por - Sep 4, 2013

Killzone Mercenary Análise

A série Killzone serve para a Sony atacar determinados momentos que acha importantes na vida das suas plataformas. Foi assim com Liberation na PlayStation Portable, com Killzone 3 na PlayStation 3 e certamente será assim quando Killzone: Shadow Fall acompanhar a chegada ao mercado da PlayStation 4. Contudo, o argumento mais revelante no momento é a astúcia de lançar Killzone: Mercenay na PlayStation Vita. A corroborar o argumento que usei na abertura desta análise, numa altura em que a portátil da Sony ainda luta por se afirmar no mercado como uma consola para as massas, a Guerrilla é chamada a intervir com um jogo que está no radar de praticamente todos os que já trocaram os seus euros pela consola móvel da Sony. Se só daqui a algumas semanas ficaremos a saber o resultado que teve nas vendas, o resultado do meu tempo com o jogo pode ser lido já de seguida.

O argumento do jogo vai buscar muito ao seu título: vestimos a pele de um mercenário movido pelo dinheiro e relegando as causas morais para segundo ou terceiro plano. A cor do dinheiro não escolhe lados, portanto Arran Danner, o protagonista do jogo, alia-se ao lado cuja conta bancária for mais solidária com a sua habilidade de ceifar vidas. Os argumentistas da Guerrilla Cambridge, a divisão encarregue pela produção do jogo, tentam dar alguma profundidade à personagem recorrendo à muleta política e emocional, porém, durante as escassas cinco horas que demora a completar a campanha principal, falta pista para a produtora conseguir aterrar as suas intenções em segurança. Mercenary não é um jogo com um argumento bacoco, mas ficam algumas pontas soltas, salientando ainda mais o sentimento que a longevidade deste modo deixa algo a desejar.

Depois dos créditos finais deslizarem pelo ecrã OLED da Vita, somos convidados a dar uso à opção de repetir cada uma das nove missões que compõe o modo principal. É possível cumprir novamente a trama numa dificuldade mais exigente, o que, obviamente, resulta num pagamento mais generoso, todavia, a ideia da produtora é levar os jogadores a experimentarem as missões com um conjunto de objetivos alternativos. Em vez de trabalharem em prol do desenvolvimento da história, nesta repetição é-vos pedido que concluam um determinado nível dentro do limite de tempo estabelecido, que executem com um tiro na cabeça num alvo escolhido pelo jogo ou, por exemplo, que executem furtivamente um número de inimigos. Este naipe ajuda a diversificar a maneira como encaram cada missão, contudo, não oferece nada de verdadeiramente novo ou revolucionário face aquilo que acabaram de fazer na vossa primeira sessão de jogo.

É na jogabilidade que o negrume destas nuvens dá lugar a um céu limpo. Sim, o seu cerne é a continuação da experiência Killzone proporcionada por uma consola caseira numa portátil, contudo, graças aos dois analógicos da Vita e às suas especificidades técnicas, há um factor novidade que resiste quase sempre às velhas mecânicas de colocar hordas de inimigos como entrave à progressão pelos cenários. Por exemplo, quando estiverem perto de um inimigo poderão executá-lo com um ataque disferido pela vossa faca – ou em alguns casos, a mecânica é usada para interrogar certos Helghast em troco de informação privilegiada. Sempre que esta sequência de movimentos é despoletada, é através do ecrã tátil da Vita que o ataque é disferido, colocando o jogador a imitar com o dedo a direção da seta que aparece no ecrã. O melhor é que estes movimentos são aleatórios, ocupado praticamente todos os pontos cardinais da rosa-dos-ventos.

O ecrã da portátil é também obrigado a exultar a sua utilidade com a colocação de bombas ou com a resolução de minijogos que servem para aceder indevidamente a certas áreas ou para obter informações em certos pontos do cenário. Estes minijogos têm tanto de simples como de desafiantes: é mostrado um hexágono no ecrã e têm à vossa disposição várias peças que sobrepostas fazem essa figura. Com o aproximar do final do jogo essas imagens ficam mais complexas, o que vos obriga a chamar a vossa massa cinzenta ao serviço. Como qualquer um destes minijogos são acompanhados por um relógio em contagem decrescente, quase sempre é criada uma tensão que, ironicamente, não envolve tiros, explosões ou o uso sábio de granadas.

Importa ainda mencionar que a produtora usa o ecrã da consola para tarefas mais corriqueiras como apanhar as munições deixadas no cenário pelas casualidades da guerra, porém, numa jogada inteligente, estas atividades aparecem no ecrã sempre com o respetivo botão de rosto, ou seja, se quiserem podem metralhar o ecrã com os vossos dedos e quando se cansarem da funcionalidade podem passar a usar o botão triângulo, por exemplo. Desta maneira, os enjoos provocados pela repetição destas ações mundanas são evitados e a jogabilidade sai variada.

A troca entra a arma principal e a secundária tem o seu ícone perto da extremidade do ecrã, portanto, podem pressioná-lo com o polegar sem terem que quebrar o ritmo: isto são pormenores que apenas são chamados à análise para comprovar o estudo que a produtora fez antes de se limitar a usar desenfreadamente o que a PlayStation Vita tem de único. Querem outro exemplo? Depois de comprarem e equiparem uma sniper, o zoom da mira é ajustado recorrendo ao painel tátil que a portátil da Sony transporta nas suas costas.

