Com já vários meses de distância em relação ao seu lançamento, não há como negar: Horizon Zero Dawn é um estrondoso sucesso. Não só uma nova propriedade intelectual que conseguiu entrar nas conversações para definir os melhores jogo do ano, como a Guerrilla Games provou ter a qualidade necessária para realizar com sucesso a transição para um género completamente diferente daquele em que solidificou a sua presença na indústria.

Horizon Frozen Wilds Imagens

Vista já por muitos como a próxima grande série exclusiva das consolas PlayStation, foi sem grande surpresa que descobrimos que uma expansão para a aventura de Aloy estava a caminho. Anunciada formalmente na conferência da Sony na E3, The Frozen Wilds prometia dar aos jogadores uma desculpa para regressarem à experiência com a entrega de novo conteúdo, bem como relembrar os mais esquecidos da qualidade da obra original numa altura em que já se começam a debater os destinatários dos galardões dos prémios de final de ano.

Como o nome indica, a primeira e, ao que parece, única expansão do RPG do estúdio holandês leva-nos para um território gelado do mundo de Horizon Zero Dawn, mais concretamente para terras de Banuk, uma das tribos presentes na campanha e que se diferencia pelas suas rígidas regras, noção de honra e espiritualidade. Tendo lugar durante os eventos da aventura principal, The Frozen Wilds é apresentado essencialmente como um momentâneo desvio na procura por respostas da protagonista, permitindo-nos estabelecer um contacto mais próximo com esta tribo e explorar um novo ramo narrativo.

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Com as máquinas robóticas a apresentarem-se mais poderosas e agressivas do que anteriormente e com estranhas construções capazes de reparar outras máquinas a surgirem subitamente pelo território, Aloy parte mais uma vez em busca de desvendar um novo mistério e tentar fazer com a vida volte ao seu estado mais natural possível para os Banuk que ocupam esta área do mapa. Introduzindo um leque interessante de personagens secundárias, a expansão não consegue criar uma narrativa tão cativante como a da campanha principal, pecando sobretudo pela rapidez com que pode ser concluída.

Mais uma vez, Aloy volta a provar ser uma protagonista excelente, capaz de mostrar empatia nos momentos certos e recorrendo frequentemente ao humor para questionar aqueles com quem interage ao longo desta aventura. As várias personagens secundárias que vamos conhecendo, tanto na narrativa principal, como nas atividades secundárias, conseguem igualmente manter-nos interessados, com o título a fazer um bom trabalho em criar pequenas histórias que valem a pena prestar atenção e que queremos acompanhar. O facto de todas elas terem várias linhas de diálogo opcionais, algo que já acontecia na obra principal, permite que se tornem mais do que meras fontes de missões, ou seja, em personagens que queremos efetivamente ajudar.

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Para além de uma nova área para explorar, colecionáveis para recolher e um número considerável de missões para realizar que podem perfeitamente estender a sua duração bem para lá da dezena de horas de jogo, The Frozen Wilds traz consigo também novas máquinas para enfrentar e novas armas para contrabalançar o maior poderio e agressividade das máquinas deste território. O combate era um dos melhores pontos de Horizon Zero Dawn e o mesmo continua a ser verdade na expansão.

Mesmo sem reinventar a roda, a introdução de máquinas inspiradas em lobos e ursos permitem revitalizar esta componente da obra através da forma como nos obrigam a repensar estratégias, a tentar táticas diferentes. Obviamente, isso é suportado pela adição de mais armas ao nosso arsenal que incluem um lança-raios, um lança-chamas e um lança-gelo. O lança-raios provou, de longe, ser o mais útil dos três, permitindo-me destruir várias proteções das máquinas de forma rápida e dessa forma deixá-las mais vulneráveis ao fiéis ataques de arco e flecha. Importa mencionar que todas estas armas podem ser melhoradas com modificações e tornadas mais poderosas através da realização de determinadas missões.

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As já mencionadas torres de controlo que reparam as máquinas requerem também abordagens pensadas, uma vez que estão geralmente rodeadas de máquinas em patrulha praticamente indestrutíveis antes da desativação da respetiva torre. Criar uma distração, forçando os inimigos a iniciar a perseguição e a afastarem-se do objetivo é praticamente indispensável para conseguirem o tempo necessário para converter a torre e depois disso eliminar as máquinas em redor. Essencialmente, as torres de controlo são o equivalente em The Frozen Wilds às zonas de máquinas corrompidas da obra principal e oferecem um desafio interessante.

Juntamente com uma subida de nível máximo de 50 para 60, a expansão conta também com uma nova árvore de habilidades que, embora não inclua nada de revolucionário, introduz novidades bem úteis à jogabilidade. Seja a possibilidade de reparar as máquinas que usam como transporte, a possibilidade de recolher itens e plantas sem terem de abandonarem o vosso transporte ou (ainda) mais espaço no inventário para recursos, as novas habilidades permitem corrigir pequenas irritações que os jogadores tiveram durante a aventura original, mas pouco mais.

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Sem grandes surpresas, o departamento técnico continua imaculado, com The Frozen Wilds a oferecer cenários e horizontes que são um autêntico regalo para os olhos. Pintada predominantemente de branco, a expansão utiliza com mestria os efeitos atmosféricos e o seu ciclo de dia e noite para entregar uma experiência constantemente deslumbrante. O brilho das estrelas a iluminar a escuridão, os momentos súbitos de queda de neve cerrada, a forma como Aloy reage ao baixar das temperaturas, enfim, Horizon Zero Dawn é uma obra lindíssima e isso continua bem evidente nesta expansão. Destaque igualmente para as animações faciais das personagens secundárias que parecem ter sido melhoradas em relação ao lançamento original.

The Frozen Wilds é uma boa expansão para um já excelente RPG. Servindo essencialmente como desculpa para colocarem mais uma boa quantidade de horas na obra da Guerrilla Games, o novo conteúdo relembra-nos de tudo aquilo que tornou a aventura original de Aloy tão especial. Novas máquinas e armas introduzem novos elementos a um sistema de combate aprimorado que rivaliza com o que de melhor se faz neste género e o novo território explorável volta a provar que estamos perante um portento técnico. A narrativa não brilha tanto como se podia desejar, mas faz mais do que suficiente para nos manter interessados.