Os parques de diversões não são propriamente uma novidade nos videojogos, mas criar um como a obra nipónica publicada pela XSEED Games fez é, no mínimo, original. Porém, a determinação da produtora em entregar um trabalho para satirizar o género JRPG acabou por enfraquecer a jogabilidade, pois esta torna-se bastante repetitiva a curto prazo.

A narrativa é o elemento sobre o qual a equipa da FuRyu e da Netchubiyori Limited mais se debruçaram. Como o argumentista de Heroland é Nobuyuki Inoue, que se destacou pelo seu labor em Legend of Mana e Mother 3, percebe-se o motivo da comédia funcionar bastante bem. Visto ser um jogo japonês, é também provável que tenha havido dificuldade na tradução de Heroland e é óbvio que estamos perante uma obra que depende de uma boa localização para que os jogadores possam entender todas as expressões idiomáticas que fazem parte da região onde foi feito o jogo, mas felizmente quem traduziu o jogo fez um trabalho notável.

Não é nenhum exagero afirmar com veemência que o argumento é o melhor da obra publicada pela XSEED Games, mesmo que o humor não tenha subtileza nenhuma. As piadas sobre videojogos, em especial acerca do género JRPG, são contadas de forma descarada e funcionam ao ponto de conseguir fazer-nos esboçar mais de que um sorriso, não sendo raras as vezes em que o riso saiu alto. Isto deve-se, sobretudo, às personagens que o jogo destaca, porque sem estas personalidades fortes e bem construídas, nem valeria a pena adquirir Heroland.

Vocês interpretam um jovem, ao qual lhe foi dado o nome de Lucky, à procura de uma forma de ajudar os pais com o salário que receberá como funcionário de um peculiar parque de diversões. Em Heroland (que também é o nome do parque de diversões), os visitantes têm oportunidade de viverem uma experiência digna de um clássico RPG dungeon crawler nipónico, onde assumem o papel de guia turístico dos grupos de visitantes que aparecem no vosso local de trabalho. A vossa responsabilidade passa por dar a melhor experiência possível a quem se aventura nestas masmorras do vosso parque temático.

Na prática, têm de impedir que os vossos colegas de trabalho, que assumem o papel de vilões, aniquilem o vosso grupo de turistas. Quando ocorrem batalhas, que se processam automaticamente, têm de intervir pontualmente, de modo a que os vossos colegas laborais não façam a barra de saúde dos vossos clientes chegar a zero. Uma dessas formas de atuação pode passar por sugerir aos elementos do vosso grupo que usem determinadas técnicas de combate ou de apoio à equipa. Ou seja, na prática a experiência acaba por ser vossa, porque o processo de dar a vitória aos vossos clientes não existe, como é óbvio.

Sim, são vocês que pressionam os botões do comando e inclinam os analógicos para alcançar a vitória. Infelizmente, são também vocês que se aborrecem por não existir uma jogabilidade que vos motive a estar embrenhados no combate. A história é um bom estímulo para continuarmos a estar interessados nas vidas dos nossos clientes, mas é uma pena que a jogabilidade não esteja ao mesmo nível do argumento, porque continuar significa passar por um processo que temos de repetir diversas vezes e este ciclo é algo que cansa a longo prazo, o que nos impele a encurtar as nossas sessões com Heroland, em vez de as prolongar.

O título da XSEED Games não é só e apenas narrativa e aventuras em dungeon crawling. Se querem ter mais sucesso ou mantê-lo, podem e devem visitar uma loja para material ainda melhor. Só assim o vosso grupo ficará mais capaz de aguentar os inimigos, sem que Lucky tenha de intervir constantemente a meio das batalhas. É por isso que há uma certa importância em manter os vossos clientes felizes, tal como continuar a ter um nível de amizade suficientemente alto para desbloquear novas habilidades que aplicarão durante os combates.

No que toca à apresentação, Heroland não é o melhor exemplo de como se deve usar a técnica do pixel art. Num cenário estático, as personagens são desenhadas com vários píxeis de maiores dimensões e, apesar de serem modelos tridimensionais, nota-se que são finos como os píxeis que entram na sua composição. Ou seja, as personagens movimentam-se como se fossem umas folhas grossas de papel. É uma escolha estranha para a direção artística, embora não prejudique, de forma alguma, o jogo no seu cômputo geral.

Se querem rir-se um bocado, Heroland é uma boa proposta, principalmente se são fãs de jogos JRPG. Risos à parte, o conteúdo que existe para experienciar é lamentavelmente repetitivo. A grande valência é mesmo a excelente escrita que nunca chega a pisar as linhas da brejeirice ou do humor mais ácido; não há muita subtileza no conteúdo cómico, mas é bem empregue ao longo dos diálogos da totalidade do jogo.