Tal como tem sucedido desde o lançamento do primeiro episódio do novo Hitman em março, a IO Interactive tem presenteado, todos os meses, os seus jogadores com um novo capítulo da aventura que levará o protagonista a vários pontos do globo à medida que uma conspiração de largas dimensões nos vai sendo lentamente apresentada. Goste-se ou não da implementação do formato episódico nesta série, a verdade é que este tem forçado os jogadores a esgotarem todas as opções oferecidas por cada missão em busca do domínio total de todos os elementos.

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Caso a obra tivesse sido disponibilizada na sua totalidade de uma só vez, como sempre aconteceu com as anteriores entradas da série, dificilmente existiria uma motivação real para repetir os mesmos assassinatos múltiplas vezes em busca de novas e cada vez mais criativas formas de cumprir os objetivos traçados. Desta forma, o conteúdo episódico é uma estratégia inteligente para não só manter a comunidade ativa durante um longo período de tempo, mas também para comprovar o excelente trabalho da produtora no design das suas missões e dos "pequenos" mundos abertos que as acompanham, oferecendo uma experiência agradável independentemente do método como a decidirem abordar.

Dito isto, Marrakesh, o terceiro capítulo e localização da mais recente aventura protagonizada por Agent 47, está longe de ser o melhor exemplo das capacidades da IO Interactive, fixando-se para já como o episódio mais fraco e desinspirado do título. Não significa isto que a visita a Marrocos de um dos mais eficazes e temíveis assassinos seja uma má experiência, muito pelo contrário. A nova localização retém todos os condimentos que fazem desta série uma das melhores do seu género, mas quando colocada lado a lado com Paris e Sapienza, os anteriores episódios da obra, é inegável que esta entrada é incapaz de nos cativar desde cedo, acabando por não corresponder às expectativas.

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Ainda assim, tal como os seus antecessores, a cidade marroquina destaca-se igualmente pela sua atmosfera, substituindo o "showbiz" de Paris e o sol relaxante de Sapienza por um clima de tensão palpável criado pela iminência do início de uma revolução civil no centro da qual estão os dois alvos de esta missão, um general do exército e um criminoso em fuga com bolsos largos o suficiente para financiar uma revolução que provocará a morte de milhares de cidadãos. Como é óbvio, o objetivo da missão não passa pela preservação de vidas inocentes, mas sim por garantir a manutenção no poder do governo com o qual a Agência tem fortes ligações.

Desde o momento em que iniciam a exploração de Marrakesh até à inevitável fuga sorrateira, é visível uma clara tensão em todos aqueles que percorrem as ruas da cidade, seja pelo elevado número de militares armados em patrulha, as manifestações juntos às bases improvisadas do exército e sobretudo a forma menos simpática como alguns transeuntes reagem aos nossos encontrões, sendo difícil perceber de que lado da barricada se encontra neste conflito. Infelizmente, a atmosfera não é suficiente para tornar esta localização interessante, isto porque a ausência de diversidade de áreas faz com que a totalidade do mundo pareça demasiado monocromático e desinteressante. A vivacidade e panóplia de cores que caracterizava os ambientes de Paris e Sapienza eram elementos fulcrais para cativar o jogador, algo que simplesmente não acontece aqui.

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Estranhamente, o mais recente capítulo de Hitman sofre também devido ao elevado número de transeuntes nos seus espaços abertos. Se, por um lado, isto obriga o jogador a ser paciente e a um maior planeamento das suas ações, por outro lado, o facto de em praticamente todos os cantos do mapa existirem NPC's à espreita dificulta imenso o nosso trabalho e leva a vários minutos de perseguição a um alvo na expectativa que este se dirija até um local remoto o suficiente para obtermos o seu disfarce, algo que muitas vezes nem chega a acontecer.

O maior grau de exigência pode ser um ponto positivo para os jogadores mais dedicados, mas depois de dois episódios que fizeram todos os processos envolvidos até ao momento de o assassinato surgirem de forma natural e prazerosa, optar por introduzir janelas de oportunidade bem mais reduzidas e rebuscadas do que aquelas verificadas nos capítulos anteriores acaba por ser uma decisão algo duvidosa e com resultados mistos. Sim, continuam a existir inúmeros métodos para concluir os assassinatos, mas cada um dos passos que vos permitirá aproximar dos alvos está bastante mais trabalhoso e aborrecido do que aquilo que seria desejável.

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Para além dos já mencionados anteriormente contratos de agravamento, o mês viu também a estreia dos Alvos Elusivos, missões com alvos que apenas estão disponíveis durante uma curta janela de tempo e aos quais apenas têm direito a uma única tentativa. Com informações extremamente reduzidas sobre o alvo e sem a possibilidade de usarem o modo instinto para o detetarem na multidão, os Alvos Elusivos são o maior teste à habilidade do jogador e o sucesso nos mesmos está apenas ao alcance dos mais habilidosos. No entanto, não se percebe porque é que estes não são lançados em simultâneo com os novos episódios aproveitando dessa forma o influxo de jogadores que se verifica sempre que novo conteúdo é adicionado.

Graficamente, Hitman continua um a ser título bastante poderoso e extremamente bonito, ainda que, tal como já referi, não seja visualmente tão cativante como os episódios anteriores, nem sequer possua a mesma variedade de cenários. Adicionalmente, os problemas técnicos continuam a afetar a experiência, sobretudo os ecrãs de carregamento que se arrastam por demasiado tempo. Para além disso, a framerate volta a soluçar nos momentos em que o número de personagens no ecrã aumenta.

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Em suma, o terceiro capítulo do jogo episódica da IO Interactive é o mais fraco de todos os lançados até agora, contudo, oferece igualmente a jogabilidade diversificada e que dá aos jogadores completo controlo das suas ações que popularizou a série. Algumas decisões relativamente ao mapa do jogo e aos processos intrínsecos à experiência resultaram num episódio menos espetacular e satisfatório que os anteriores, mas existe ainda muito para entreter os jogadores durante largas horas.