Derrotar bosses nórdicos é um espetáculo digno de se experimentar em Jotun, a obra canadiana da Thunder Lotus Games. Desenhar batalhas com bosses não é algo simples, pois há muito onde os produtores podem falhar tornando-o completamente desequilibrado. Felizmente isto não acontece em Jotun, jogo que nos leva pela mitologia nórdica para que consigámos derrubar titãs e fazer com que a protagonista Thora consiga ter o seu lugar reservado em Valhalla, onde só quem morre em combate pode entrar.

O jogo desta produtora canadiana é fantástico a vários níveis, mesmo que comparativamente às outras versões tenha tempos de carregamento um pouco mais longos. É o estilo artístico, a mitologia nórdica apresentada ao longo da aventura e, sobretudo, a excelente vocalização em islandês que torna Jotun memorável. A jogabilidade vem cimentar a qualidade da obra, com secções de exploração e outras de combate com os gigantes chamados de Jotun. 

Thora, a heroína do jogo, morreu afogada juntamente com a sua tripulação, o que não lhe garante a prometida passagem para Valhalla. Só quem morre em batalha é que pode ir para o paraíso da mitologia nórdica. Felizmente para esta guerreira, foi-lhe dada uma segunda hipótese para impressionar os Deuses e garantir a sua passagem para Valhalla e ficar junto de Odin. Para impressionar os Deuses terá de derrotar os Jotun - gigantes ligados aos elementos naturais da Terra. 

Porém, antes de entrar em batalhas épicas, terá de explorar locais sagrados, percorrer áreas intrinsecamente ligadas à mitologia escandinava. Um dos objetivos, antes de enfrentar o boss, um dos tais Jotun, é de encontrar as runes que abrem os portões para o desafio final do nível. Num destes níveis terão de percorrer as raízes profundas de Yggdrasil, a árvore gigantesca que faz a ligação entre os nove mundos da mitologia nórdica. Estas raízes estão tão entrelaçadas que é necessário usar o mapa para vermos o nosso caminho até à rune. Convém, passar pelo poço de Mimir, um local conhecido como Mímisbrunnr, para gravar o jogo e restabelecer a saúde e os poderes de Thora. 

Além de passar por Mimir, o sábio da mitologia nórdica, é também preciso encontrar as estátuas dos Deuses que vos dão vários poderes. Por exemplo, encontrem Thor e ser-vos-á dada a possibilidade de utilizar o seu poderoso martelo Mjolnir. Vão até ao altar de Freyja e conseguem ser momentaneamente mais rápidos, ou rezem a Frigg, mãe de Thor, para poderem restabelecer parte da vossa saúde quando acharem ser o momento oportuno. Nas minhas primeiras sessões não prestei importância a este aspeto e as minhas batalhas ficaram mais equilibradas depois de obter o poder dos Deuses mencionados.

Cada batalha é uma incessante procura por padrões de comportamento dos inimigos gigantes. Temos, como já se faz há largos anos nos videojogos, de ser um bons observadores. Neste combates há uma enorme barra de saúde para esvaziar e por muito que seja tentador tentar aplicar cada vez mais golpes para a tarefa ser concluída, é preciso ter moderação. Caso contrário, o gigante continua o seu ciclo de ataques e cada golpe desconta um bom bocado da nossa barra de saúde, dois ou três em cheio e morremos sem impressionar os Deuses.

A parte técnica de Jotun é muito competente. A arte reflete bem o estilo desta mitologia, quase como uma película de animação. É fantástico de ver o contraste ameaçador das criaturas Jotun com a enorme paleta de cores do mundo mitológico. Quando estamos a explorar, por vezes, a câmara afasta-se e oferece-nos detalhes fantásticos do local pelo qual estamos a passar.

É a primeira vez, que me lembro, de gostar mais da vocalização dentro dos aspetos técnicos do jogo. É este aspeto que reforça a narrativa do jogo, pois é a própria Thora, a heróina, que nos relata na primeira pessoa a história dos Deuses, das causas que a levaram a ter de derrotar gigantes e das suas preocupações quanto à sua tarefa para chegar à terra prometida. O uso da linguagem islandesa faz todo o sentido, tal como se tivesse sido utilizada outra da península escandinava (norueguês, finlandês ou sueco) que partilha o mesmo folclore popular, sendo assim evitado um afastamento do jogador ao material original apresentado. O uso da linguagem islandesa faz todo o sentido, tal como se tivesse sido utilizada outra da península escandinava (norueguês, finlandês ou sueco) que partilha o mesmo folclore popular, sendo assim evitado um afastamento entre o jogador e o material original apresentado.


 
Jotun é tecnicamente soberbo, com uma jogabilidade que varia entre a exploração e o combate com seres mitológicos imponentes. Este acaba por ser um título que tenta almejar o que Shadow of the Colossus atingiu. Ainda fica longe de o atingir, mas o que faz é admirável, sem deixar de oferecer os bons desafios que os jogos do mesmo género costumam oferecer.