Responsáveis pela aclamada série de Role Playing Games de ação Torchlight, a Runic Games regressou recentemente à ribalta com uma obra que rompe com a fórmula que a produtora vinha estabelecendo com os seus lançamentos anteriores. Em vez de mais um RPG, o estúdio de Seattle traz-nos um mais tradicional jogo de ação, aventura e plataformas 3D que prometia oferecer uma experiência capaz de nos fazer recordar as melhores experiências de um género que não é, atualmente, tão prevalente como em tempos já foi.

Hob Imagens Analise

Depois de mais de dez horas passadas com o título e concluída a sua campanha, fica claro que esta foi uma aposta acertada por parte da produtora. Hob é uma experiência recheada de charme, que denota uma clara dedicação e atenção ao detalhe na criação de todos os componentes do seu mundo. Uma experiência que, mesmo com vários momentos de combate, nos coloca frequentemente num estado de enorme tranquilidade e relaxamento, que gere o ritmo de forma inteligente em todos os momentos da sua aventura.

Apesar de beleza do cenário e da tranquilidade aparente que paira neste mundo, a aventura não demora muito a mostrar-nos que algo está terrivelmente errado. Libertado de uma aparente prisão por uma criatura rochosa, o protagonista vê o seu braço ser-lhe amputado logo nos primeiros minutos, provando que esta não será uma aventura fácil para si e para o seu aliado. Uma vez que não existe qualquer tipo de diálogo - perceptível, pelo menos -, a história é deixada um pouco à interpretação do jogador, mas o objetivo final é claro: fazer regressar a vida a este mundo e eliminar todo os vestígios de corrupção que o impedem de florescer.

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Mesmo sem colocar demasiado ênfase na sua narrativa, Hob utiliza os seus excelentes visuais para recompensar o jogador pela sua progressão, fazendo questão de lhe mostrar o impacto que a suas ações vão tendo no mundo que o rodeia. Afinal de contas, este é um título extremamente bonito em que vários elementos do cenário parecem ser feitos de papel e abanam de forma constante ao sabor do vento. A existência de vida selvagem - com a qual podem interagir - ajuda também a tornar este mundo um pouco mais real, servindo novamente para salientar o efeito positivo das ações realizadas por nós.

A banda sonora minimalista permite também ao jogo destacar os sons da natureza, dos pássaros a cantar, da água a fluir, enfim, da vida a decorrer de forma natural. Na verdade, o único departamento técnico em que o título acaba por desiludir é na sua performance, isto é, na manutenção de uma framerate sólida. À medida que vão progredindo na aventura e desbloqueando acesso a novas áreas do mundo, também a framerate vai cada vez mais acusando o toque, apresentando-se em algumas secções a níveis bastante sofríveis. Nunca é suficientemente para prejudicar a jogabilidade, mas é bastante irritante e uma nódoa num jogo que não tem problemas de maior.

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Como já referi, Hob tem na forma como gere o equilíbrio entre os momentos de combate, a resolução de puzzles e o segmentos de plataformas o seu melhor trunfo. Com um mundo de dimensões simpáticas que vai abrindo novos caminhos e locais à medida que o jogador vai progredindo, o título consegue fazer com que nunca estejam a realizar o mesmo tipo de ação durante demasiado tempo seguido. Claro que ajuda que cada um destes elementos sejam, de forma separada, bastante sólidos, contudo, é na já mencionada alternância entre eles que a obra consegue evitar cair numa sensação de monotonia ou num ciclo repetitivo.

O combate, embora simples, é bastante aprimorado. Assente na utilização de ataques com a espada do protagonista, o jogador terá de se esquivar dos ataques dos inimigos mais poderosos, bem como utilizar o seu novo braço rochoso para destruir armaduras inimigas e o gancho para lhes arrancar proteções. Consoante a dificuldade do inimigo em questão, o jogador terá de ser mais ou menos cuidadoso na sua abordagem e, apesar de nunca se tornar demasiado difícil, o combate faz o suficiente para representar um desafio divertido de superar e recompensador.

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Por sua vez, as plataformas também nunca primam pela exigência, não pedindo precisão ao jogador, mas sim que descubra a forma de chegar ao seu objetivo através da resolução de puzzles, também eles pouco exigentes. Na verdade, as únicas vezes em que fiquei preso no jogo sem saber o que fazer a seguir deveram-se a não encontrar o caminho correcto para progredir, umas vezes por minha culpa, outras vezes por má - ou falta de - indicação da obra. Hob não pretende fazer-vos chocar contra uma parede com frequência, pelo que não esperem grandes desafios à progressão ao longo da aventura.

Como qualquer jogo do género que se preze, a obra da Runic Games está recheada de atalhos e segredos para descobrir. Se os atalhos permitem abrir caminhos anteriormente impedidos e assim facilitar a livre exploração do mundo, os segredos espalhados pelo mundo surgem sob a forma de borboletas, cristais, esferas de energia, pedaços de espadas e frutos. Todos estes segredos estão intimamente ligados ao sistema de melhorias da personagem. As esferas de energia aumentam a barra de stamina, enquanto os frutos aumentam a saúde do protagonista.

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Para além disso, os jogadores podem também regressar a oficina - desbloqueada no início da aventura - para melhorar a vossa espada com os pedaços entretanto obtidos, bem como adquirir melhorias através dos cristais e borboletas. Algumas das melhorias envolvem socos mais poderosos, novas vestimentas com diferentes vantagens, um escudo protetor de ataques inimigos e até combinações de ataques mais poderosos com a espada. Podem não alterar de forma significativa a jogabilidade, mas são importantes para motivar a exploração do cenário e a obtenção de tudo aquilo que o jogo tem para oferecer.

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E Hob faz por merecer essa dedicação. Pode não reinventar a roda ou introduzir algo de verdadeiramente novo ao género em que se insere, mas o título da Runic faz tudo aquilo que se propõe a fazer extremamente bem. Uma jogabilidade diversificada e competente, um mundo de jogo belo e recheado de segredos para descobrir e uma aventura repleta de charme são motivos mais do que suficientes para recomendar uma experiência que dificilmente desiludirá aqueles que lhe derem uma oportunidade. A framerate é um problema em algumas secções, mas nunca perturba de forma decisiva a jogabilidade.