Filipe Urriça por - Jun 22, 2022

Kao the Kangaroo (Switch) – Análise

Os animais e os jogos de plataformas andam de mãos dadas, há algo de muito interessante em fazer passar uma fauna por todo um processo de antropomorfismo e personificação – é provavelmente o mesmo apelo que Jean de La Fontaine teve para escrever as suas fábulas. O auge do género de plataformas foi, sem sombra de dúvidas, no início dos anos noventa até ao começo da década seguinte, até as consolas serem tomadas de assalto pelos atiradores na primeira pessoa. Uma das séries que foi lançada nesta época foi Kao the Kangaroo, produzido pela polaca Tate Multimedia, que agora lança na consola híbrida da Nintendo um reboot após dezassete anos sem um novo jogo no mercado.

Não é de surpreender ninguém que Kao regresse, visto que temos outros jogos com animais australianos já o fizeram como Crash Bandicoot: N. Sane Trilogy, assim como Ty the Tasmanian Tiger HD. Nota-se que a produtora da Europa do Leste está a tentar aproveitar esta onda de revivalismo dos jogos de plataformas, porque esta série de jogos não teve, muito provavelmente, o sucesso pretendido. Lançar um reboot na Nintendo Switch é a manobra de marketing perfeita para dar a conhecer ao mundo uma série perdida no tempo.

A narrativa leva a irmã de Kao a desaparecer misteriosamente, pois procurava o seu pai que estava também desaparecido há imenso tempo. Para resolver este grande mistério, Kao parte à aventura para encontrar os seus familiares através de variados locais cheios de cor. Obviamente que uma aventura deste calibre vos vai fazer recordar jogos de antigamente, onde as plataformas reinavam e os atiradores na primeira pessoa não passavam de um género associado aos computadores pessoais.

À medida que exploramos os diferentes níveis do mundo do nosso mamífero marsupial antropomórfico, vamos ser confrontados com vários desafios para saltar, subir e atravessar plataformas, à boa moda dos bons jogos do género. No fundo, se não sairmos das consolas Nintendo, Kao the Kangaroo poderia muito bem ter sido lançado na GameCube ou no início de vida da Wii.

Porém, por muito que a característica mais notável de um canguru seja dar um impulso na vertical graças à força dos seus musculados membros posteriores, Kao calça um par de luvas de pugilismo. Portanto, adivinha-se facilmente que Kao the Kangaroo não vive só de saltos entre plataformas e inclui algum tipo de combate. Com várias combinações de botões, Kao consegue executar uma boa variedade de golpes para enfrentar situações onde tem de usar a força dos seus punhos para se ver livre dos inimigos que estejam no seu caminho. Enfim, são mecânicas divertidas e que não se repetem em demasia para combatermos sempre da mesma forma.

Infelizmente, por muito que Kao consiga ser divertido, quando não é repetitivo, o jogo está pejado de erros técnicos como os conhecidos glitches. Seja nas texturas dos modelos das personagens, na música e nos efeitos sonoros, cada um destes desaparece e volta a aparecer aleatoriamente – assim, Kao the Kangaroo é um desastre técnico – mesmo que seja com pouca frequência.

Em termos de longevidade, Kao the Kangaroo não prolonga a sua estadia. Após sete ou oito horas conseguimos terminar a campanha e, francamente, é uma duração mais do que suficiente. Tanto jogos de nomes sonantes (como Super Mario Odyssey), como outros de origens mais humildes (como A Hat in Time) têm uma duração muito semelhante a este número de horas. É bom que a obra da Tate Multimedia não se tenha mantido durante mais tempo, chega a um ponto em que já tratamos as mecânicas por tu e já começamos a ver alguma repetição a instalar-se e conseguimos aperceber-nos que a criatividade do jogo se está a esgotar.

Em suma, é um regresso que satisfaz a nossa vontade em ultrapassar plataformas e de dar murros valentes em inimigos irritantes. Contudo, nesta obra não encontramos nada de fenomenal que a faça destacar-se entre os seus pares – falta-lhe aquele fator X para nos impressionar. Talvez o facto de ser demasiado fácil não abona para o jogo ser recomendado a quem está à procura de uma experiência deste género.

Kao the Kangaroo é básico, acerta no que tem de conseguir alcançar e nada mais do que isso, apesar dos erros técnicos mencionados. O jogo consegue evocar nostalgia, o que é bom, mas este não fará parte desse sentimento como objeto ou produto que é recordado quando se jogará outro jogo de plataformas para os jogadores que estão agora a dar os seus primeiros passos nos videojogos.

veredito

Esta série podia ter regressado em grande, mas infelizmente não tem aquele ingrediente especial que o faça destacar-se.
6 Acerta nos pontos do género. Pouco desafio. Erros técnicos ocasionais. Muito básico.

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Kao The Kangaroo

para Gameboy Advance, PC
Kao The Kangaroo

Lançado originalmente:

26 March 2006