação mais letal que já se viu na série. Claro que os Covenant também estão presentes com tudo aquilo que nos habituaram. Podem encontrar Grunts, Elites e alguns Hunters. A mecânica já é conhecida: muito uso de pistolas de plasma, Elites com muita agilidade, no entanto, menos duros do que em Reach.

Os veículos continuam a ser muito importantes neste jogo. A grande variedade de veículos inclui os populares Warthog, Ghost e Banshee, bem como outros conhecidos do universo Halo: Wraith e Pelican. Saber como os utilizar, para nos defender e atacar, é imprescindível. Para além destes, um dos veículos mais destacados é o Mantis, uma espécie de Mech que relembra muito Metal Gear.

A nível de armamento, e graças aos Prometheus, temos uma enorme quantidade de armas. Temos uma nova rifle de batalha, explosivos adesivos, novas carabinas... um vasto arsenal, como em poucos videojogos atualmente.

Em suma, é uma campanha que cumpre com as expetativas, como uma das melhores da série, graças aos novos inimigos, a variedade de situações que nos oferece em cada missão e o genial modo cooperativo.

Para além da campanha, os modos de jogo multijogador são, sem dúvida, um dos pilares deste Halo 4. Spartan Ops é um novo modo de jogo que favorece a cooperação entre amigos, seja com quatro jogadores online ou dois em ecrã dividido. Também é possível jogarem sozinhos, se assim quiserem. Este é o substituto do modo tiroteio, que foi abandonado com a partida da Bungie. A mecânica é interessante e a apresentação de Spartan Ops vem precedida de uma sequência cinemática que nos indica as tarefas a realizar, paralelas aos acontecimentos protagonizados por Master Chief no modo campanha.

A diferença entre o tiroteio e o Spartan Ops é fácil de perceber. No primeiro caso era um espaço fechado em que recebíamos rondas de inimigos cada vez mais complicadas. Já no segundo caso, são pequenas missões que temos de superar, como desativar reatores, inspecionar uma zona, etc. Outro conceito importante do Spartan Ops é o facto de as vidas serem ilimitadas.

Relativamente a outros modos de jogo multijogador, manteve-se praticamente tudo igual. No total temos agora 13 mapas, uma quantidade superior ao que era visto anteriormente e que se destaca pelo seu desenho. Temos, por exemplo, múltiplos caminhos para chegar a um mesmo ponto, o que se traduz em elementos do mapa diversificados e não idênticos. No entanto, nem todos os mapas estão disponíveis em todos os modos, já que alguns seriam demasiado grandes para alguns casos. De notar que existe um passe de temporada previsto com três pacotes de mapas, o que fará ascender o número total de mapas a mais de vinte.

Outro dos aspetos importantes relativamente ao modo multijogador, diz respeito à personalização do nosso Spartan. Não se trata de escolher uma habilidade e pouco mais, como em Reach, mas sim adaptar o nosso soldado de maneira que se adapte totalmente à nossa forma de jogar. À medida que vamos subindo de nível vamos desbloqueando distintos parâmetros que podemos utilizar para completar o nosso Spartan. Temos uma arma principal, uma arma secundária, granadas e habilidades.

Quanto às habilidades, temos algumas novidades. Temos ao nosso dispor uma visão de Prometheus que nos permite ver através de paredes e detetar inimigos e um propulsor que nos permite mover durante um curto espaço de tempo a grande velocidade. Por outro lado, já não existe a armor lock, mas mantém-se o jet pack, camuflagem ativa e holograma.

Ainda no que diz respeito à personalização, temos o pacote tático, que nos permite contar com outras habilidades como sprint infinito, utilizar a arma principal no lugar da secundária, levar mais granadas, entre outros. Por último, temos as melhorias de apoio: maior capacidade de munição, trocar de arma mais rapidamente, etc.

As medalhas pelos nossos atos estão de volta, tal como os pontos de experiência, que vamos somando com o passar das nossas ações e que nos servem para subir de nível e desbloquear elementos, por exemplo, estéticos.

Outro dos pilares de Halo 4, diz respeito ao modo Forge. Este permite-nos modificar os mapas multijogador e adaptá-los, sendo que é possível modificar a posição de objetos e fundi-los. Temos ainda o modo Cine que está presente nos modos multijogador e permite-nos recuperar as melhores partidas que tivemos, ver imagens curiosas e partilha-as com o mundo.

Passando agora para o departamento gráfico, Halo 4 beneficia de um salto gráfico considerável, quase impensável para uma consola que já vem de 2005. Vemos um acabamento nos modelos de personagens cheios de detalhes em todos os sentidos: texturas muito mais detalhadas e complexas. Para tal basta ver a fantástica qualidade das armas nas mãos de Master Chief. Já os cenários, são enormes e contam com todo o tipo de detalhes bem recriados, sejam estruturas futuristas, zonas vegetais ou desertos. O acabado geral é espetacular tanto pela profundidade da visão como pela imagem que se vê enquanto lutamos em espaços abertos.

Apesar das dezenas de inimigos, estes apresentam uma IA consistente e o jogo funciona de maneira sólida. A isto acrescenta-se luzes realistas, efeitos especiais como disparos e explosões verosímeis, física de grande qualidade, etc.

A banda sonora é outro dos aspetos que merece menção. O'Donnell, autor da anterior banda sonora do jogo, decidiu continuar com a Bungie, o que obrigou a 343 Industries a encontrar uma nova pessoa para este departamento. O escolhido foi Neil Davidge e o resultado... convence. Halo 4 conta agora com uma banda sonora muito mais convencional, mas bem adaptada à realidade das missões. Algumas têm um toque brilhante, como as da primeira e da última missão. Já os disparos e explosões também se apresentam com boa qualidade.

Em jeito de conclusão, a 343 Industries conseguiu cumprir os objetivos e oferecer um jogo de extrema qualidade, não ficando nada atrás dos seus antecessores criados pela Bungie. A produtora conseguiu manter-se fiel ao universo Halo, adicionando o seu próprio ponto de vista. Halo 4 assume-se assim como um dos melhores jogos atualmente disponíveis para Xbox 360.