Há jogos que tem por base a física de objetos com conceitos muito estranhos. Muitos deles vão parar ao mercado dos smartphones e tablets, onde Angry Birds triunfou com o seu lançamento de pássaros com uma fisga. King Oddball pertence a esse mercado, nem de lá devia ter saído, pois colocar um jogo desses na Nintendo Switch só enterra jogos de qualidade que tenham dificuldade em se fazer notar na enchente de títulos mensais na plataforma digital da Nintendo. 

O título da finlandesa 10tons não tem uma história propriamente dita, o jogador só tem o controlo de uma cabeça de pedra que é rei de algum sítio, segundo denuncia a sua coroa e o próprio nome do jogo. Aparentemente, esta cabeça deve ser uma espécie de Cromulon (as cabeças do tamanho de planetas de Rick and Morty), que vem com o objetivo de destruir o planeta Terra, seja qual for o motivo. De nível em nível, esta cabeça de língua comprida tem como finalidade eliminar todas as forças militares com calhaus arremessados pela sua língua.

Imagens Analise King Oddball Switch

Nós estamos identificados por esta entidade chamada de King Oddball, numa grelha onde estão os níveis. Uma vez selecionado para onde vamos, King Oddball fica na parte superior do ecrã, apanha uma pedra com a língua e balança-a de um lado para o outro descrevendo um ângulo raso. Quando nós tivermos a certeza absoluta que é o momento ideal para a largar, carregamos no botão e vemos a destruição de equipamento militar a acontecer no ecrã. O objetivo passa por eliminar todos os elementos do cenário - tanques, soldados e até helicópteros. Depois voltamos à grelha para escolher um novo nível, e assim sucessivamente até limpar uma área de um quadrado. 

Um jogo como este, está totalmente dependente da forma como os seus níveis foram desenhados. Felizmente, uma boa porção deles obriga-nos a proceder a uma abordagem interessante ao jogo - fazer uma pedra rolar num determinado ângulo para poder bater num tanque, fazê-lo explodir, e com o impulso da explosão fazer ricochete num outro tanque que está escondido numa outra parte do cenário. Quando tudo bate certo, é bom ver o nosso plano a seguir na perfeição. 

Imagens Analise King Oddball Switch

Imaginem conseguirem fazer um encadeamento de boas tacadas porque têm uma boa percepção dos ângulos e da força que é preciso colocar na bola branca; King Oddball dá-nos uma sensação muito semelhante. Mas existe um problema, é muito difícil saber se pressionamos no momento correto, ou seja, se a pedra é lançada pela língua no preciso momento em que consegue descrever um arco para que esta bata onde queremos. Comparativamente a outros títulos do género, como por exemplo o já mencionado título da Rovio, não partimos de uma posição estática. Isto significa que temos de ter em atenção o timing em que lançamos as pedras. É um elemento que adiciona frustração, em vez de entregar uma forma de desenvolver estratégias ou de nos fazer ver o jogo por uma nova perspetiva.

Pessoalmente o jogo conseguiu cativar-me, para que eu completasse cada vez mais níveis. Um a seguir ao outro conseguia fazer explodir tudo, porém, com algumas quebras na progressão, por vezes parava por completo por não conseguir dar com a solução ou, na maioria dos casos, falhava por completo o timing correto para mandar a pedra. Pontualmente, há níveis especiais. Há novas áreas de duas dezenas de desafios que vos coloca outro problema. Por exemplo, em vez de atirar pedras, há uma secção em que atiram granadas, a sua explosão obriga a pensar de outra forma, visto que há um novo impulso provocado pela explosão. Completem estes desafios especiais e são premiados com mais um achievement, há vários para colecionar em forma de medalhas.

Imagens Analise King Oddball Switch

Este jogo finlandês não prima por uma apresentação gráfica cheia de detalhes e pormenores que façam deste jogo um título com um estilo artístico minimamente interessante. São visuais que prestam bem aquilo que servem, um jogo que precisa de ser fluído e simples no arremesso de projéteis e das reações consequentes. Porém, quem é fã de jogos que retiram partido da física de objetos tem aqui uma opção minimamente interessante com King Oddball. Contudo, convém frisar que a versão Android é gratuita e com anúncios esporádicos. A versão Nintendo Switch acaba por ser o mesmo jogo, sem a irritante publicidade da versão para smartphone.