por - Mar 28, 2015

Hotline Miami 2: Wrong Number Análise

O primeiro Hotline Miami continua a ser, até hoje, um dos meus jogos preferidos. A combinação da estética psicadélica, com uma banda sonora genial que se adequa perfeitamente ao ambiente, onde a história é só mais um ponto alto, criando uma combinação perfeita de mistério e tensão. Ao jogarmos sentimo-nos num sonho que frequentemente acaba em pesadelo, tudo nesse jogo parece ter sido criado para ao mesmo tempo nos alienar e relacionar com o que se passa naquele mundo. Cometemos as maiores atrocidades em nome de uma voz que nos dá ordens pelo telefone. É uma dança incrível, que nos leva a planear cuidadosamente cada entrada numa nova divisão cheia de inimigos. Que armas devemos usar, de que forma conseguiriamos matar eficientemente todos os opositores, cabe ao jogador escolher.

Esta escolha é a essência de Hotline Miami e não deixa de ser fulcral na sequela. No primeiro, a memória muscular é sem dúvida um dos aspectos mais importantes para o jogo funcionar. Tanto que até o reflexo de carregar no botão de reiniciar o nível se torna uma coisa em que não pensamos. Não há pausas em Hotline Miami. Entrar numa sala com três inimigos, matá-los, e assim que acabamos, virarmos a personagem em direção à entrada e assim antecipar a retaliação de um infeliz que patrulha o corredor adjacente, e matá-lo no instante em que entra na sala, torna-se rotineiro. Quando todas as peças do puzzle sangrento se encaixam perfeitamente, o jogo brilha. Isto é, obviamente, acompanhado por muitas tentativas e erros.

Hotline Miami 2 não difere em nada no modus operandi. A base da jogabilidade está toda lá e é mais divertida que nunca. É extremamente recompensador causar uma sequência de mortes, quase que ao ritmo acelerado da banda sonora. E se no primeiro a direção artística era quase perfeita, da segunda vez está ainda melhor. Os níveis, vistos em planta, têm um detalhe impressionante desta vez. Há partes animadas em todo o lado, dando mais vida ao pano de fundo de todos os assassinatos. HM2 é também consideravelmente maior, em tempo de jogo, do que o primeiro. Há níveis enormes, com um número impressionante de inimigos, e a mudança é bem-vinda, até certo ponto.

Para falar do tamanho dos níveis tenho de falar do número inquietante de inimigos neles. O primeiro jogo estava cuidadosamente moldado para que se possuíssemos destreza suficiente, conseguíamos lidar com os inimigos que iam aparecendo durante cada nível. Hotline Miami 2, aumenta um bastante a parada, não só o número de inimigos por nível parece ser mais alto em geral, como adiciona alguns elementos causadores de frustração. As janelas, adição inteligente em termos de desenho de níveis, torna-se um empecilho rapidamente, que cria situações como as de matar 5 inimigos seguidos numa dança de tiros espectacular, só para morrer de seguida para um inimigo que está fora do nosso alcance, mas que nos viu através de 3 divisões pelas janelas. Este não é um problema grave, mas cria situações onde é necessária demasiada repetição por problemas que o jogador não criou.

Mesmo com alguns problemas de repetição, Hotline Miami 2 é muito ambicioso em termos de narrativa, dando ao jogador uma míriade de personagens a seguir no enredo já confuso. Existem o Pig Butcher, que é um actor mentalmente instável de um filme baseado nas acções de Jacket do primeiro jogo. Os fãs, um grupo de assassinos mascarados que se esforçam por recriar os massacres cometidos por Jacket, motivados por nada mais que o aborrecimento. Existe um grande número de personagens jogáveis, mas para além das que mencionei, uma que merece destaque é Evan Wright, um escritor que se especializa em ataques não letais, mas que depois de vários ataques seguidos fica enfurecido e pode usar habilmente qualquer arma. Esta mudança no número de personagens jogáveis tem o seu impacto na narrativa, que se torna mais densa, mais difícil de seguir. Há níveis que são talhados especialmente para as habilidades de cada personagem, e isso, em geral, remove algum do improviso que fazia o primeiro jogo tão divertido em cada instância.

A banda sonora continua o legado deixado pela do primeiro jogo, e na minha opinião só melhora. As batidas hipnotizantes estão de volta, com mais força, ajudando de forma belíssima a criar o ambiente tóxico e sangrento onde cometemos todos aqueles crimes. Está muito bem conseguida a todos os níveis e é sem dúvida um ponto forte do jogo. Até nas sequências entre o frenesim dos assassinatos, onde guiamos a personagem para mais um diálogo, notamos que se instala uma música mais calma, quase que para purgar os nossos sentidos entre níveis.

Em geral Hotline Miami 2 é um jogo mais ambicioso, mas menos provocador que o original. É um excelente trabalho da Dennaton Games, e uma boa sequela que melhora muitos aspectos do original e adiciona um grande número de novidades. Pequenos problemas à parte, é uma jornada que vale a pena fazer, porque há poucos jogos tão ousados e tão satisfatórios como Hotline Miami 2.

veredito

Hotline Miami 2 é uma viagem divertida e violenta por Miami dos anos 80 e 90 que sucede os eventos do jogo original.
8 Jogabilidade excelente. Melhorias gráficas. Banda sonora. Narrativa pouco original.

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Hotline Miami 2: Wrong Number

para PC, PlayStation 3, PlayStation 4, PS Vita

A brutal conclusion to the gruesome saga, Hotline Miami 2: Wrong Number…

Lançado originalmente:

10 March 2015