Praticamente todas as ações apresentadas pelo jogo fazem com que a vossa conta bancária engorde e emagreça com maior rapidez que uma dieta mal curada. Algumas são bastante óbvias, como por exemplo a compra de armas ao Blackjack, a personagem que tem os melhores negócios em soluções bélicas, porém, só podem levar uma arma principal e uma arma secundária para o campo de batalha e se porventura quiserem voltar a equipar algo que vos foi útil no passado, isso custa dinheiro. Se forem mortos o numerário obtido também sofre, segundo o jogo, graças ao vosso seguro de vida. Mas não pensem que o Blackjack tem apenas soluções que cospem balas. Seja um colete que vos dão mais tolerância ao dano infligido pelos inimigos, granadas sempre úteis em qualquer cenário de guerra ou soluções alternativas que dão pelo nome de Sistemas VAN-Guard. Querem um “drone” que vos assista aereamente? É aqui que o compram. Querem um escudo temporário? Sim, também é aqui. Um lança-mísseis intitulado “Porcupine”? Invisibilidade temporária? Não procurem noutro sítio. Todos estes “brinquedos” ajudam a dar um novo colorido à maneira como reagem face às inúmeras vezes em que estão rodeados por inimigos.

O multijogador online é a extensão natural de tudo o que alcançarem antes de darem uso ao Wi-Fi da vossa consola. Felizmente, a produtora teve o discernimento de permitir que o dinheiro amealhado a solo seja transferível para as vossas aventuras contra jogadores de carne e osso. Muitos são advogados que a ligação sem fios prejudica a fluidez das partidas multijogador, mas participei em diversas partidas em diferentes locais e em nenhum dos exemplos a ligação à Internet deu sinal de estar a prejudicar a dinâmica dos jogos online. Aliás, não notei nenhuma diferença assinalável na latência comparando as duas componentes do jogo. Quase todo o tempo que passei a matar e a morrer às mãos de outros jogadores foi sinónimo de diversão. Apesar dos modos serem vários, recorrendo às variantes já testadas e aprovadas em que lutamos como equipa ou no sempre caótico todos contra todos, a estrela é Warzone, modo que vai alterando os objetivos com o progredir da partida. Pessoalmente, este modo é aliciante porque varia a abordagem espontaneamente. Num minuto estão a tentar invadir o território inimigo e no minuto seguinte têm por obrigação fazer pender para o vosso lado o rácio entre os que mataram e os que morreram.

Outra novidade que merece destaque é o sistema Valor. Em vez de classificar o vosso desempenho em qualquer uma das duas componentes do jogo com a atribuição de notas, Killzone: Mercenary atribui-vos uma carta. Obviamente, quanto maior for o número de cartas que tiverem no baralho – e as suas combinações – melhor serão as recompensas que o jogo vos atribui. Não é algo revolucionário, apenas algo diferente. O melhor efeito secundário deste novo sistema de classificação é o apelo ao vosso lado de colecionador, motivando-os a jogar mais, matar mais, enfim, se quiserem ter uma coleção de cartas digna desse nome, preparem-se para carregar a bateria da vossa Vita durante vezes incontáveis.

Até agora, já perceberam que Mercenary é um pacote com pontos interessantes e outros pouco explorados. Resta saber qual é a qualidade do “papel de embrulho”. Apesar da diversidade dos cenários não ser tanta quanto o desejável – os fãs mais acérrimos de Killzone poderão argumentar que a temática soturna é a imagem de marca da série – o jogo é um dos maiores triunfos técnicos da Vita. Desde os efeitos de luz às texturas, o jogo surpreende com o que consegue apresentar em movimento, dissipando de uma vez por todas os detractores que juravam que a beleza do jogo só era possível devido ao tratamento das imagens. Obviamente tem algumas falhas, com alguns “jaggies” e uma ou outra condensação excessiva de pixéis, sobressaltos que não chegam para danificar o quadro geral que nos é apresentado ao longo das várias missões que compõe o jogo.

O capítulo sonoro também não envergonha os produtores, com música que ajuda a complementar os momentos mais tensos. Não está no patamar da componente visual e, sinceramente, deixa algo a desejar no último combate, que deveria ser o culminar do esforço da produtora e da dedicação do jogador, contudo, em momentos cruciais anteriores à conclusão do jogo ainda consegue brilhar duas ou três vezes.

Depois de inúmeras desilusões que chegaram para colocar em causa se seria possível adaptar uma série de renome à portátil da Sony, Killzone: Mercenary prova que sim, é possível desde que a consola seja trabalhada pelas mãos certas. Ainda assim, uma campanha principal demasiado curta e uma história que precisava de mais tempo para amadurecer, são momentos menos conseguidos num jogo que chega para oferecer ao mercado um grafismo assinalável, uma boa utilização das funcionalidades da portátil da Sony e um multijogador que corre sem mácula.

veredito

Killzone: Mercenary é uma adição interessante ao catálogo da PlayStation Vita, provando que a portátil da Sony pode ser habitat dos maiores nomes do catálogo da Sony.
8 Retira bom partido das especificidades da consola Graficamente soberbo História precisava de mais tempo para amadurecer Muitos poderão achar a campanha principal demasiado curta

Comentários

0 Comments
Inline Feedbacks
View all comments

Killzone Mercenary

para PS Vita

The game appears to revolve around mercenaries who take cash for jobs.

Lançado originalmente:

06 September 2013