Na nova obra dos criadores de FTL, hoje em análise, somos convidados a utilizar a nossa massa cinzenta e apreciar (ou ficar arrependido) com as nossas decisões. Into the Breach é completamente diferente de FTL: Faster Than Light, mas retém a tensão das batalhas e, mais importante que isso, nunca nos trai, ou seja, se perdermos é porque não fizemos a melhor avaliação de todas as hipóteses em jogo. É tática num estado raro de afinação. 

Into the Breach Imagens Analise

A Terra está devastada e são poucos os humanos que ainda restam. A ameaça extraterrestre foi eficaz, contudo, houve sobreviventes. Esta última esperança da humanidade conseguiu desenvolver tecnologias que lhes permitiram regressar no tempo para aniquilar os monstros que causaram esta calamidade. Estes aliens são autênticos kaiju, isto é, monstros do tamanho de arranha-céus. Para lutar em igualdade, foram desenvolvidos mechs de tamanho semelhante. Isto, aliado à inteligência tática do jogador, talvez permita dar uma nova hipótese aos humanos. 

Todavia, não é pela narrativa que os jogadores se vão sentir motivados para iniciar Into the Breach. É pela sua natureza tática brilhante, pela sua inspiração no xadrez. As missões podem ser escolhidas numa das diferentes ilhas nas quais a Terra foi dividida, sendo que cada área tem um objectivo a cumprir comum a todas: defender os edifícios onde se encontram as populações e a rede eléctrica. Um edifício que ceda às forças dos enormes insetos significa menos um ponto na vossa barra de saúde. Por isso, será a defesa destas habitações e estruturas de energia a vossa prioridade.

Into the Breach Imagens Analise

Esta particularidade faz com que o jogo seja fenomenal, uma vez que obriga-nos a pensar em táticas defensivas primeiro e apenas depois optar pela ofensiva, se for possível. A partida começa sempre com a ação dos inimigos e com aquilo vão fazer na próxima jogada. Parece ser algo que podia tornar o jogo demasiado fácil, mas não é. Isto acaba por influenciar as nossas jogadas, sem que tenhamos de adivinhar o que o adversário pode ou não fazer nos próximos turnos. 

Into the Breach não nos exige que eliminemos absolutamente todos os inimigos que aparecem na grelha de oito por oito, mas sim que façamos um controlo dos estragos que estes possam provocar. Após algumas jogadas, se ainda tivermos um mech no terreno, vencemos a partida. Porém, enquanto for possível, é necessário lutar pelos objectivos que nos são dados, pois só assim podemos evoluir os nossos veículos metálicos de combate. Este elemento que torna o jogo ainda mais interessante, fazendo-nos jogar com as ferramentas que nos são entregues. Se há riscos que podem ser tomados, então o melhor é mesmo avançar nesse sentido. 

Into the Breach Imagens Analise

A apresentação deste jogo conta com um estilo em pixel art, mas sem querer replicar o que anteriores consolas conseguiram reproduzir. O que está ali feito é tudo realizado no sentido de oferecer ao jogador  o máximo de informação sem qualquer tipo de obstrução visual. Na prática, sabemos exatamente o que temos de fazer para que as nossas escolhas sejam postas em funções. A interface e menus são simples de navegar sem qualquer tipo de confusão. 

Into the Breach Imagens Analise

Tal como em FTL, há uma gestão dos danos a ser feita por nós. O que importa não é sermos implacáveis contra os inimigos, até porque ir por essa via acaba por arruinar a nossa campanha mais tarde ou mais cedo. Cada movimento, nomeadamente os ataques, têm causa imediata e consequência irremediável. Se por acaso gostam de pôr a vossa massa cinzenta em atividade, Into the Breach é uma excelente escolha. Certamente, um dos jogos do ano.