por - Jan 13, 2016

Hatoful Boyfriend: Holiday Star Análise

Fazendo jus ao seu nome, a produtora PigeoNation Inc. chegou ao radar de muitos jogadores através do lançamento de obras peculiares que retiram o ser humano do papel de maior protagonismo e o substituem por animais que utilizam as asas para se movimentarem pelo mundo e cujo método de locomoção desde sempre foi observado com olhos invejosos por parte dos nossos antepassados.

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Lançados originalmente em 2011 no Japão, Hatoful Boyfriend e Hatoful Boyfriend: Holiday Star foram retrabalhados e disponibilizados no ocidente pela Mediatonic, aproveitando esta oportunidade para chegar a uma audiência mais vasta de jogadores que provavelmente estaria completamente alheia à sua existência. Se Hatoful Boyfriend chegou às consolas da Sony em meados de 2015, Holiday Star viu o seu lançamento acontecer em simultâneo no PC, PlayStation 4 e PlayStation Vita no final do passado mês de dezembro.

Apresentando-se como uma sequela de Hatoful Boyfriend, Holiday Star é indubitavelmente uma experiência criada para os fãs do título original, pelo que, se não jogaram ou não gostaram da obra anterior, dificilmente encontrarão aqui algo capaz de voz manter interessados durante a totalidade das suas várias narrativas. Uma vez que o jogo assume desde logo que o jogador está familiarizado com o seu universo e personagens, é bastante provável que se sintam completamente perdidos durante a experiência.

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Assumindo o controlo de uma jovem humana num mundo onde os humanos já há muito deixaram de ser a espécie dominante, o título conta a sua narrativa através de quatro episódios principais – de duração variável entre 1 e 2 horas – e seis episódios curtos que têm lugar durante o período de festividades que marca o final do ano civil e que servem sobretudo para cimentar algumas das personagens que não tiveram tempo para brilhar na obra original.

Apesar de se apresentarem como episódios individuais com princípio, meio e fim, todos eles têm um fio narrativo que os liga entre si para formar uma história mais abrangente e coesa. Significa isto que, por exemplo, os eventos do primeiro episódio contam uma narrativa completamente diferente dos eventos do último episódio, mas as interações entre as várias personagens são influenciadas pelos acontecimentos dos capítulos anteriores, já que os vários episódios têm lugar no espaço de poucas semanas.

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Infelizmente, para um título que coloca tanto ênfase na sua componente narrativa, não fosse Holiday Star essencialmente uma aventura gráfica em que a maior parte da intervenção do jogador passa por clicar num botão para obter a linha de diálogo seguinte, a obra da PigeoNation deixa muito a desejar, oferecendo uma história que apenas se torna vagamente interessante no último capítulo, fase em que provavelmente já muitos jogadores terão desistido de continuar.

Este é na verdade o principal problema do título. Para aqueles que não jogaram Hatoful Boyfriend, a sua sequela é incapaz de manter os jogadores investidos na narrativa e nas personagens envolvidas na ação. Não foram raros os momentos em que dei por mim a cair num estado de total letargia, tal era a falta de entusiasmo e aborrecimento que a obra me estava a proporcionar.

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Apenas no último episódio principal me senti motivado para prosseguir com a narrativa até ao fim, mas para chegar lá foram precisas algumas horas de completo desinteresse que certamente nem todos os jogadores estarão disponíveis para ultrapassar. E mais do que o arco narrativo propriamente dito, são as personagens, as suas personalidades e as suas interações que nos vão motivando para continuar a aventura, tarefa que estará claramente facilitada para quem jogou o título original e já estiver familiarizado com as mesmas.

Tendo em conta o falhanço da narrativa em nos cativar verdadeiramente, a falta de interatividade do título e de intervenção por parte do jogador na ação contribui ainda mais para o clima de aborrecimento que circunda toda a experiência. Para além de serem poucos, os momentos de decisão consistem simplesmente em situações de sucesso ou fracasso, ou seja, caso escolham a opção errada, o episódio termina abruptamente e têm de começar tudo de novo, uma vez que o título não grava o progresso automaticamente. Felizmente, a obra permite fazer fast foward, pelo que nunca terão de esperar muito para regressar ao momento da decisão.

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Também não posso deixar de mencionar que a narrativa é contada totalmente através de caixas de diálogo, sendo que nenhuma das quais se encontra vocalizada. Como é óbvio, este facto facilita ainda mais a queda no desinteresse por parte do jogador, pois a escrita está longe de ser boa o suficiente para que a leitura das linhas de diálogo seja um método agradável de experienciar a obra. Como se isso não bastasse, a música ambiente que acompanha a experiência nunca se destaca verdadeiramente, sendo a sua presença apenas é notória devido aos largos e frequentes períodos em que a banda sonora utilizada é o silêncio absoluto.

Em suma, Hatoful Boyfriend: Holiday Star é uma obra produzida apenas com os fãs do título original em mente, oferecendo mais informações sobre as personagens que se destacaram nessa entrada, mas que não se esforça minimamente para introduzir novos jogadores ao seu universo. O humor proveniente da peculiaridade da situação, ou seja, o facto de os protagonistas da narrativa serem aves ao invés de humanos, dura pouco e acaba por se tornar rapidamente desinteressante. Se tivesse que classificar a minha experiência com Holiday Star com apenas uma palavra, essa palavra seria aborrecida, pelo que a aquisição de esta obra apenas se justifica se tiverem gostado do título original.

veredito

Hatoful Boyfriend é uma experiência peculiar. Infelizmente, isso não é sinónimo de uma experiência interessante.
5 Personagens tornam-se interessantes. Pouca interatividade. Banda sonora desaparece com frequência. Aborrecido.

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Hatoful Boyfriend: Holiday Star

para PC, PlayStation 4, PS Vita

Sequel of the avian romance sim

Lançado originalmente:

22 December 2015