Hitman é uma das melhores experiências de 2016. Já o era antes do lançamento do capítulo final, mas Hokkaido, a última localização da aventura de estreia de Agent 47 na atual geração de consolas, serviu para cimentar ainda mais esse estatuto e relembrar que o título é, acima de tudo, um produto da resposta dos produtores a todas as críticas dos fãs mais acérrimos às entradas mais recentes da série de ação furtiva. Hitman tem dado aos seus jogadores aquilo porque eles mais clamavam e foi graças a isso que se tornou rapidamente num caso de sucesso, mesmo que o modelo episódico continue a ser, na minha opinião, altamente questionável.
Como já foi referido, o último episódio da primeira temporada - sim, uma segunda temporada já foi entretanto confirmada -, leva-nos até Hokkaido, uma das maiores ilhas do território japonês. Mais concretamente, o título tem lugar numa restrita e tecnologicamente avançada instalação médica, denominada Gama e localizada no pico de uma montanha coberta de neve. Gerido em larga parte por uma inovadora Inteligência Artificial, o hospital privado faz uso de procedimentos alternativos, e em alguns casos ilegais, para obter resultados milagrosos e assegurar a saúde e bem-estar dos seus pacientes.
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Uma vez que todo o edifício é controlado pela KIA, nome da Inteligência Artificial, muito do vosso tempo será passado a tentar ganhar acesso às diferentes áreas do hospital. Como? Através dos disfarces, pois claro. Tal como o título nos faz questão de informar nos primeiros segundos após a assumirem o controlo do assassino profissional, a KIA identifica os funcionários e o seu acesso às diferentes áreas através dos seus uniformes, o que significa que obterem o disfarce de um dos seguranças vos dará acesso aos pisos superiores e mais fortemente patrulhados da instituição, mas certamente não vos permitirá chegar até à ambicionada sala do cirurgião.
Dito isto, o capítulo final de Hitman está bastante longe da dificuldade apresentada pelo seu antecessor. Colorado era exigente, não só pela quantidade de alvos, mas sobretudo pelo processo e período de aprendizagem pelo qual obrigava o jogador a passar para que pudesse finalmente concluir a missão com sucesso. O mais pequeno erro era sinónimo de fracasso, contudo, todos esses erros eram fulcrais para se aprender o que resulta e o que não resulta, as rotas mais adequadas e a ordem pela qual os assassinatos deveriam ser realizados. Esse processo não está presente em Hokkaido, o que poderá desiludir alguns, especialmente porque fazia sentido que a derradeira missão fosse a mais exigente e que testasse mais a habilidade do jogador.
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Esta é muito provavelmente a razão pela qual o sexto episódio de Hitman deixará os jogadores desapontados no momento em que os créditos começarem a rolar pelo ecrã. Não porque estamos perante um capítulo de qualidade inferior, mas sim porque, enquanto conclusão de um título, aventura ou temporada, falta alguma espetacularidade e impacto à nova missão. Na verdade, Colorado seria uma conclusão bem mais interessante para a primeira temporada do título, ficando no ar a pergunta sobre o porquê de a ordem dos dois últimos episódios não ter sido invertida.
Uma coisa é certa, não foi certamente devido à narrativa, porque também aqui a mais recente missão de Agent 47 deixa bastante a desejar. Hitman não vive através da sua história ou graças ao seu elenco de personagens memoráveis, mas este título merecia mais e melhor. Completamente desconexa devido ao modelo episódico adotado pela obra, a cinemática que encerra o novo episódio é apenas mais um exemplo da paupérrima atenção dada a esta componente, colocando em foco duas personagens com as quais não temos qualquer ligação emocional e falhando por completo em aguçar o apetite para o que poderá chegar no futuro.
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Mas como é na jogabilidade que está o maior trunfo da série, o jogo da IO Interactive opta, de forma inteligente, por colocar toda a sua atenção neste departamento. Isto porque, independentemente da qualidade da narrativa, é a jogabilidade que fará os jogadores regressar vezes sem conta à experiência e será ela que os incentivará a experimentar diferentes estratégias e a desafiarem-se a si próprios. Aqui, Hokkaido não desilude. Pode não ser o mais cativante episódio da primeira temporada, mas isso apenas comprova o quão elevada a barra tinha sido colocada pelos seus antecessores.
Se bem se lembram, a principal crítica que apontei ao episódio de Colorado estava relacionada com a sua componente estética. Pois bem, Hokkaido e o seu hospital num pico montanhoso é claramente um local bem mais interessante de se explorar e que oferece uma variedade mais agradável de ambientes, ainda que nunca cheguem a abandonar o edifício. Como é óbvio, a localização a elevada altitude da instituição é uma desculpa perfeita para o título nos presentear com imponentes vistas invernosas e um horizonte que merece ser observado com atenção.
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Concluindo, o sexto capítulo de Hitman é mais uma adição de qualidade ao catálogo do título episódico. Não é o melhor que a obra tem para oferecer, mas Hokkaido tem todos os condimentos que têm captado a atenção do jogador e volta a ter o potencial para oferecer muitas horas de jogo até finalmente terem um domínio total da localização nipónica. Por outro lado, a narrativa é uma desilusão e falha em entusiasmar os jogadores relativamente ao futuro. Mesmo não sendo a mais espetacular das conclusões, a primeira temporada de Hitman termina de forma positiva e solidifica a sua posição entre as melhores obras de 2016.

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